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	<title>Leonardo Valverde</title>
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	<description>Língua, literatura e filosofia</description>
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		<title>Gramática, Comunicação, Propaganda &amp; Publicidade.</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Mar 2012 20:21:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Língua]]></category>
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		<category><![CDATA[Gramática]]></category>
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		<category><![CDATA[Steve Jobs]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda venho com o Steve Jobs. Já terminei de ler a biografia, e recomendo. &#160; Todos que conhecem a Apple, conhecem seu moto: “pense diferente”. &#160; Leiam aqui como ele nasceu: &#160; “Debateram a questão gramatical. Se “diferente” modificava o verbo “pense”, talvez fosse advérbio, como em “pense diferentemente”. Mas Jobs insistia em usar “diferente” [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://pjarts.files.wordpress.com/2011/10/applechange.jpg"><img class="aligncenter" src="http://pjarts.files.wordpress.com/2011/10/applechange.jpg" alt="" width="344" height="306" /></a></p>
<p>Ainda venho com o Steve Jobs. Já terminei de ler a biografia, e recomendo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Todos que conhecem a Apple, conhecem seu <em>moto</em>: “pense diferente”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Leiam aqui como ele nasceu:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“Debateram a questão gramatical. Se “diferente” modificava o verbo “pense”, talvez fosse advérbio, como em “pense diferentemente”. Mas Jobs insistia em usar “diferente” como substantivo, a exemplo de “pense vitória” ou “pense beleza”. Além disso, refletia o uso coloquial, como na frase “pense grande”. Como ele explicaria mais tarde: “Discutimos se estava correto antes de levarmos ao ar. É uma construção gramatical, quando se pensa no que queremos dizer. Não é pense <em>o mesmo</em>, é pense <em>diferente</em>. Pense um pouco diferente, pense muito diferente, pense diferente, ‘Pense <em>diferentemente</em>’, para mim, não alcançaria o sentido”. (<em>Steve Jobs</em>, W. Isaacson; Companhia das Letras)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Agora vamos à filosofia da gramática:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(Neste caso, a reflexão serve tanto para o português quanto para o inglês.)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Primeiro vamos à análise do “diferente”. Esta palavra, na verdade, é uma forma nominal do verbo “diferir”, um particípio presente latino chegado à língua portuguesa (formando palavras em  <em>ente</em>, para a 2ª conjugação; temos ainda em <em>ante</em>, 1ª, e em <em>inte</em>, 3ª) sem seu valor participial, portanto, assumindo valores de adjetivo ou substantivo. <em>Diferente</em> é adjetivo, neste caso. Mas o Jobs insistia em usá-lo (<em>different</em>) como substantivo! Pois é, ele estava certo. O que ele usou, não à toa, é chamado de <em>intercâmbio taxionômico</em>, i.e., ele pegou uma palavra de uma classe e passou para outra classe, de <em>adjetivo</em> para <em>substantivo</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E por que usar um advérbio (<em>diferentemente</em>, <em>differently</em>) não fazia sentido?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pensemos, pois. Ora, o que um advérbio faz? Modifica o verbo. E por quê? Porque este verbo não tem força suficiente de “andar” sozinho, ou melhor, de se expressar sozinho. Se Jobs colocasse “pense diferentemente”, este advérbio modificaria o verbo “pense”, tão importante para a publicidade da marca Apple, e ao mesmo tempo, o “diferente” já expressaria um valor coadjuvante. Mas Jobs queria “pense” e “diferente” em papéis principais. Seu <em>moto</em> dependia disso, sua publicidade também.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Daí observamos o quanto o conhecimento gramatical (sem gramatiquices) pode ajudar à Comunicação de uma marca.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pense nisso!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>OBS: O <em>intercâmbio taxionômico</em> de adjetivo para substantivo seria entendido pelo uso genérico da nomenclatura latina: <em>nomen</em>. Para <em>nomen substantivum</em>, <em>nomen adjectivum</em>. Ambos, portanto, são <em>nomen</em>.</p>
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		<title>Steve Jobs – uma lição de educação para o Brasil.</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Feb 2012 20:26:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Apple]]></category>
