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	<title>Leonardo Valverde</title>
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	<description>Língua, literatura e filosofia</description>
	<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 20:10:39 +0000</pubDate>
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		<title>Inteligência &amp; Realidade.</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 17:29:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

		<category><![CDATA[Sânscrito]]></category>

		<category><![CDATA[Shiva Sutra]]></category>

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		<description><![CDATA[
Esta semana passei por mais uma etapa da edição do śiva sūtra.
E revisando um dos sūtra, fiquei tentado a comentá-lo, como se faz tradicionalmente.
Na terceira e última parte da obra, encontramos:
धीवशात् सत्त्वसिद्धिः
dhīvaśāt sattvasiddhiḥ
Do inteligente, a perfeição da realidade. (3.12)
dhīvaśāt (m. abl. sing. √dhī + vat &#8216;perceber&#8217;, &#8216;refletir&#8217;) - do inteligente.
sattva (n.) - existência, realidade.
siddhiḥ (f. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-558" title="inteligencia" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2010/08/inteligencia.jpg" alt="inteligencia" width="400" height="300" /></p>
<p>Esta semana passei por mais uma etapa da edição do <strong><em>śiva sūtra</em></strong>.</p>
<p>E revisando um dos <strong><em>sūtra</em></strong>, fiquei tentado a comentá-lo, como se faz tradicionalmente.</p>
<p>Na terceira e última parte da obra, encontramos:</p>
<h4 style="text-align: center;"><strong>धीवशात् सत्त्वसिद्धिः</strong></h4>
<p align="center"><strong><em>dhīvaśāt sattvasiddhiḥ</em></strong></p>
<p align="center">Do inteligente, a perfeição da realidade. (3.12)</p>
<p><strong><em>dhīvaśāt </em></strong>(m. abl. sing. √<strong><em>dhī </em></strong>+ <strong><em>vat</em> </strong>&#8216;perceber&#8217;, &#8216;refletir&#8217;) - do inteligente.</p>
<p><strong><em>sattva</em> </strong>(n.) - existência, realidade.</p>
<p><strong><em>siddhiḥ</em> </strong>(f. nom. sing. √<strong><em>sidh</em> </strong>&#8217;ser consumado, consolidado&#8217;) - consumação, perfeição.</p>
<p>1.</p>
<p>Traduzi a palavra <strong><em>siddhi </em></strong>aqui como <em>perfeição</em> porque denota um <em>objetivo consolidado</em> e estágio final de qualquer processo - isso falando de forma geral. Já especificamente, um significado bastante adotado (e verdadeiro) é <em>poder místico</em>, devido a associação àqueles que se dedicam a uma vida ascética. Mas lembrando: esses &#8216;poderes&#8217; não constituem um legado espiritual propriamente dito, pois trata-se de &#8216;poderes místicos&#8217; sobre a matéria.</p>
<p>2.</p>
<p>A palavra acima não vem sozinha, está em composição com outra palavra: <strong><em>sattva</em></strong>. E por sua formação temos o significado <em>existência</em> ou <em>realidade</em>. Temos <strong><em>sat </em></strong>+ <strong><em>tva</em></strong>; na primeira um particípio presente da raiz (<strong><em>dhātu</em></strong>) √<strong><em>as</em> </strong>(cl.2.), ou &#8217;ser, existir&#8217;, por isso <em>existente</em>, na segunda um sufixo usado para formar nomes abstratos, e por isso o significado acima. E preferi priorizar <em>realidade</em> por causa do teor filosófico da palavra sânscrita - já explico.</p>
<p>3.</p>
<p>E por último a primeira palavra do <strong><em>sūtra</em></strong>, <strong><em>dhīvat</em></strong>, cuja raiz significa <em>refletir</em>, <em>perceber</em>. E seu significado completo &#8220;aquele que possui o ato de refletir, perceber, inteligir&#8221;.</p>
<p>Explicação:</p>
<p>Como falei, optei pela palavra <em>realidade</em> para traduzir <strong><em>sattva</em></strong>, porque a <em>existência</em> em si tem três qualidades (<strong><em>guṇa</em></strong>), e dessas qualidades, a <strong><em>sattva</em> </strong>tem um efeito ascensional, ou seja, de elevação, e, portanto, de um &#8220;estágio&#8221; em que é possível entender a <em>existência</em> e suas nuances de forma mais completa. Só que o <strong><em>sūtra</em> </strong>vai ainda mais longe, ele não fala só dessa <em>realidade</em>, fala de uma <em>perfeição</em>, ou, dos <em>poderes</em> gerados a partir deste <strong><em>guṇa</em></strong>.</p>
<p>Só que (e agora o detalhe mais importante do <strong><em>sūtra</em></strong>) esta <em>perfeição</em> só é alcançada pelos inteligentes, por aqueles que <em>refletem</em>, <em>percebem</em>, e não por qualquer um. Só o inteligente é capaz de perceber a <em>perfeição da realidade</em>.</p>
<h3></h3>
<p>***</p>
<p>Com este post estréio minha participação (à convite do maestro Leandro Oliveira) no site <a href="http://www.ocidentalismo.org/" target="_blank">Ocidentalismo</a>&#8230;</p>
<p>&#8230; que espero que tenha muitos anos de vida!</p>
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		</item>
		<item>
		<title>O que uma tradução mal feita faz. (yoga vs. união – Segunda Parte)</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/traducao-yoga-vs-uniao-linguistica/</link>
		<comments>http://www.leonardovalverde.com/traducao-yoga-vs-uniao-linguistica/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 21:32:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Língua]]></category>

