Brincando com relógios.

Philosophy -- 07 / June / 2010

relogios

Duvido que alguém tenha passado ileso de um único aniversário. Ou que no caminhar do dia nunca tenha se perguntado “para onde foi o meu bendito tempo?”. Quase todos que pensaram sobre a vida, pensaram sobre o tempo. Ele é invisível, não tem cheiro e sequer dá “bom dia”, está por aí, sorrateiro, taciturno, e ninguém consegue segurá-lo.

Eu já pensei sobre o tempo. Você também já pensou sobre ele.

Mas o que o vedānta nos diz sobre ele? Na bhagavad gītā (10.33), Kṛṣṇa diz que:

अहम् एवाक्षयः कालो

aham evākṣayaḥ kālo

Eu, sozinho, sou o tempo infinito.

Aqui, Kṛṣṇa não diz que ele é o tempo simplesmente, mas que é o infinito (ākṣaya).

Quem olha desesperadamente para relógios procurando alguma forma de parar os ponteiros e ganhar mais um ou dois minutos. Quem volta e meia reclama do tempo, de sua falta, e faria de tudo para ter mais um tempinho. Talvez façam isso por nunca terem pensado na perspectiva abaixo:

  • A concepção da cosmologia vedantina.

a)      360 anos lunares = 1 ano divino.

b)      As Eras (yuga):

sātya ou kṛṭa – 1.728.000

tretā – 1.296.00

dvāpara – 864.000

kali – 432.000

c)      Total = 4.320.000 humanos ou 12.000 divinos.

d)     Este total corresponde a 1 mahāyuga (um ciclo de 4 eras).

e)      1000 mahāyuga = 1 dia de Brahmā (kalpa).

Nós estamos agora na kali yuga, que começou exatamente (cálculos astrológicos) no ano 3102 A.C.; sabe-se que no dia 13 de abril de 1917, esta era já tinha tido seus 5018 anos do total de 432.000.

Colocando nossa imaginação para funcionar, nossos 100 anos de vida (quando lá) não são nada mais que uma piscada de olho de Brahmā. Imaginem isso!

“Vivemos pouco”, vocês devem pensar. Numa perspectiva material, sim, vivemos.

Mas a eternidade é o tempo da alma.

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