		<category><![CDATA[Steve Jobs]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Nunca fui chegado a ler biografias, mas ao pegar a biografia do Steve Jobs para ler, não consigo parar, já estou quase no fim em menos de uma semana. Não sou (ou talvez não era) um aficionado da Apple, daqueles que correm à loja para comprar o último gadget, tenho meus aparelhinhos, mas (ainda) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class=" wp-image-745 aligncenter" title="apple-think-different" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2012/02/apple-think-different.jpg" alt="" width="480" height="360" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nunca fui chegado a ler biografias, mas ao pegar a biografia do Steve Jobs para ler, não consigo parar, já estou quase no fim em menos de uma semana. Não sou (ou talvez não era) um aficionado da Apple, daqueles que correm à loja para comprar o último <em>gadget</em>, tenho meus aparelhinhos, mas (ainda) nem lhes escrevo em um Mac.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A biografia do Jobs não é só a sua história, é a história dos EUA, e até mais, do mundo da computação, da metade do século XX para cá (Jobs nasceu em 1955), e esta história é que me fascinou, contada com o colorido pessoal (e não-convencional) do pai da <em>maçã mordida</em>. Acredito que ali estão algumas lições para o Brasil de hoje.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O que me chamou a atenção na biografia foi saber sobre a educação dos EUA na época (mostrada de forma bem pessoal), e completamente perplexo constatei: já na década de 50 os EUA tinham uma educação melhor da que temos hoje no Brasil. Não falo da tecnologia, mas do sistema educacional. Lemos na biografia que as escolas eram diferentes, com os currículos variados, e, assim, tinham escolas de todo tipo. Os grupos de estudos eram os grandes acolhedores de inteligência, muitos, inclusive, tinham patrocínio de empresas e apoio de universidades. O Jobs garoto, aficionado por eletrônica, entrava tranquilamente na biblioteca de Stanford, inclusive por uma porta que sabia que estava sempre aberta; a sua ousadia e inteligência levavam-no a entrar em contato com os maiores representantes da época desta cultura tecnológica da qual ele seria o seu maior expoente. Sua educação, em suas palavras, foi uma busca pelo “artístico e interessante”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Essa busca no Brasil seria impossível, e isso não é força de expressão. Não interessa se você mora ou em Roraima ou no Rio Grande do Sul, você estudará o mesmo conteúdo, terá o mesmo currículo, e, independente de seus interesses, obrigatoriamente estudará o que o MEC (com seus burocratas) lhe impuser. E se os pais pensarem em educar seus filhos de modo diferente, talvez fora deste tipo de escola, poderão ser presos, eles poderão até perder a guarda de seus filhos. Este é o Brasil. Se assim fosse nos EUA, Steve Jobs e seus pais teriam alguns problemas – e nós também, por certo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>No Brasil não somos educados para crescer, somos educados para virarmos burocratas e funcionários públicos, somos um país de imaturos, onde um Steve Jobs – constatação ao ler sua biografia – jamais seria possível. Por aqui, somos educados em série, e a educação é idealizada por quem menos entende do assunto, responsabilizada por todos menos os pais (os maiores responsáveis pela educação de um filho). O Estado, aqui, diz para os pais: “olha, você não conhece seu filho mais do que eu, então, deixe-o comigo, que o transformarei no que eu quero, e não no que você acha que é melhor para ele”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não interessa para o MEC se você colocará seu filho numa escola pública ou privada, as escolas são as mesmas no Brasil, nada muda, e nada mesmo. E não adianta dizer que em sua escola foi diferente porque tinha “artes”, “teatro”, “eletrônica” ou coisa parecida, do currículo único, seja nas disciplinas oficiais ou nas “alternativas”, vem a mesma idéia, e quando alguma coisa muda, é porque um professor tem consciência (que aqui não é sinônimo de <em>consciência política</em>, outro problema no Brasil) para fazer um trabalho num molde diferente, que leve adiante uma educação madura – eu tive professores assim. Eu realmente gostaria de acreditar que isso está mudando, mas, sendo um realista, vejo: não está. Quando digo que o MEC é o grande responsável por reduzir a inteligência de milhões de crianças, não estou exagerando, e muito menos fazendo jogo retórico, pois é o que acontece: milhões de inteligências com o desestímulo de um sistema educacional que não prioriza o indivíduo, sua curiosidade, e ainda o coloca numa bolha de ilusões.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Educação não combina com padronização, não combina com coletivismo, e nem mesmo com políticas públicas (sempre coletivistas). Não precisa ser especialista para ver que as buscas de cada indivíduo são diferentes, até mesmo numa mesma área, e no Brasil não é comum, na educação, privilegiarmos as diferenças, algo tão característico ao nosso povo e à nossa cultura – aliás, exaltada aos quatro ventos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Steve Jobs  foi buscar sua formação, porque um gênio não nasce pronto, ele se faz.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>PS: É bom que se diga: o S. Wozniak também era outro gênio, por quem fiquei bastante impressionado.</p>