		<category><![CDATA[Sânscrito]]></category>

		<category><![CDATA[Yoga]]></category>

		<category><![CDATA[língua portuguesa]]></category>

		<category><![CDATA[tradução]]></category>

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		<description><![CDATA[
Minha proposta aqui é o de rever a tradução de uma palavra em sânscrito (yoga) que gerou uma idéia filosófica diferente da que deveria gerar. Não tenho pretensão que ela seja aceita ou trocada pela que é adotada hoje, mas só a de acrescentar um significado mais exato, e que transpareça sua idéia filosófica original.
O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-550 aligncenter" title="maos-dadas" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2010/07/maos-dadas.jpg" alt="maos-dadas" width="353" height="280" /></p>
<p>Minha proposta aqui é o de rever a tradução de uma palavra em sânscrito (<strong><em>yoga</em></strong>) que gerou uma idéia filosófica diferente da que deveria gerar. Não tenho pretensão que ela seja aceita ou trocada pela que é adotada hoje, mas só a de acrescentar um significado mais exato, e que transpareça sua idéia filosófica original.</p>
<p>O significado comumente dado à palavra <strong><em>yoga</em> </strong>é <em>união</em>. Não é isso?</p>
<p><strong><em>Yoga</em></strong>, para muitos, é unir.</p>
<p>Mas o que é <em>união</em>? Já pensaram nisso?</p>
<p>Num dos tratados mais antigos de etimologia (em sânscrito), o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nirukta" target="_blank"><strong><em>Nirukta</em></strong></a>, é dito que:</p>
<h4 style="text-align: center;"><strong>नामान्याख्यातजानीति</strong></h4>
<p align="center"><strong><em>nāmānyākhyātajānīti </em><em> </em></strong>(1.12)</p>
<p align="center">Os nomes derivam dos verbos.</p>
<p align="center">
<p>Então, levando esta frase em conta, mesmo para o português, vamos ao verbo.</p>
<p>União = unir. O dicionário Aurélio coloca como primeira acepção para o verbo <em>unir</em>:</p>
<p>&#8220;Tornar em um só; unificar.&#8221;</p>
<p>Já no dicionário Houaiss a primeira acepção para <em>unir </em>é:</p>
<p>&#8220;Aproximar, formando um todo.&#8221;</p>
<p>E parece-me que o significado para <em>unir </em>mais aceito é este mesmo:</p>
<p>&#8220;formar um todo, tornar um só.&#8221;</p>
<p>Mas ambos os dicionários também colocam como acepção o verbo <em>juntar</em>.</p>
<p>Se formos lá no latim, encontraremos:</p>
<p><em>Unir</em> vem de <strong><em>unire</em></strong>.</p>
<p><em>Juntar</em> vem de <em>jungir</em>, que vem de <strong><em>jungere</em></strong>.</p>
<p>O conhecido <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Julius_Pokorny" target="_blank">Julius Pokorny</a>, e seu <a href="http://www.utexas.edu/cola/centers/lrc/ielex/PokornyMaster-R.html" target="_blank"><em>Indogermanisches Etymologisches Wörterbuch</em></a>, ou Dicionário Etimológico Indo-europeu, de 1959, definiu a diferença de significado dos dois verbos, e daí deduzimos que, originalmente, <em>unir</em> e <em>juntar</em> não significam a mesma coisa. Vejam como Pokorny classifica-os a partir do indo-europeu:</p>
<ol type="1">
<li><strong>i̯eu</strong>-, <strong>i̯eu̯ə</strong>-, <strong>i̯eu-g</strong>-      &gt; jungo, jungere,      junxi, junctus - &#8216;jungir , juntar, atar junto&#8217;.</li>
<li><strong>oi-no</strong>-, <strong>oi-u̯o</strong>- &gt;  unio, unīre      - &#8216;unir, ser um&#8217;.</li>
</ol>
<p>E aqui entra minha explicação etimológico-filosófica para a palavra <strong><em>yoga</em></strong>:</p>
<p><strong><em>Yoga</em> </strong>vem da raiz <strong><em>yuj</em> </strong>(<strong><em>dhātu</em></strong>), que significa <em>jungir</em>, <em>atar</em>, <em>juntar</em>, originalmente.</p>
<p>Se traduzimos <strong><em>yoga</em> </strong>como <em>unir</em>, <em>união</em>, falamos de duas coisas que se <em>tornam uma só</em>, e, portanto, perdem sua individualidade, perdem o &#8220;princípio&#8221; que as faz serem quem são.</p>
<p>Se a traduzimos como <em>jungir</em>, <em>juntar</em>, <em>junção</em>, falamos de duas coisas que se aproximam sem perder sua individualidade, sem perder esse &#8220;princípio&#8221;.</p>
<h3>OBS:</h3>
<p>A primeira acepção em inglês do dicionário <a href="http://www.sanskrit-lexicon.uni-koeln.de/monier/" target="_blank">Monier Williams</a> para a raiz <strong><em>yuj</em> </strong>é:</p>
<p>&#8220;to yoke&#8221;.</p>
<p>E no <strong><em>Dhātupāṭhaḥ</em> </strong>(listagem das raízes verbais do sânscrito) sua única acepção é:</p>
<p>&#8220;<strong><em>yoge</em></strong>&#8220;.</p>
<p>Percebem a semelhança? A única mudança foi a da letra gutural &#8220;k&#8221; pela gutural &#8220;g&#8221;.   <em></em></p>
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		<item>
		<title>O que uma tradução mal feita faz. (yoga vs. ioga – Primeira Parte)</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/yoga-vs-ioga-linguistica/</link>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 20:04:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Língua]]></category>

