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Bi-cycle (a poem).

Publicado sob a(s) categoria(s) Literature em 12 de May de 2015

 

photoDedicated to Jakub Štěch and Ondra Loup.

 

I broke my head

just after my birthday,

April’s spring, new year,

my eyes soon opened.

 

An accident got

my blue sky bicycle,

I lost the control,

crashed into a light pole;

hospital, exams,

doctors and surgery.

All them to keep my soul

in life’s mystery.

 

The brain wasn’t touched,

the mind got its healing,

intellect expanded,

heart almost willing.

 

Prague blossoms again,

flowers everywhere,

the crows shout their screams,

but swans fly with no pain.

 

Now I realized:

the body is fragile,

intelligence is all,

then ride forward

without afraid to fall.

L.V.

 

PS: Today complete one month after the bike accident I had in Prague, I was born again;

and this poem was the way I put my pain out.

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Samizdat (second text, Protišedi).

Publicado sob a(s) categoria(s) Culture,Literature em 22 de July de 2013

 

Here is my second text-post at Czech cultural magazine Protišedi:

 

In English:  http://www.protisedi.cz/article/another-literature

 

In Czech:  http://www.protisedi.cz/article/jina-literatura-0

 

Hope you enjoy the reading.

 

 

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Brasil, ainda uma viela.

Publicado sob a(s) categoria(s) Literature em 19 de October de 2012

 

(Minha resposta à novela Avenida Brasil, que termina hoje)

 

Não ler Machado

é machadada

numa cabeça

que vê novela

e se esparrama

pela viela

querendo ser

uma avenida,

sai Capitu

entra Carminha,

literatura

baixo escalão,

esta tevê

acorrentada

ao imaginário

de um povo heróico

sem retumbância,

um emergente,

mas sem visão.

 

Silêncio, nada.

Barulho, tudo.

E vemos graça

onde a pirraça

de um mensalão

onera um povo

sem escrutínio,

uma avenida

sem pavimento,

esburacada,

de asfalto velho.

José Dirceu

absolvido,

o barbudinho

sem julgamento,

com este povo

quase jumento,

relincha agora

como jamais

relinchou antes,

e segue a rua

até Brasília,

arquitetura

descomunal,

avermelhada

por este barro

que faz a lama

e apaga a chama

da geração

de “jovens” loucos

que não lêem livros

e bradam forte:

televisão!

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Inspired Universe.

Publicado sob a(s) categoria(s) Literature,Vedanta em 15 de June de 2012

Here are the three śloka which inspired me to write my first children book.

 

They are from Bhāgavata Purāa (skandha 10, adhyāya 8,  śloka 35, 36, 37).

As the book was written in English, I translated them to English too.

One thing to keep on mind when we read this Purāa, is what I wrote here.

 

So enjoy them and put your imagination to fly…

 

OBS: with the next post it will be more clear what they really mean. Stay tuned…

 

35.

नाहम् भक्षितवानम्ब सर्वे मिथ्याभिशंसिनः

यदि सत्यगिरस्तर्हि समक्षं पश्य मे मुखम

nāham bhakṣitavānamba sarve mithyābhiśaṁsinaḥ

yadi satyagirastarhi samakṣaṁ paśya me mukham

 

Mãe, eu não comi (terra), todos (fazem) falsa acusação,

se a fala (é) verdade, veja a minha boca com seus olhos.

Mom, I have not eaten (earth), all they (do) false accusation,

if the speech (is) true, see my mouth before the eyes.

36.

यद्येवं तर्हि व्यदेहीत्युक्तः स भगवान् हरिः

व्यादत्ताव्याहतैश्वर्यः क्रीडामनुजबालकः

yadyevaṁ tarhi vyadehītyuktaḥ as bhagavān hariḥ

vyādattāvyāhataiśvaryaḥ krīḍāmanujabālakaḥ

 

“Neste caso, abra bem (a sua boca)” – dito assim – Ele, o Glorioso Hari,

abriu sem impedir sua opulência, (como) brincadeira de criança humana.

“In this case, open (your mouth) wide” – said so – He, the Glorious Hari,

opened it without impeding (his) opulence, (like) human child game.

37.

सा तत्र ददृशे विश्वं जगत् स्थास्नु च खं दिशः

साद्रिद्वीपाब्धिभूगोलं सवाय्वग्नीन्दुतारकम

sā tatra dadṛśe viśvaṁ jagat sthāsnu ca khaṁ diśaḥ

sādridvīpābdhibhūgolaṁ savāyvagnīndutārakam

 

Ela viu lá (dentro da boca) todo (o universo) móvel e imóvel, as direções,

o céu, montanha, ilha, oceano, o hemisfério terrestre, vento, fogo, lua, estrela.

She saw there (within the mouth) every movable and unmovable (universe),

the directions, sky, mountain, island, ocean, the Earth hemisphere, wind, fire, moon, star.

 

 

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Direto de Atenas.