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		<title>Um 2012 excelente&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Dec 2011 16:12:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Avisos]]></category>
		<category><![CDATA[Felicitação]]></category>

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		<description><![CDATA[Prezados, Para aqueles que vêm ao site, um excelente 2012! Que ele seja iluminado com a luz do conhecimento, porque só o conhecimento salva. Quero estar mais presente em 2012 aqui no site, pois este ano foi difícil. ॐ नमो भगवते वासुदेवाय]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Prezados,</p>
<p>Para aqueles que vêm ao site, um excelente 2012!</p>
<p>Que ele seja iluminado com a luz do conhecimento, porque só o conhecimento salva.</p>
<p>Quero estar mais presente em 2012 aqui no site, pois este ano foi difícil.</p>
<h3></h3>
<p><span class="st">ॐ नमो भगवते वासुदेवाय</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Perceber as duas ações – política a partir do Bhagavad Gītā.</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Oct 2011 21:40:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Bhagavad Gita]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[reação-revolução]]></category>

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		<description><![CDATA[Política é como o homem age na cidade. E a cidade é seu cosmos. Em um período que todos vão às ruas protestar, é importante saber a natureza dessas ações. Se o Bhagavad Gītā trata (também) de ação, necessariamente trata de política. Cito aqui o śloka 18 do capítulo 4 para analisarmos a ação. Vejamos: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: center;"><a href="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/10/realidade-nao-parece.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-721" title="realidade-nao-parece" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/10/realidade-nao-parece.jpg" alt="realidade-nao-parece" width="400" height="267" /></a></h3>
<h3></h3>
<p>Política é<em> </em>como o homem<em> age </em>na cidade. E a cidade é seu <em>cosmos</em>.</p>
<h3></h3>
<p>Em um período que todos vão às ruas protestar, é importante saber a natureza dessas ações.</p>
<h3></h3>
<p>Se o <strong><em>Bhagavad Gītā</em></strong> trata (também) de <em>ação</em>, necessariamente trata de <em>política</em>.</p>
<h3></h3>
<p>Cito aqui o <strong><em>śloka </em></strong>18 do capítulo 4 para analisarmos a <em>ação</em>. Vejamos:</p>
<h3></h3>
<h4 style="text-align: center;"><strong>कर्मण्यकर्म यः पश्येत्  अकर्मणि च कर्म यः</strong></h4>
<h4 style="text-align: center;"><strong>स बुद्धिमान् मनुष्येषु  स युक्तः कृत्स्नकर्मकृत्</strong></h4>
<h3 style="text-align: center;"><strong><br />
</strong></h3>
<p align="center"><strong><em>karmaṇyakarma yaḥ paśyet  akarmaṇi ca karma yaḥ</em></strong></p>
<p align="center"><strong><em>sa buddhimān manuṣyeṣu  sa yuktaḥ kṛtsnakarmakṛt</em></strong></p>
<p align="center"><strong><em> </em></strong></p>
<p align="center">Quem percebe inação na ação e ação na inação,</p>
<p align="center">é o inteligente entre os homens, ele está conectado e executa todas as ações.</p>
<h3></h3>
<p>Um esclarecimento anterior:</p>
<h3></h3>
<p>1) O verbo <strong><em>paśyet</em></strong> (potencial, 3ª pessoa do sing. &lt; <strong><em>dṛś</em></strong>&gt; , <em>ver</em>) é central, porque aqui ele determina um <strong><em>s</em></strong><strong><em>ā</em></strong><strong><em>dh</em></strong><strong><em>a</em></strong><strong><em>na</em></strong> (uma <em>prática</em>). A importância de <em>perceber</em> nossas ações torna-se uma prática; o homem inteligente é aquele que <em>percebe </em>suas ações, e uma vez conhecida a natureza de ambas as ações (ou seja, conectado), ele executa (realmente) as ações.</p>
<h3></h3>
<p>2) Aqui a palavra <strong><em>karma</em></strong> não tem o significado de <em>lei</em> (ação-reação) diretamente, ainda que possamos deduzir essa lei a partir de uma conotação. (Outro dia explico esta <em>lei</em>.)</p>
<h3></h3>
<p>Agora, vamos lá.</p>
<h3></h3>
<p>Para facilitar o entendimento dos dois tipos de ação propostos no <strong><em>śloka</em></strong>, trago dois dos conceitos mais usados para determinar tipos de ação segundo a política moderna.</p>
<h3></h3>
<p>São eles: <em>ação reacionária</em> e <em>ação revolucionária</em>.</p>
<h3></h3>
<p>Antes esclareço a diferença (uma das possíveis):</p>
<h3></h3>
<p><em>Ação reacionária</em>:</p>
<p>É aquela que alguém adota, diante de uma <em>ação anterior </em>que o desagrade, sem impor esta sua ação aos demais.</p>
<h3></h3>