		<category><![CDATA[Sânscrito]]></category>

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		<description><![CDATA[

Sempre quando começo meus cursos de sânscrito, uma das primeiras questões que os alunos pedem para eu explicar é a palavra ioga. É ioga ou yoga - perguntam.

Geralmente perguntam em relação à pronúncia. E a explicação é simples: quando esta palavra for pronunciada em sua origem sânscrita, pronuncia-se com &#8220;o&#8221; fechado, pois no sânscrito não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-534" title="yoga-devanagari" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2010/07/yoga-devanagari.jpg" alt="yoga-devanagari" width="283" height="204" /></p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Sempre quando começo meus cursos de sânscrito, uma das primeiras questões que os alunos pedem para eu explicar é a palavra <em>ioga</em>. É <em>ioga</em> ou <strong><em>yoga </em></strong>- perguntam.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Geralmente perguntam em relação à pronúncia. E a explicação é simples: quando esta palavra for pronunciada em sua origem sânscrita, pronuncia-se com &#8220;o&#8221; fechado, pois no sânscrito não existe vogal aberta (&#8221;ó&#8221; ou &#8220;é&#8221;); e quanto a grafia, grafamos com &#8220;y&#8221; quando também é sânscrito, porque na transliteração oficial usamos esta letra latina - que foi adotada pelo alfabeto latino (do alfabeto grego) a partir da conquista da Grécia (I a.C) - para grafar a letra correspondente ao seu som (fonema) no alfabeto <strong><em>devanāgari</em></strong>, adotado pelo sânscrito.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">O mesmo fenômeno que aconteceu com inúmeras palavras de outras origens que foram adotadas pela língua portuguesa, aconteceu com a palavra <em>ioga</em>. Por que não se escreve esta palavra com o &#8220;y&#8221; original da transliteração oficial se a temos no alfabeto latino?</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Questão histórica. No Brasil, a letra &#8220;y&#8221; foi abolida do Formulário Ortográfico de 1943, e restaurada só no Acordo Ortográfico de 1990, que só entrou em vigor em 2009. Todas as palavras previamente grafadas com &#8220;i&#8221; no lugar de &#8220;y&#8221; continuaram como estavam.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">E quando ela veio para o português como <em>ioga</em>, a pronúncia certa é com &#8220;o&#8221; aberto, pois há um fenômeno na língua conhecido como <em>altura vocálica</em> feita para diferenciar silabas tônicas de átonas ( <em>i - o - ga </em>), e como é uma paroxítona (terminada em &#8220;a&#8221;), não se usa o acento gráfico. Portanto, grafias esdrúxulas como &#8220;yôga&#8221; estão erradas porque nem no sânscrito há acento gráfico, nem em português coloca-se acento em paroxítona com &#8220;a&#8221; final. Assim, tanto <em>ioga</em> (com &#8220;o&#8221; aberto), quanto <strong><em>yoga</em> </strong>(com &#8220;o&#8221; fechado) estão corretas se falamos da primeira como português, e da segunda como sânscrito.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Mas o que me incomoda com a palavra <strong><em>yoga</em> </strong>não é a pronúncia &#8220;errada&#8221;, e sim o significado comumente aceito.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Já volto para explicar o porquê deste incômodo.</p>
<p style="text-align: left;">
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Para as mulheres, de Sócrates.</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/mulheres-socrates-timeu/</link>
		<comments>http://www.leonardovalverde.com/mulheres-socrates-timeu/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 19:11:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

