Ars Grammaticae – o ensino da gramática no Brasil.

Publicado sob a(s) categoria(s) Education,Linguistics em 14 de March de 2011

lingua-portuguesa

Tudo no Brasil, no que diz respeito ao estudo da linguagem, de nossa língua, é feito de forma que as pessoas odeiem a gramática, ou pior, não sejam minimamente curiosas ao ponto de consultá-la. Isso vem de uma falha do ensino de língua portuguesa por aqui. E certamente do Ministério da Educação também, por insistir em determinar apenas uma forma de ensino do português.

(Foi o que o Pedro Sette tratou em seu post, e cuja solução estou de acordo.)

Mas quero apontar mais claramente esta falha. Saber de onde vem.

Quando uma pessoa me diz que já ouviu falar de uma “oração reduzida de infinitivo” e não sabe me descrever o fenômeno, é sinal que há um problema aí. Afinal, para que seu conhecimento da língua fosse maior, bastaria ela me dizer para que serve o fenômeno e saber quando imitá-lo (sim, isso mesmo, imitar) em seu uso, sem precisar, inclusive, da menção da nomenclatura. Ou seja, conhecem a nomenclatura sem a identificação de seu fenômeno correspondente. Isso é basicamente o que acontece com o ensino da língua no sistema determinado pelo Ministério: ele ensina nomenclaturas gramaticais. E isso tanto no setor público, quanto no privado. É lógico que há aí a consciência do professor numa sala de aula, de tentar reverter esse quadro o máximo que pode. Mas é tarefa hercúlea, o sistema contaminado exige que o professor ensine de maneira que seus alunos “se dêem bem” nas provas. (e educação no Brasil ainda é uma mera questão de “se dar bem”).

Já temos aí um dado importante: o sistema educacional brasileiro parte do princípio que o estudo da gramática (no molde imposto) faz com que o aluno escreva e fale melhor.

Pergunto: A gramática pode fazer você falar e escrever melhor? E de onde vem esta noção?

5 respostas so far

5 respostas para “Ars Grammaticae – o ensino da gramática no Brasil.”

  1. Jonerval says:

    Estudar língua portuguesa de forma um pouco mais aprofundada que aquela estudada no ensino médio é uma das coisas que venho pretendendo fazer há algum tempo, mas nunca começo.

    Talvez comece agora, com essa postagem. Pois me lembro de ter estudado sobre “orações reduzidas ao infinitivo” – e o que é mais curuioso: lembro-me de ter entendido do que se tratava – mas agora já não lembro do fenômeno relacionado.

    Enfim, quero aproveitar e pedir a você uma sugestão de livro de gramática e de autor.

  2. Leonardo says:

    Jonerval,

    Você pode procurar estas duas gramáticas, considero-as muito boas:

    - Gramática Metódica da Língua Portuguesa.
    de Napoleão Mendes de Almeida, editora Saraiva.

    - Gramática de Usos do Português.
    de Maria Helena de Moura Neves, editora UNESP.

    São duas obras excelentes, mas a primeira é ainda a melhor gramática por aqui.

    Obrigado pela visita! Abraço.

  3. Maria Manuela says:

    Oi Léo,

    Ando pensando exaustivamente sobre isso pois estou me deparando justamente com a dificuldade de lembrar dos nomes dos fenômenos, já que estou aprendendo uma língua nova que é o francês. Sou a ignorância máxima em gramática e percebo que seria interessante um ensino mais consistente. Meu português é intuitivo, fruto de muita leitura e de um verdadeiro envolvimento com a língua. Porém, pensar a língua, se assim posso dizer, também pode ser bacana, mas infelizmente na escola ensinam de forma dura e depois dos anos de decoreba não sobra absolutamente nada.

    E depois desses meses falando o meu “brasileirinho” em meio aos portugas, já estou achando meu português estranho. Vou roubar a dica de gramática logo ali de cima ok? Quem sabe não é a hora certa para começar a achar a gramática bacana! :)

    Abraço!
    Manu

  4. Leonardo says:

    Ei Manu…

    Que reflexão bacana! Obrigado.

    A gramática é uma “tecnologia” fantástica, e a necessidade de estudá-la talvez seja o melhor insentivo, mesmo. Mas há muitos defeitos em seu ensino por aqui, infelizmente. Procure a do Napoleão. E muito legal saber que você estuda o francês, isso será ótimo para você voltar às nunces de nossa língua, são línguas irmãs. Uma sugestão:

    - Grammaire méthodique du français; Martin Riegel, J-Ch. Pellat, René Rioul; ed. PUF.

    C’est une grammaire excellente! Tu aimeras…

    Que visita legal…

    Um abraço!

    L.

  5. [...] Não esqueci das perguntas do post anterior, mas se liguem na série “Ars Grammaticae”, uma hora eu venho aqui e respondo. [...]

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