<p><em>Ação revolucionária:</em></p>
<p>É aquela que alguém adota, diante de uma <em>situação</em> que o desagrade, impondo esta sua ação aos demais.</p>
<h3></h3>
<p>OBS: Esqueçam os termos &#8220;direita&#8221; e &#8220;esquerda&#8221; para a análise que faço.</p>
<h3></h3>
<p>Mas antes, simplifico ainda mais:</p>
<h3></h3>
<p>O <em>reacionário</em> se opõe a uma fórmula certa e exata para todas as ações.</p>
<p>O <em>revolucionário</em> impõe uma fórmula (sua) certa e exata para todas as ações.</p>
<h3></h3>
<p><em> </em></p>
<p>O primeiro <em>descreve</em> uma ação passada, o segundo <em>prescreve</em> uma ação futura.</p>
<h3></h3>
<p>Agora vamos ao <strong><em>śloka</em></strong>.</p>
<h3></h3>
<p>a)<strong><em> inação na ação</em></strong>: uma ação será inação quando for movida por <em>desejo</em>, <strong><em>kāma</em></strong>, e neste caso, um desejo (determinado pela mente, uma vez a serviço do ego) leva a um modelo de futuro, que, como sabemos, é sempre incerto. Uma ação que se fundamenta em uma idéia de futuro; portanto, <em>revolucionária</em>.</p>
<h3></h3>
<p>OBS: esta ação, por levar a um modelo de futuro, reivindica a <em>igualdade</em>.</p>
<h3></h3>
<p>b) <strong><em>ação na inação</em></strong>: uma inação será uma ação quando for movida por uma <em>ausência de desejo</em>, <strong><em>niṣkāma</em></strong>, e neste caso, esta ausência o leva à análise da ação anterior, que será, por sua vez, sempre passível de análise. Uma ação que se fundamenta em uma idéia de passado; portanto, <em>reacionária</em> (de <em>reação</em> mesmo).</p>
<h3></h3>
<p>OBS: já esta, por reagir a uma ação passada, reivindica a <em>liberdade</em>.</p>
<h3></h3>
<p>A primeira ação é determinada pelo <em>ego </em>(<strong><em>ahaṅkāra</em></strong>).</p>
<p>A segunda pela <em>inteligência</em> (<strong><em>buddhi</em></strong>).</p>
<h3></h3>
<p align="center">*****</p>
<h3></h3>
<p>Coletivamente só deveríamos praticar a ação reacionária, pois sempre implica em dar consideração à ação anterior. A revolucionária já está mais afeita ao indivíduo, pois seus desejos determinarão sua própria vida sem se importar com um passado ou a imposição de um modelo (que será seu e único).</p>
<h3></h3>
<p>Portanto, quem percebe realmente as ações (o inteligente) se conecta com a natureza de cada ação, e pode executar todas elas, sabendo que ação praticar, e em que momento.</p>
<h3></h3>
<p>Agora vão <a href="http://arquivopessoa.net/textos/3030" target="_blank">aqui</a>, e leiam este excelente texto do poeta Fernando Pessoa. Que diz algo bem parecido.</p>
<h3></h3>
]]></content:encoded>
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		<title>Les français, português, saṁskṛtam.</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jul 2011 14:36:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Língua]]></category>
		<category><![CDATA[Francês]]></category>
		<category><![CDATA[língua portuguesa]]></category>
		<category><![CDATA[Sânscrito]]></category>

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		<description><![CDATA[Recentemente traduzi a carta do padre jesuíta francês Jean François Pons, considerada o primeiro documento formal que atesta a estrutura da língua sânscrita pelos europeus. É a carta direcionada ao padre jesuíta du Halde, de 1740. Antes achávamos que um primeiro documento formal dos estudos sânscritos pelos europeus teria sido o famoso discurso de William [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: center;"><a href="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/07/sanskrit-francais.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-707" title="sanskrit-francais" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/07/sanskrit-francais-294x400.jpg" alt="sanskrit-francais" width="294" height="400" /></a></h3>
<h3></h3>
<p>Recentemente traduzi a carta do padre jesuíta francês Jean François Pons, considerada o primeiro documento formal que atesta a estrutura da língua sânscrita pelos europeus. É a carta direcionada ao padre jesuíta du Halde, de 1740. Antes achávamos que um primeiro documento formal dos estudos sânscritos pelos europeus teria sido o famoso discurso de William Jones, em 1788, depois de ter escrito, em 1786, seu <em>The Sanskrit Language</em>. No entanto, recentemente foi descoberta uma gramática de sânscrito escrita em latim, chamada <strong><em>Grammaticca Linguae Sanscretanae Brachmanum Indiae Orientalis</em></strong>, de 1660, de autoria do também padre jesuíta Heinrich Roth (encontrada por Arnulf Camps, e hoje preservada na <a href="http://www.bncrm.librari.beniculturali.it/" target="_blank">Biblioteca Nazionale Centrale</a>, Roma). Ou seja, logo após a descoberta da carta de Pons, descobriram a gramática de Roth. Mas a carta de Pons menciona <strong>Pā</strong><strong>ṇ</strong><strong>ini</strong>, e a gramática de Roth, não.</p>
<h3></h3>