		<category><![CDATA[Feminismo]]></category>

		<category><![CDATA[mulher]]></category>

		<category><![CDATA[Platão]]></category>

		<category><![CDATA[Sócrates]]></category>

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		<description><![CDATA[
Retirado do diálogo Timeu (18c), de Platão.
Sócrates - Observamos, ainda, acerca das mulheres, que deveriam ser formadas naturalmente da mesma liga harmônica das qualidades masculinas, e que suas ocupações precisavam ser iguais às dos homens, tanto em tempo de guerra como em qualquer outra situação.
(Tradução do grego de Carlos Alberto Nunes, ed. UFPA)
É meninas, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-522" title="silencio" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2010/07/silencio.jpg" alt="silencio" width="350" height="237" /></p>
<p>Retirado do diálogo <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Timaeus_%28dialogue%29" target="_blank"><em>Timeu </em></a>(18c), de Platão.</p>
<blockquote><p><em><strong>Sócrates </strong>-</em> Observamos, ainda, acerca das mulheres, que deveriam ser formadas naturalmente da mesma liga harmônica das qualidades masculinas, e que suas ocupações precisavam ser iguais às dos homens, tanto em tempo de guerra como em qualquer outra situação.</p></blockquote>
<p>(Tradução do grego de Carlos Alberto Nunes, ed. UFPA)</p>
<p>É meninas, o feminismo - pelo visto - não nasceu nos anos 60, nem foi pronunciado primeiramente por uma mulher, mas por aquele que é reconhecido como o maior dos filósofos ocidentais.</p>
<p>Vocês estão com tudo e não estão prosa!</p>
<h2></h2>
<p>PS: Este <em>post </em>é para voltar aos poucos, depois de quase um mês - de intenso trabalho - sem colocar nada aqui.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Brincando com relógios.</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/brincando-com-relogios-tempo-vedanta-cosmologia-vedica/</link>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 20:10:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

		<category><![CDATA[cosmologia]]></category>

		<category><![CDATA[Tempo]]></category>

		<category><![CDATA[vedanta]]></category>

		<category><![CDATA[yugas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Duvido que alguém tenha passado ileso de um único aniversário. Ou que no caminhar do dia nunca tenha se perguntado &#8220;para onde foi o meu bendito tempo?&#8221;. Quase todos que pensaram sobre a vida, pensaram sobre o tempo. Ele é invisível, não tem cheiro e sequer dá &#8220;bom dia&#8221;, está por aí, sorrateiro, taciturno, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-511  aligncenter" title="relogios" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2010/06/relogios.jpg" alt="relogios" width="400" height="300" /></p>
<p style="text-align: left;">Duvido que alguém tenha passado ileso de um único aniversário. Ou que no caminhar do dia nunca tenha se perguntado &#8220;para onde foi o meu bendito tempo?&#8221;. Quase todos que pensaram sobre a vida, pensaram sobre o tempo. Ele é invisível, não tem cheiro e sequer dá &#8220;bom dia&#8221;, está por aí, sorrateiro, taciturno, e ninguém consegue segurá-lo.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Eu já pensei sobre o <em>tempo</em>. Você também já pensou sobre ele.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Mas o que o <em><strong>vedānta </strong></em>nos diz sobre ele? Na <strong><em>bhagavad gītā</em></strong> (10.33), <strong><em>Kṛṣṇa</em></strong> diz que:</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: center;"><strong>अहम् एवाक्षयः कालो</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>aham evākṣayaḥ kālo</em></strong></p>
<p style="text-align: center;">Eu, sozinho, sou o tempo infinito.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Aqui, <strong><em>Kṛṣṇa</em></strong> não diz que ele é o <em>tempo</em> simplesmente, mas que é o<em> infinito</em> (<strong><em>ākṣaya</em></strong>).</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Quem olha desesperadamente para relógios procurando alguma forma de parar os ponteiros e ganhar mais um ou dois minutos. Quem volta e meia reclama do tempo, de sua falta, e faria de tudo para ter mais um <em>tempinho</em>. Talvez façam isso por nunca terem pensado na perspectiva abaixo:</p>
<p style="text-align: left;">
<ul style="text-align: left;" type="disc">
<li>A concepção da cosmologia vedantina.</li>
</ul>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">a)      360 anos lunares = 1 ano divino.</p>
<p style="text-align: left;">b)      As Eras (<strong><em>yuga</em></strong>):</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><strong><em>sātya</em> </strong>ou<em> </em><strong><em>kṛṭa</em> </strong>- 1.728.000</p>
<p style="text-align: left;"><strong><em>tretā</em> </strong>- 1.296.00</p>
<p style="text-align: left;"><strong><em>dvāpara</em> </strong>- 864.000</p>
<p style="text-align: left;"><strong><em>kali</em> </strong>- 432.000</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">c)      Total = 4.320.000 humanos ou 12.000 divinos.</p>
<p style="text-align: left;">d)     Este total corresponde a 1 <strong><em>mahāyuga</em> </strong>(um ciclo de 4 eras).</p>
<p style="text-align: left;">e)      1000 <strong><em>mahāyuga</em> </strong>= 1 dia de <strong><em>Brahmā</em></strong> (<strong><em>kalpa</em></strong>).</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Nós estamos agora na <strong><em>kali</em> <em>yuga</em></strong>, que começou exatamente (cálculos astrológicos) no ano 3102 A.C.; sabe-se que no dia 13 de abril de 1917, esta era já tinha tido seus 5018 anos do total de 432.000.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Colocando nossa imaginação para funcionar, nossos 100 anos de vida (quando lá) não são nada mais que uma <em>piscada de olho</em> de <strong><em>Brahmā</em></strong>. Imaginem isso!</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">&#8220;Vivemos pouco&#8221;, vocês devem pensar. Numa perspectiva material, sim, vivemos.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Mas a <em>eternidade</em> é o tempo da alma.</p>
<p style="text-align: center;"><em> </em></p>
<p style="text-align: center;">
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Les liaisons dangereuses.</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/les-liaisons-dangereuses-descartes-veda-bhagavadgita/</link>
		<comments>http://www.leonardovalverde.com/les-liaisons-dangereuses-descartes-veda-bhagavadgita/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 31 May 2010 15:58:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