Publicado sob a(s) categoria(s) Literature,Philosophy em 15 de October de 2009

atena

Tenho relido o diálogo Teeteto, de Platão. A edição que leio é da UFPA, com tradução do Carlos Alberto Nunes (alguém que nos deixou um legado ao traduzir os Diálogos de Platão, a Ilíada e a Odisséia), direto do grego e com texto tão fluido que é como tivesse sido escrito em português, se isso não é boa tradução, não sei o que seja. Embora haja boas traduções feitas por especialistas do filósofo grego, com notas e tudo o mais. Bom é que tenhamos diversidade para ler. Empolgado, coloco aqui um trecho do Teeteto que gosto bastante:

(Depois de Sócrates ter se comparado a uma parteira, ele explica o porquê.)

VII – Sócrates – A minha arte obstetrícia tem atribuições iguais às das parteiras, com a diferença de eu não partejar mulher, porém homens, e de acompanhar as almas, não os corpos, em seu trabalho de parto. Porém a grande superioridade da minha arte consiste na faculdade de conhecer de pronto se o que a alma dos jovens está na iminência de conceber é alguma quimera e falsidade ou fruto legítimo verdadeiro. Neste particular, sou igualzinho às parteiras: estéril em matéria de sabedoria, tendo grande fundo de verdade a censura que muitos me assacam, de só interrogar os outros, sem nunca apresentar opinião pessoal sobre nenhum assunto, por carecer, justamente, de sabedoria. E a razão é a seguinte: a divindade me incita a partejar os outros, porém me impede de conceber. Por isso mesmo, não sou sábio, não havendo um só pensamento que eu possa apresentar como tendo sido invenção de minha alma e por ela dado à luz. Porém os que tratam comigo, suposto que alguns, no começo pareçam de todo ignorantes, com a continuação de nossa convivência, quantos a divindade favorece progridem admiravelmente, tanto no seu próprio julgamento como no de estranhos. O que é fora de dúvida é que nunca aprenderam nada comigo; neles mesmos é que descobrem as coisas belas que põem no mundo, servindo, nisso tudo, eu e a divindade como parteira. E a prova é o seguinte: muitos desconhecedores desse fato e que tudo atribuem a si próprios, ou por me desprezarem ou por injunções de terceiros, afastam-se de mim cedo demais. O resultado é alguns expelirem antes do tempo, em virtude das más companhias, os germes por mim semeados, e estragarem outros, por falta da alimentação adequada, os que eu ajudara a pôr no mundo, por darem mais importância aos produtos falsos e enganosos do que aos verdadeiros, como que acabam por parecerem ignorantes aos seus próprios olhos e aos de estranhos. Foi o que aconteceu com Aristides, filho de Lisímaco, e a outros mais. Quando voltam a implorar instantemente minha companhia, com demonstrações de arrependimento, nalguns casos meu demônio familiar me proíbe reatar relações; noutros o permite, voltando estes, então, a progredir como antes. Neste ponto, os que convivem comigo se parecem com as parturientes: sofrem dores lancinantes e andam dia e noite desorientados, num trabalho muito mais penoso do que o delas. Essas dores é que minha arte sabe despertar ou acalmar. É o que se dá com todos. Todavia, Teeteto, os que não me parecem fecundos, quando eu chego à conclusão de que não necessitam de mim, com a maior boa-vontade assumo o papel de casamenteiro e, graças a Deus, sempre os tenho aproximado de quem lhes possa ser de mais utilidade. Muitos desses já encaminhei para Pródico, e outros mais varões sábios e inspirados. Se te expus tudo isso, meu caro Teeteto, com tantas minúcias, foi por suspeitar que algo em tua alma está no ponto de vir à luz, como tu mesmo desconfias. Entrega-te, pois, a mim, como a filho de uma parteira que também é parteiro, e quando eu te formular alguma questão, procura responder a ela do melhor modo possível. E se no exame de alguma coisa que disseres, depois de eu verificar que não se trata de um produto legítimo mas de algum fantasma sem consistência, que logo arrancarei e jogarei for, não te aborreças como o fazem as mulheres com seu primeiro filho. Alguns, meu caro, a tal extremo se zangaram comigo, que chegaram a morder-me por os haver livrado de um que outro pensamento extravagante. Não compreendiam que eu só fazia aquilo por bondade. Estão longe de admitir que de jeito nenhum os deuses podem querer mal aos homens e que eu, do meu lado, nada faço por malquerença, pois não me é permitido em absoluto pactuar com a mentira nem ocultar a verdade. (…)

*****

Não comentarei nada agora. E não coloquei este trecho aqui à toa.

Então, por enquanto, desfrutem a leitura.

Parabéns aos professores!

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Novos afluentes.

Publicado sob a(s) categoria(s) Literature em 09 de September de 2009

baudelaire-manet

Continuando o raciocínio do post abaixo, estou cismado com o plural de Ganges (Des Ganges…) nessa estrofe do poema Rêve Parisien; será que o bardo francês sabia ainda mais? Com esse plural aí, desconfio até que o Baudelaire sabia dos quatro afluentes do Ganges: sītā, alankanānda, cakṣu e bhadrā. Eles saem do monte meru, que fica em brahmapurī (ou, o lugar de Brahmā), em direção ao oceano de água salgada.