<p>Esta tradução estou editando para ser publicada em alguma revista especializada. Mas este trabalho me fez refletir sobre algo importante, e que &#8211; parece-me &#8211; faz com que os franceses tenham uma &#8216;consciência linguística&#8217; melhor do que a nossa. Veja lá, a carta é de 1740. E sabe qual a dificuldade que eu, um brasileiro que lê francês, tive para lê-la?</p>
<h3></h3>
<p>Modéstia à parte, nenhuma. Nem para traduzi-la.</p>
<h3></h3>
<p>Bem, se eu consigo lê-la, imagina um garoto de um <em>lycée </em>francês&#8230;</p>
<h3></h3>
<p>E veja, peguei até um romance em francês mais atual, <em>Le travail de l&#8217;huître</em>, do escritor canadense <a href="http://fr.wikipedia.org/wiki/Jean_Barbe" target="_blank">Jean Barbe</a>, e comparei-o com a carta de 1740, olhei todas as formas verbais de uma e de outro, as preposições, a sintaxe etc. Tudo igual. Quer dizer, temos a mesma sintaxe, tanto na carta de 1740, quanto no <em>roman</em> de 2008. O ponto ao qual quero chegar é o de tentar entender por que aqui no Brasil temos essa &#8220;gana&#8221; da inovação. E pior, por inovação entende-se, às vezes, reduzir a linguagem ao seu pior. Sim, porque linguagem pode não lidar com <em>certo </em>e<em> errado</em>, mas lida com <em>melhor </em>e<em> pior</em>. A linguagem é uma <strong><em>teknè</em></strong>, uma <em>arte</em>, um <em>conhecimento</em> que pode ser aprendido e ensinado.</p>
<h3></h3>
<p>E por que na França não vejo <em>inovação</em> da linguagem? Ou reduzirem-na ao seu pior?</p>
<h3></h3>
<p>Talvez porque os franceses tenham esta consciência de que a língua, sendo uma técnica, e esta técnica chegada ao seu patamar mais alto, deve ser preservada. Não como em um museu, preservada em formol, mas usada no dia a dia em sua forma mais excelsa.</p>
<h3></h3>
<p>Talvez por falta dessa consciência é que muitos aqui &#8220;empacam&#8221; ou chiam quando hoje se debruçam num texto <em>machadiano</em>, com toda aquela beleza sintática. Ou pior, quando exaltam como &#8220;língua da elite&#8221; o uso de uma língua mais cuidada, melhor construída, utilizando todos os recursos <em>técnicos</em> que sua tradição linguística pode nos dar.</p>
<h3></h3>
<p>Se não nos conscientizarmos, em bem pouco tempo, Machado não será conhecido pelos seus textos, nem Manuel pela sua poesia, e olha que nem falo de uma língua de 1740.</p>
<h3></h3>
]]></content:encoded>
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		<title>Ex machina – o gadget humano.</title>
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		<pubDate>Wed, 25 May 2011 18:33:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Sânscrito]]></category>
		<category><![CDATA[Vedanta]]></category>
		<category><![CDATA[Bhagavad Gita]]></category>
		<category><![CDATA[gadget]]></category>
		<category><![CDATA[vedanta]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje falamos da tecnologia ser uma possível extensão do homem. Reflitamos&#8230; No Bhagavad Gītā (18.61) é dito que estamos fixos numa tecnologia. Que ela é (só) parte do que somos, e por estarmos imersos em medidas, pouco nos damos conta. ईश्वरः सर्वभूतानां  हृद्देशेऽर्जुन तिष्ठति भ्रामयन् सर्वभूतानि यन्त्रारूधानि मायया īśvaraḥ sarvabhūtānāṁ hṛddeśe&#8217;rjuna tiṣṭhati bhrāmayan sarvabhūtāni  yantrārūdhāni [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/05/inteligencia.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-689" title="inteligencia" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/05/inteligencia.jpg" alt="inteligencia" width="400" height="300" /></a></p>
<p>Hoje falamos da tecnologia ser uma possível extensão do homem. Reflitamos&#8230;</p>
<p>No <em><strong>Bhagavad Gītā</strong></em> (18.61) é dito que estamos <em>fixos</em> numa tecnologia. Que ela é (só) parte do que somos, e por estarmos imersos em <em>medidas</em>, pouco nos damos conta.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>ईश्वरः सर्वभूतानां  हृद्देशेऽर्जुन तिष्ठति</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>भ्रामयन् सर्वभूतानि यन्त्रारूधानि मायया</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>īśvaraḥ sarvabhūtānāṁ hṛddeśe&#8217;rjuna tiṣṭhati</em></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>bhrāmayan sarvabhūtāni  yantrārūdhāni māyayā</em></strong></p>
<p style="text-align: center;"><em> </em></p>
<p style="text-align: center;">O Senhor situa-se no coração de todos os seres, Arjuna;</p>
<p style="text-align: center;">e movimenta os seres fixos numa máquina por medição (ilusão).</p>
<p>Vamos fazer um esquema inverso ao <em><strong>śloka</strong></em>:</p>
<p><strong><em>māyā</em> </strong>+ <strong><em>yantra </em></strong>+ <strong><em>hṛd </em></strong>&lt; <strong><em>bhūta </em></strong>&lt; <strong><em>īśvara</em></strong></p>
<p><em> </em></p>
<p>agora assim:</p>
<p><em>hardware </em>&lt; <em>app. / softwares </em>&lt; <em>Software</em></p>
<h3><em><br />
</em></h3>
<p><em> </em></p>
<p>Existem pontos filosóficos bem interessantes neste <em><strong>śloka</strong></em>, vejamos:</p>