		<category><![CDATA[Bhagavad Gita]]></category>

		<category><![CDATA[Descartes]]></category>

		<category><![CDATA[Francês]]></category>

		<category><![CDATA[metafísica]]></category>

		<category><![CDATA[Sânscrito]]></category>

		<category><![CDATA[Vedas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Este semestre estou cursando uma matéria de filosofia moderna na UFF (não que eu me atraia pela filosofia desta época, mas é uma daquelas obrigatórias a ser cursada), e lendo pela primeira vez as Meditações Metafísicas, do Descartes. Nada muito interessante, ou que me fizesse pular da cadeira com uma descoberta. Parece-me que o français [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-500" title="descartes-metitatione" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2010/05/descartes-metitatione.jpg" alt="descartes-metitatione" width="272" height="400" /></p>
<p>Este semestre estou cursando uma matéria de filosofia moderna na <a href="http://www.uff.br/" target="_blank">UFF</a> (não que eu me atraia pela filosofia desta época, mas é uma daquelas obrigatórias a ser cursada), e lendo pela primeira vez as <em>Meditações Metafísicas</em>, do Descartes. Nada muito interessante, ou que me fizesse pular da cadeira com uma descoberta. Parece-me que o <em>français</em> dá volta e mais voltas sem chegar a lugar algum, todo o tema da <em>dúvida</em>, por exemplo, pode bem ser encontrado no <strong><em>darśana</em><em> </em><em>nyāya</em> </strong>sem aquele psicologismo todo, e, portanto, sem ego.</p>
<p>Mas duas coisas intrigaram-me ao pesquisar o filósofo francês, dois de seus <em>insights</em>. O primeiro não se encontra nas <em>Meditações</em>, mas em sua obra <em>Princípios da Filosofia</em> (em sua Carta-Prefácio); trata-se de sua famosa <em>metáfora da árvore</em>. O que me intrigou é que ela pode ser encontrada (bem parecida) na <em><strong>bhagavad</strong><strong> gītā</strong></em>, na estrofe 1 do capítulo 15.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>ऊर्ध्वमूलम्  अधशाखम् अश्वत्थं प्राहुर् अव्ययम</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>छन्दांसि यस्य पर्णानि  यस् तं वेद स वेदवित्</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>ūrdhvamūlam adhaśākham</em><em> </em><em>aśvatthaṁ prāhur avyayam</em></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>chandāṁsi yasya parṇāni</em><em> </em><em>yas taṁ veda sa vedavit</em></strong></p>
<p align="center"><em> </em></p>
<p align="center">Eles dizem da eterna <strong><em>aśvattha</em></strong>, (com sua) raiz para cima e seu ramo para baixo,</p>
<p align="center">cujas folhas (são) os hinos (védicos), (que) quem a conhece, é conhecedor do Veda.</p>
<p style="text-align: left;">(OBS: A árvore  <strong><em>aśvattha </em></strong>é da família das figueiras, em português significa &#8220;lugar de cavalo&#8221;, isso por conta de suas folhas fazerem boa sombra e servir de descanço para os animais, é tida como sagrada, inclusive por causa da <strong><em>gītā</em></strong>,<strong> </strong>e aqui no Rio de Janeiro é possível encontrá-la em alguns lugares, como ao redor da praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, ou beirando o canal do Leblon.)</p>
<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ren%C3%A9_Descartes" target="_blank">René Descartes</a> (<em>Princípios da Filosofia</em>):</p>
<p><em>&#8220;Ainsi toute la philosophie est comme un arbre, dont les racines sont la métaphysique, le tronc est la physique et les branches qui sortent de ce tronc sont toutes les autres sciences qui se réduisent à trois principales, à savoir la médecine, la mécanique et la morale (&#8230;).&#8221;</em></p>
<p>As raízes estão para cima, porque é <em>de cima</em> (de um plano metafísico, portanto, falamos de um conhecimento <em>metafísico</em>) que o ramo (o conhecimento <em>físico</em>, deste mundo) tem sua nutrição (sua base), e lá, na <strong><em>gītā</em></strong>, as folhas são os hinos védicos, ou seja, os diversos tipos de conhecimento; sendo que a <strong><em>gītā</em> </strong>vai além, ao dizer que &#8220;quem a conhece&#8221; é um &#8220;conhecedor do Veda&#8221; (que pode ser usado aqui genericamente como &#8220;conhecimento&#8221;).</p>
<p>É uma metáfora importante que vem nos dar um símbolo para a idéia de conhecimento, e de como ele se dá neste mundo, qual sua fonte, onde se nutre.</p>
<p>Já o segundo <em>insight</em> é da obra <em>Meditações</em>, está relacionado às <em>falsas ilusões</em>, e se parece bastante com um adágio do <strong><em>śaṅkara</em></strong>:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>ब्रह्म सत्यम् जगन् मिथ्या  जीवो ब्रह्मैव नापरः</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>brahma satyam jagan mithyā  jīvo brahmaiva nāparaḥ </em></strong></p>
<p align="center">O Absoluto (é) verdadeiro, o mundo (é) falso; a alma e o Absoluto não (são) opostos.</p>
<p align="center">
<p>O filósofo francês nos diz que:</p>
<p><em>&#8220;Je penserai que le ciel, l&#8217;air, la terre, les couleurs, les figures, les sons et toutes les choses extérieures que nous voyons, ne sont que des illusions et tromperies, (&#8230;)&#8221;</em></p>
<p>&#8220;Pensarei que o céu, o ar, a terra, as cores, as figuras, os sons e todas as coisas exteriores que vemos não passam de ilusões e enganos, (&#8230;)&#8221;</p>
<p>(<em>Meditação Primeira</em> [12], trad. Maria Ermantina Galvão, ed. Martins Fontes)</p>
<p>Não que eu concorde com o<em> <strong>jaganmithyā</strong></em><strong><em> </em></strong>(o mundo é falso), mas é um ponto de vista de <strong><em>śaṅkara</em></strong>, e, portanto, comum à tradição vedantina.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Durezza nel core.</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/durezza-nel-core-coracao-em-sanscrito/</link>
		<comments>http://www.leonardovalverde.com/durezza-nel-core-coracao-em-sanscrito/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 06 May 2010 23:04:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

		<category><![CDATA[Língua]]></category>

		<category><![CDATA[filosofia da linguagem]]></category>

		<category><![CDATA[Sânscrito]]></category>

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		<description><![CDATA[
Tenho andado bem ocupado, por isso não tenho colocado nada aqui.

Mas tenho meditado numa palavra em sânscrito, que por sua vez leva-me ao verso 15 do capítulo 15 da bhagavad gītā:

A palavra é hṛdaya, ou &#8216;coração&#8217;. Podemos analisá-la assim:

hṛdaya &#62; hṛd &#62; hṛ = tirar, oferecer, suportar.

