Durezza nel core.

Linguistics,Philosophy -- 06 / May / 2010

coracao-na-mao

Tenho andado bem ocupado, por isso não tenho colocado nada aqui.

Mas tenho meditado numa palavra em sânscrito, que por sua vez leva-me ao verso 15 do capítulo 15 da bhagavad gītā:

A palavra é hṛdaya, ou ‘coração’. Podemos analisá-la assim:

hṛdaya > hṛd > hṛ = tirar, oferecer, suportar.

Minha meditação tem sido em cima destas três acepções da raiz (dhātu) aí acima.

Pensem nelas e em como o coração está ligado (metaforicamente) às acepções!

Toda palavra (nome) em sânscrito vem de uma raiz (dhātu), que é responsável por um dos significados (o mais profundo) da palavra em questão. No sânscrito, a filosofia da linguagem não é uma especulação mental, tipo a encontrada em Wittgenstein, não, ela vem da própria palavra, de sua raiz. É daí que extraímos o significado profundo de um objeto que a palavra (a escrita) denomina.

Já o verso (śloka) diz assim:

सर्वस्य  चाहं  हृदि  संनिविष्टो

sarvasya cāhaṁ hṛdi saṁniviṣṭo

E Eu estou adentrado no coração de todos.

É o que Kṛṣṇa diz a Arjuna numa das estrofes mais lindas da gītā.

2 respostas so far

2 respostas para “Durezza nel core.”

  1. Carlos Eduardo G. Barbosa says:

    Leonardo,

    Para colocar um tempero na tua reflexão, te digo que prefiro traduzir saMniviSTaH por “adentrado”, e não “sentado” (upaviSTaH). Isso torna mais claro o vínculo da Gita às upanishadas, onde vAsudevaH (Krishna) está no lugar de brahmA (assentado dentro da “região do coração” – hRRiddeshe).

    Abraço,
    Carlos Eduardo

  2. Leonardo says:

    Carlos,

    Ótimo tempero. Vi esta acepção no Monier, pensei também em “situado” por causa do STaH, acabei optando por “sentado” pela imagem que a palavra traz, mas você está corretíssimo.

    O Sargeant (conhece este tradutor?) traduz como “entered”, e acho excelente também.

    Mudarei, obrigado.

    Abraço.

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