<p>A palavra <strong><em>māyā</em></strong>, vem da raiz <strong><em>mā</em></strong>, significa &#8216;medir&#8217;, e aborda dois temas:</p>
<p>a)      como <em>medida</em> para &#8216;mundo&#8217;, físico, o &#8216;reino das medidas&#8217;;</p>
<p>b)      como <em>medida</em> para &#8216;estreito&#8217;, limitado psicologicamente, &#8216;medidas da mente&#8217;.</p>
<p>OBS: É a partir do segundo significado que acabam traduzindo por <em>ilusão</em>.</p>
<p>A palavra <strong><em>yantra</em></strong>, vem da raiz <strong><em>yam</em></strong>, significa &#8216;suportar&#8217;, &#8216;sustentar&#8217;, ou:</p>
<p>É o suporte, é a máquina, sem ela não há lugar para o <em>coração</em>, nem para o <em>ser</em>. Esta máquina é causada pelas <em>medidas</em> (elementos) materiais, e também é quem causa as <em>medidas </em>psicológicas (ilusórias), quando o <em>ser </em>identifica-se com ela.</p>
<p>Temos assim:</p>
<p><em>Software </em>(<strong><em>īśvara</em></strong>)<em> &gt; app. </em>/ <em>software </em>(<strong><em>bhūta</em></strong>)<em> &gt; hardware</em> (<strong><em>yantra</em></strong>)</p>
<p>O <em>app.</em> (alma) vai sempre depender do <em>Software</em> (Senhor) para poder <em>ser</em>, e do <em>hardware</em> (máquina) para poder <em>existir</em>.</p>
<p>Portanto, nós <em>estamos</em> numa máquina, e fazemos parte de um sistema.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Estorvo da educação é responsabilidade do MEC.</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/estorvo-da-educacao-no-pais-e-responsabilidade-do-mec/</link>
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		<pubDate>Mon, 16 May 2011 15:38:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Avisos]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[língua portuguesa]]></category>
		<category><![CDATA[MEC]]></category>

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		<description><![CDATA[Leio hoje o jornal O Globo, e em sua capa: &#8220;MEC não vai recolher livro que aceita erro de português&#8221; Numa boa, não tenho mais paciência para comentar essas coisas, é perda de tempo. Meu negócio é conhecimento, não picuinha. Ainda mais quando sei que os maiores problemas da educação no Brasil são causados pelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/05/ponto-de-interrogacao.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-673" title="ponto-de-interrogacao" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/05/ponto-de-interrogacao.jpg" alt="ponto-de-interrogacao" width="304" height="320" /></a></p>
<p>Leio hoje o jornal O Globo, e em sua capa:</p>
<h3></h3>
<h3>&#8220;MEC não vai recolher livro que aceita erro de português&#8221;</h3>
<h3></h3>
<p>Numa boa, não tenho mais paciência para comentar essas coisas, é perda de tempo.</p>
<h3></h3>
<p>Meu negócio é <em>conhecimento</em>, não picuinha.</p>
<h3></h3>
<p>Ainda mais quando sei que os maiores problemas da educação no Brasil são causados pelo MEC.</p>
<h3></h3>
<p>Minha opinião é a mesma que a do gramático Evanildo Bechara, <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/o+aluno+nao+vai+para+a+escola+para+aprender+nos+pega+o+peixe/n1596951472448.html" target="_blank">nesta </a>entrevista.</p>
<h3></h3>
]]></content:encoded>
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		<title>Ars Grammaticae &#8211; o modelo da gramática de Pāṇini.</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/o-modelo-da-gramatica-de-pa%e1%b9%87ini-sanscrito-saussure/</link>
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		<pubDate>Thu, 14 Apr 2011 20:28:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Língua]]></category>
		<category><![CDATA[Sânscrito]]></category>
		<category><![CDATA[Gramática]]></category>
		<category><![CDATA[linguística]]></category>
		<category><![CDATA[Panini]]></category>
		<category><![CDATA[Saussure]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de Pāṇini (VII a.C.), com a Aṣṭādhyāyī, vem Yāska (IX a.C.) com a Nirukta. Pāṇini já trazia em sua gramática elementos que hoje reconhecemos em F. de Saussure: tattvārtha: significado essencial; śabdārtha: significado-significante. (No caso, se trata da teoria dos signos) Sua gramática é escrita num sistema de 5 unidades: varṇa: som; akṣara: sílaba; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/04/manuscrito-sanscrito.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-658" title="manuscrito-sanscrito" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/04/manuscrito-sanscrito.jpg" alt="manuscrito-sanscrito" width="338" height="254" /></a></p>
<h3></h3>
<p>Antes de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/P%C4%81%E1%B9%87ini" target="_blank"><strong>Pāṇini </strong></a>(VII a.C.), com a <strong><em>Aṣṭādhyāyī</em></strong>, vem <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Y%C4%81ska" target="_blank"><strong>Yāska </strong></a>(IX a.C.) com a <strong><em>Nirukta</em></strong>.</p>
<h3></h3>