Minha meditação tem sido em cima destas três acepções [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-484  aligncenter" title="coracao-na-mao" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2010/05/coracao-na-mao.jpg" alt="coracao-na-mao" width="320" height="350" /></p>
<p style="text-align: left;">Tenho andado bem ocupado, por isso não tenho colocado nada aqui.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Mas tenho meditado numa palavra em sânscrito, que por sua vez leva-me ao verso 15 do capítulo 15 da <strong><em>bhagavad gītā</em></strong>:</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">A palavra é <strong><em>hṛdaya</em></strong>, ou &#8216;coração&#8217;. Podemos analisá-la assim:</p>
<p style="text-align: left;">
<h4 style="text-align: left;"><strong><em>hṛdaya</em> </strong>&gt; <strong><em>hṛd</em> </strong>&gt; <strong><em>hṛ</em> </strong>= tirar, oferecer, suportar.</h4>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Minha meditação tem sido em cima destas três acepções da raiz (<strong><em>dhātu</em></strong>) aí acima.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Pensem nelas e em como o coração está ligado (metaforicamente) às acepções!</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Toda palavra (nome) em sânscrito vem de uma raiz (<strong><em>dhātu</em></strong>), que é responsável por um dos significados (o mais profundo) da palavra em questão. No sânscrito, a <em>filosofia da linguagem</em> não é uma especulação mental, tipo a encontrada em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ludwig_Wittgenstein" target="_blank">Wittgenstein</a>, não, ela vem da própria palavra, de sua raiz. É daí que extraímos o significado profundo de um <em>objeto</em><em> </em>que a palavra (a escrita) denomina.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Já o verso (<strong><em>śloka</em></strong>) diz assim:</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">
<h4 style="text-align: center;"><strong>सर्वस्य  चाहं  हृदि  संनिविष्टो</strong></h4>
<h4 style="text-align: center;"><strong><em>sarvasya cāhaṁ hṛdi saṁniviṣṭo</em></strong></h4>
<p style="text-align: center;">E Eu estou adentrado no coração de todos.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">É o que <strong><em>Kṛṣṇa</em> </strong>diz a <strong><em>Arjuna</em> </strong>numa das estrofes mais lindas da <strong><em>gītā</em>.</strong></p>
<p style="text-align: left;">
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A origem em xeque? (ou vedānta pelos poros&#8230;)</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/tradicao-vedanta-vyasa-vedas/</link>
		<comments>http://www.leonardovalverde.com/tradicao-vedanta-vyasa-vedas/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 21 Apr 2010 20:42:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