Uma das versões de toda essa história está no Bhāgavata Purāṇa.

*********

Só para lembrar: hoje é dia 09.09.09. O número 9 é símbolo de Deus.

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Os rios de Baudelaire.

Publicado sob a(s) categoria(s) Literature em 03 de September de 2009

baudelaire-courbet

Insouciants et taciturnes,

Des Ganges, dans le firmament,

Versaient le trésor de leurs urnes

Dans des gouffres de diamant.

(Rêve Parisien, Les Fleurs du Mal)

*****

विष्णोर्विक्रमतो  वामपादाङ्गुष्ठनख  निर्भिन्नोर्ध्वाण्डकटाहविवरेणान्तः  प्रविष्टा  या  बाह्यजलधार (…) (5.17.1)

viṣṇorvikramato  vāmapādāṅguṣṭhanakha  nirbhinnordhvāṇḍakaṭāhavivareṇāntaḥ  praviṣṭā  yā  bāhyajaladhāra (…) (Bh. Purāṇa, 5.17.1)

Um passo de Viṣṇu, de pé esquerdo, com a unha do dedão, perfurou a cobertura superior da redoma (ou, do universo), pela fissura, a reserva de água (veio) abaixo, (e) entrou.

*****

Calma, não enganei vocês quando disse que não conhecia um texto sânscrito em prosa de antes do século XIV, este aí (em prosa) é do bhāgavata purāṇa, certamente de bem antes do século descrito. Mas seu texto em prosa é uma exceção, ele “é todo poesia”, de uma sofisticação incrível, ao todo são 18.000 estrofes, a maioria dísticos, com diferentes tipos de metrificação, inclusive a não-metrificação, como aí em cima; sua divisão é feita em 12 ‘cantos’, ou skandha, com cada ‘canto’ contendo pequenos e vários capítulos, ou adhyāya (então, a numeração acima é: o ‘canto’ 5, o ‘capítulo’ 17 e a ‘estrofe’ 1).

Ainda escreverei bastante sobre o bhāgavata purāṇa, essa importante obra para quem  estuda o vedānta. E sendo assim, sempre uma excelente referência.

Mas o que tem a ver Baudelaire com isso tudo?

Já leio Les Fleurs du Mal desde que fui a França, ano passado, e estou sempre voltando aos seus poemas; fica ali na cabeceira, e aos poucos vou me embrenhando. Gosto de ler poesia procurando decorar os poemas, às vezes nem os decoro por inteiro, mas fico com um, dois ou mais versos ressoando de (em) cor. Numa dessas leituras, parei na estrofe aí do Rêve Parisien, onde o bardo, ao fazer uma suposta ‘analogia’ do Ganges com o rio Sena (poderia um ‘sonho parisiense’ passar sem a figura, no caso: mítica, de um rio?), faz uma descrição exata de parte da história desse mitológico rio indiano. Não deu outra, lá fui eu consultar os purāṇa para conferir essa história novamente; daí decidi colocar no post parte de uma das principais “não-estrofes” (é prosa!) do capítulo.

Vamos à estrofe do poeta francês:

  • Ele começa a estrofe com duas qualidades: “indiferente” e “taciturno”, por suas águas e por sua natureza. Em seguida, além do nome, escreve que sua origem não é aqui, mas no “firmamento”, isso quer dizer que suas águas vêm de cima da cobertura superior da redoma, e assim, pela fissura, “deitam o tesouro de suas urnas” (ou ‘de suas águas’), “nos abismos de diamante”, aqui poderia ser uma referência aos três universos (uma ressalva: Baudelaire usa bastante essa imagem de gouffre ao longo de seus poemas).

E agora à prosa do purāṇa:

  • Aqui temos uma das descrições da origem do Ganges na literatura sânscrita. Nas estrofes desse capítulo, a primeira coisa a ser descrita é como esta origem se deu e como o “rio” chegou até a Terra. É emblemático aqui o nome de Viṣṇu, que na verdade, nesta ocasião, estava “arquetipado” como vāmana ou trivikrama, um nome (o segundo) que significa “três passos” porque foi com três passos que Ele percorreu os três universos, furando assim, com seu dedão do pé esquerdo, o que o texto coloca como “cobertura superior da redoma” (traduzo como “universo” a expressão que logo depois será cunhada com a palavra exata: jagat). Com este furo, entra nos três universos as águas do chamado Oceano Causal, o oceano que estaria na origem da criação, que uma vez dentro, teriam sido amortecidas pelo tão conhecido semideus śiva, através de seu coque de cabelo, onde ficou reservada a água até cair sobre os três universos, um deles o nosso. Por isso, alguns acabam se referindo à sua origem de modo abençoado, por suas águas terem chegado até nós pelos pés do Senhor (creio que vocês sabem a importância da tradição de “lavar os pés” no Oriente).

E não é que o Charles Baudelaire, mesmo por volta do século XIX, nem precisou de uma novela para saber com exatidão parte da origem mitológica desse rio tão famoso…

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