<p><strong>Pāṇini </strong>já trazia em sua gramática elementos que hoje reconhecemos em F. de Saussure:</p>
<h3></h3>
<p><strong><em>tattvārtha</em></strong>: significado essencial; <strong><em>śabdārtha</em></strong>: significado-significante.</p>
<h3></h3>
<p>(No caso, se trata da teoria dos <em>signos</em>)</p>
<h3></h3>
<p>Sua gramática é escrita num sistema de 5 unidades:</p>
<h3></h3>
<p><strong><em>varṇa</em></strong>: som;</p>
<p><strong><em>akṣara</em></strong>: sílaba;</p>
<p><strong><em>śabda</em></strong>: palavra;</p>
<p><strong><em>pada</em></strong>: construção morfológica;</p>
<p><strong><em>vākya</em></strong>: sentença.</p>
<h3></h3>
<p>Com 4 princípios que convertem elementos unitários em sentenças:</p>
<h3></h3>
<p>1) de seqüência e ordem;</p>
<p>2) linearidade;</p>
<p>3) controle centrípeto;</p>
<p>4) hierarquia de organização.</p>
<h3></h3>
<p>A construção morfológica é dada por três maneiras:</p>
<h3></h3>
<p>1) <strong><em>kāraka</em> </strong>(sistema de casos)</p>
<p>2) <strong><em>samānādhikaraṇa</em> </strong>(governo de equivalência)</p>
<p>3) <strong><em>anviti</em> </strong>(concordância)</p>
<h3></h3>
<p>As palavras (<strong><em>śabda</em></strong>) no sistema de <strong>Pāṇini </strong>são divididas em 4 classes:</p>
<h3></h3>
<p>1)<strong><em> nāma</em> </strong>(nomes)</p>
<p>2)<strong><em> ākhyāta</em> </strong>(verbo)</p>
<p>3) <strong><em>upasarga</em> </strong>(prefixos)</p>
<p>4)<strong><em> nipāta</em> </strong>(indeclinável)</p>
<h3></h3>
<p>Alguns exemplos (<strong><em>Aṣṭādhyāyī</em></strong>):</p>
<h3></h3>
<p>- Regra Linguística:</p>
<h3></h3>
<h4 style="text-align: center;"><strong>स्वं  रूपं  शब्दस्याशब्दसंज्ञा</strong></h4>
<h4 style="text-align: center;"><strong><em> svaṁ rūpaṁ śabdasyāśabdasaṁjñā</em></strong> (1.1.68)</h4>
<p style="text-align: center;">(Uma) palavra é significado e forma, não um termo técnico (lingüístico).</p>
<h3 style="text-align: center;"></h3>
<p>- Regra morfofonêmica:</p>
<h3></h3>
<h4 style="text-align: center;"><strong>जसः शी</strong></h4>
<h4 style="text-align: center;"><strong><em> jasaḥ  śī</em> </strong>(6.1.17)</h4>
<p style="text-align: center;">(Depois de um pronome terminado) em <strong><em>a</em></strong>, <strong><em>ī</em> </strong>(é substituído) por <strong><em>as</em></strong>.</p>
<h3 style="text-align: center;"></h3>
<p>- Regra sintática:</p>
<h3></h3>
<h4 style="text-align: center;"><strong>सपूर्वायाःप्रथमा विभाष</strong></h4>
<h4 style="text-align: center;"><strong><em> sapūrvāyāḥ prathamā vibhāṣa</em> </strong> (8.1.26)</h4>
<p style="text-align: center;">(Pronome depois) de Nominativo, a substituição é opcional.</p>
<h3 style="text-align: center;"></h3>
<p>- Regra morfológica:</p>
<h3></h3>
<h4 style="text-align: center;"><strong>धातुसम्बन्धे  प्रत्ययाः</strong></h4>
<h4 style="text-align: center;"><strong><em> dhātusambandhe pratyayāḥ</em> </strong> (3.4.1)</h4>
<p style="text-align: center;">Afixo (é empregado) em relação ao verbo.</p>
<h3 style="text-align: center;"></h3>
<p>- Regra de sandhi:</p>
<h3></h3>
<p style="text-align: center;"><strong>एचोऽयवायावः</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em> eco&#8217;yavāyāvaḥ</em> </strong>(6.1.78)</p>
<p style="text-align: center;">(As vogais) <strong><em>e</em></strong>, <strong><em>ai</em></strong>,<em> </em><strong><em>o</em></strong>,<em> </em><strong><em>au </em></strong>são substituídas por <strong><em>ay</em></strong>,<em> </em><strong><em>āy</em></strong>,<em> </em><strong><em>av</em></strong>,<em> </em><strong><em>āv</em></strong>.</p>
<h3 style="text-align: center;"></h3>
<p style="text-align: center;">******</p>
<h3 style="text-align: center;"></h3>
<p>OBS: Não esqueci das perguntas do <a href="http://www.leonardovalverde.com/ars-grammaticae-o-ensino-da-gramatica-no-brasil/" target="_blank"><em>post </em></a>anterior, mas se liguem na série &#8220;Ars Grammaticae&#8221;, uma hora eu venho aqui e respondo. Se querem ter uma boa noção dos estudos gramaticais mais recentes, leiam o excelente:</p>
<h3></h3>
<p>- <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2968760&amp;sid=02341852313410513546180532&amp;k5=100FC125&amp;uid=" target="_blank">A revolução tecnológica da gramatização</a></em>, de Sylvain Auroux.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Ars Grammaticae &#8211; o ensino da gramática no Brasil.</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/ars-grammaticae-o-ensino-da-gramatica-no-brasil/</link>
		<comments>http://www.leonardovalverde.com/ars-grammaticae-o-ensino-da-gramatica-no-brasil/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Mar 2011 19:21:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Língua]]></category>
		<category><![CDATA[Gramática]]></category>
		<category><![CDATA[língua portuguesa]]></category>

