Durezza nel core.

Tenho andado bem ocupado, por isso não tenho colocado nada aqui.
Mas tenho meditado numa palavra em sânscrito, que por sua vez leva-me ao verso 15 do capítulo 15 da bhagavad gītā:
A palavra é hṛdaya, ou ‘coração’. Podemos analisá-la assim:
hṛdaya > hṛd > hṛ = tirar, oferecer, suportar.
Minha meditação tem sido em cima destas três acepções da raiz (dhātu) aí acima.
Pensem nelas e em como o coração está ligado (metaforicamente) às acepções!
Toda palavra (nome) em sânscrito vem de uma raiz (dhātu), que é responsável por um dos significados (o mais profundo) da palavra em questão. No sânscrito, a filosofia da linguagem não é uma especulação mental, tipo a encontrada em Wittgenstein, não, ela vem da própria palavra, de sua raiz. É daí que extraímos o significado profundo de um objeto que a palavra (a escrita) denomina.
Já o verso (śloka) diz assim:
सर्वस्य चाहं हृदि संनिविष्टो
sarvasya cāhaṁ hṛdi saṁniviṣṭo
E Eu estou adentrado no coração de todos.
É o que Kṛṣṇa diz a Arjuna numa das estrofes mais lindas da gītā.
2 respostas so far

Leonardo,
Para colocar um tempero na tua reflexão, te digo que prefiro traduzir saMniviSTaH por “adentrado”, e não “sentado” (upaviSTaH). Isso torna mais claro o vínculo da Gita às upanishadas, onde vAsudevaH (Krishna) está no lugar de brahmA (assentado dentro da “região do coração” - hRRiddeshe).
Abraço,
Carlos Eduardo
Carlos,
Ótimo tempero. Vi esta acepção no Monier, pensei também em “situado” por causa do STaH, acabei optando por “sentado” pela imagem que a palavra traz, mas você está corretíssimo.
O Sargeant (conhece este tradutor?) traduz como “entered”, e acho excelente também.
Mudarei, obrigado.
Abraço.