		<category><![CDATA[Vedanta]]></category>

		<category><![CDATA[Bhagavad Gita]]></category>

		<category><![CDATA[Upanishad]]></category>

		<category><![CDATA[vedanta]]></category>

		<category><![CDATA[Vedas]]></category>

		<category><![CDATA[védico]]></category>

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		<description><![CDATA[

A tradição vedantina também é conhecida por uttara mīmāṃsā (última investigação), a parte mais filosófica dos Vedas. Isso quer dizer que antes do vedānta ser uma escola de filosofia ou &#8220;ponto de vista filosófico&#8221; (darśana), já existia como noção de fim do Veda, relacionado diretamente com a parte chamada upaniṣad.
Cada Veda é composto por 4 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-474" title="xadrez-foto" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2010/04/xadrez-foto.jpg" alt="xadrez-foto" width="295" height="367" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p>A tradição vedantina também é conhecida por <strong><em>uttara</em> <em>mīmāṃsā </em></strong>(última investigação), a parte mais filosófica dos Vedas. Isso quer dizer que antes do <strong><em>vedānta </em></strong>ser uma escola de filosofia ou &#8220;ponto de vista filosófico&#8221; (<strong><em>darśana</em></strong>), já existia como noção de <em>fim do Veda</em>, relacionado diretamente com a parte chamada <strong><em>upaniṣad</em></strong>.</p>
<p>Cada <strong><em>Veda</em></strong> é composto por 4 tomos: <strong><em>mantra</em> </strong><em>/ </em><strong><em>brāhmaṇa</em> </strong><em>/ </em><strong><em>āraṇyaka</em></strong><em><strong> </strong>/ </em><strong><em>upaniṣad</em></strong>.</p>
<ul type="disc">
<li><strong><em>mantra</em> </strong>(ou <strong><em>saṁhitā</em></strong>) - orações,      fórmulas e hinos para serem recitados em ritos;</li>
</ul>
<ul type="disc">
<li><strong><em>brāhmaṇa</em> </strong>- tratados para explicar      como esses ritos deveriam ser executados;</li>
</ul>
<ul type="disc">
<li><strong><em>āraṇyaka</em></strong>- interpretação      filosófica e alegoria para os ritos e meditações;</li>
</ul>
<ul type="disc">
<li><strong><em>upaniṣad </em></strong>- parte filosófica para      explicitar o que está implícito no <strong><em>mantra</em></strong>.</li>
</ul>
<p>Os dois primeiros tomos são chamados de <strong><em>karmakāṇḍa </em></strong>(parte ligada aos trabalhos e às questões mais práticas da vida), os outros dois são chamados de <strong><em>jñānakāṇḍa </em></strong>(parte dos &#8216;conhecimentos filosóficos e metafísicos&#8217;).</p>
<p>Os Vedas foram compilados (ou editados) por <strong><em>Vyāsadeva</em> </strong>(<strong><em>Kṛṣṇa</em> <em>Dvaipāyana</em> <em>Vyāsa</em></strong>), o autor das obras <strong><em>mahābhārata </em></strong>e <em><strong>bhāgavata</strong><strong> purā</strong></em><strong><em>ṇ</em><em>a</em></strong>.</p>
<p align="center">*****</p>
<p align="center">
<p>O <strong><em>vedānta </em></strong>referido como <em>fim do Veda </em>está inteiramente ligado às <strong><em>upaniṣad</em></strong>, o último tomo e o mais filosófico deles (lembrando que cada um dos Vedas tem os quatro tomos e uma variação de assuntos de um para outro). Então sabemos que a origem do <strong><em>vedānta </em></strong>é o Veda, mais especificamente sua parte filosófica.</p>