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		<description><![CDATA[Tudo no Brasil, no que diz respeito ao estudo da linguagem, de nossa língua, é feito de forma que as pessoas odeiem a gramática, ou pior, não sejam minimamente curiosas ao ponto de consultá-la. Isso vem de uma falha do ensino de língua portuguesa por aqui. E certamente do Ministério da Educação também, por insistir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/03/lingua-portuguesa.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-647" title="lingua-portuguesa" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/03/lingua-portuguesa.jpg" alt="lingua-portuguesa" width="432" height="324" /></a></p>
<p>Tudo no Brasil, no que diz respeito ao estudo da linguagem, de nossa língua, é feito de forma que as pessoas odeiem a gramática, ou pior, não sejam minimamente curiosas ao ponto de consultá-la. Isso vem de uma falha do ensino de língua portuguesa por aqui. E certamente do Ministério da Educação também, por insistir em determinar apenas uma forma de ensino do português.</p>
<p>(Foi o que o Pedro Sette tratou em seu <em><a href="http://www.pedrosette.com/2011/02/minha-enesima-vituperacao-contra-o-modo.html" target="_blank">post</a></em>, e cuja solução estou de acordo.)</p>
<p>Mas quero apontar mais claramente esta falha. Saber de onde vem.</p>
<p>Quando uma pessoa me diz que já ouviu falar de uma &#8220;oração reduzida de infinitivo&#8221; e não sabe me descrever o fenômeno, é sinal que há um problema aí. Afinal, para que seu conhecimento da língua fosse maior, bastaria ela me dizer para que serve o fenômeno e saber quando imitá-lo (sim, isso mesmo, <em>imitar</em>) em seu uso, sem precisar, inclusive, da menção da nomenclatura. Ou seja, conhecem a nomenclatura sem a identificação de seu fenômeno correspondente. Isso é basicamente o que acontece com o ensino da língua no sistema determinado pelo Ministério: ele ensina nomenclaturas gramaticais. E isso tanto no setor público, quanto no privado. É lógico que há aí a consciência do professor numa sala de aula, de tentar reverter esse quadro o máximo que pode. Mas é tarefa hercúlea, o sistema contaminado exige que o professor ensine de maneira que seus alunos &#8220;se dêem bem&#8221; nas provas. (e educação no Brasil ainda é uma mera questão de &#8220;se dar bem&#8221;).</p>
<p>Já temos aí um dado importante: o sistema educacional brasileiro parte do princípio que o estudo da gramática (no molde imposto) faz com que o aluno escreva e fale melhor.</p>
<p>Pergunto: A gramática pode fazer você falar e escrever melhor? E de onde vem esta noção?</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Minha oração natalina.</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/oracao-natalina-bhagavata-purana/</link>
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		<pubDate>Thu, 23 Dec 2010 20:07:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Avisos]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[oração]]></category>
		<category><![CDATA[Purana]]></category>

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		<description><![CDATA[Este ano retiro minha oração do Bhāgavata Purāṇa (1.8.18), um texto caro a mim, por sua magnificência poética e filosófica, um texto sobre-humano (apauruṣeya), revelado: कुन्त्युवाच नमस्ये पुरुषम् त्वाद्यम्  ईश्वरम् प्रकृतेःपरम् अलक्ष्यं सर्वभूतानाम्  अन्तर् बहिर् अवस्थितम् kuntyuvāca namasye puruṣam tvādyam  īśvaram prakṛteḥ param alakṣyaṁ sarvabhūtānām  antar bahir avasthitam Kunti disse: Reverência a Ti, Pessoa primeira, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-614" title="sanskrit2" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2010/12/sanskrit2.jpg" alt="sanskrit2" width="447" height="278" /></p>
<h3 style="text-align: center;"></h3>
<p>Este ano retiro minha oração do <strong><em>Bhāgavata</em> <em>Purāṇa</em> </strong>(1.8.18), um texto caro a mim, por sua magnificência poética e filosófica, um texto sobre-humano (<strong><em>apauruṣeya</em></strong>), revelado:</p>
<h3><strong><br />
</strong></h3>
<h4 style="text-align: center;"><strong>कुन्त्युवाच</strong></h4>
<h4 style="text-align: center;"><strong>नमस्ये पुरुषम् त्वाद्यम्  ईश्वरम् प्रकृतेःपरम्</strong></h4>
<h4 style="text-align: center;"><strong>अलक्ष्यं सर्वभूतानाम्  अन्तर् बहिर् अवस्थितम्</strong></h4>
<p style="text-align: center;"><strong><br />
</strong></p>
<p align="center"><em> </em></p>
<p align="center"><strong><em>kuntyuvāca</em></strong></p>
<p align="center"><strong><em>namasye puruṣam tvādyam  īśvaram prakṛteḥ param</em></strong></p>
<p align="center"><strong><em>alakṣyaṁ sarvabhūtānām  antar bahir avasthitam</em></strong></p>
<p><strong><em><br />
</em></strong></p>
<p><em> </em></p>
<p align="center"><em>Kunti</em> disse:</p>
<p align="center">Reverência a Ti, Pessoa primeira, o controlador além da matéria;</p>
<p align="center">invisível a todos os seres, situado dentro e fora (de tudo e todos).</p>
<h3 style="text-align: left;"></h3>
<p>Este ano não peço por nada, só agradeço. Salve!</p>
<h3></h3>
<p>Um Feliz Natal a todos!</p>
]]></content:encoded>
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