<p>Mas a tradição como uma escola de filosofia (<strong><em>darśana</em></strong>) origina-se só depois de todas as outras escolas, nove no total, três heterodoxas (<strong><em>nāstika</em></strong>)<em> </em>e<em> </em>seis ortodoxas (<strong><em>āstika</em></strong>). Estas são chamadas assim por aceitarem os Vedas como parte integrante de sua tradição. Já as outras não aceitam o conhecimento védico, por exemplo, a escola <strong><em>bauddha</em> </strong>(budismo). Podemos ter esta avaliação através da obra <em><strong>vedānta sūtra</strong></em>, que de certa forma procura refutar as idéias de todas as anteriores e colocar o <strong><em>vedānta </em></strong>como a filosofia superior a elas. E daí surge a dúvida sobre a questão da autoria e fundação da escola, que gira em torno do <em><strong>vedānta sūtra</strong></em>, e de seu autor, <strong><em>Badarayaṇa</em></strong>.</p>
<p>Alguns dizem que o autor desta obra é o mesmo autor que compilou os Vedas, escreveu o <strong><em>mahābhārata </em></strong>e o <em><strong>bhāgavata</strong><strong> purā</strong></em><strong><em>ṇ</em><em>a</em></strong>. Mas quando colocamos em termo histórico e tentamos datar estas obras com o <em><strong>vedānta sūtra</strong></em>, não encontramos relação nenhuma.</p>
<p>Historiadores indianos têm opiniões diferentes, uns mais afeitos à visão ocidental, e uns outros mais à oriental, e portanto, à visão dos próprios textos tradicionais. Os ocidentais, ávidos por colocarem tudo em termo histórico, passam direto por um aspecto importante da tradição vedantina (e mesmo das outras seis ortodoxas): a referência dessas escrituras (<strong><em>śāstra</em></strong>) como um <em>meio válido de conhecimento </em>(<strong><em>pramāṇa</em></strong>), ou <em><strong>śabda pramāṇa</strong></em> (um pouco mais <a href="http://www.leonardovalverde.com/intuicao-mulher-filosofia-vedanta/" target="_blank">aqui</a>). Ou seja, só a <em>especulação mental</em> e a datação histórica não valem.</p>
<p>A tradição <strong><em>vedānta </em></strong>tem como seus textos principais:</p>
<ul type="disc">
<li><strong><em>upaniṣad</em> </strong>-      parte ligada à revelação, ao que foi ouvido (<strong><em>śruti</em></strong>);</li>
</ul>
<ul type="disc">
<li><strong><em>bhagavad</em></strong><strong><em> </em></strong><strong><em>gītā</em> </strong>- parte ligada à lembrança (<strong><em>smṛti</em></strong>);</li>
</ul>
<ul type="disc">
<li><em><strong>vedānta sūtra </strong></em>-      parte ligada à discriminação racional (<strong><em>nyāya</em></strong>).</li>
</ul>
<p>Juntos são conhecidos como <em><strong>prasthāna traya</strong></em><strong> </strong>(ou os &#8216;três cânones&#8217;).</p>
<p>O <strong><em>Vyāsa</em> </strong>dos Vedas (<strong><em>upaniṣad</em></strong>) seria o mesmo <strong><em>Badarayaṇa</em> </strong>do <em><strong>vedānta sūtra</strong></em>?</p>
<p>Provavelmente não a mesma pessoa. O <strong><em>Kṛṣṇa</em> <em>Dvaipāyana</em> </strong><em><strong>Vyāsa</strong> </em>viveu no fim da era (<strong><em>yuga</em></strong>) <strong><em>dvāpara</em></strong>, a última antes da <em><strong>kali yuga</strong></em>, a nossa era, que teria começado, segundo cálculos encontrados nos <strong><em>purā</em><em>ṇ</em><em>a</em></strong>, em 3102 A.C. Já o <strong><em>Badarayaṇa</em> </strong>viveu em nossa era, a sua obra <em><strong>vedānta sūtra </strong></em>refere-se e refuta muitas filosofias posteriores aos Vedas, com isso, ele não poderia ser colocado históricamente antes do século 10 A.C.</p>
<p>Isso muda alguma coisa em relação à origem da tradição? E sobre o comentário original do qual falei <a href="http://www.leonardovalverde.com/vedanta-bhagavata-purana-vyasa/" target="_blank">aqui</a>? Se o <strong><em>Badarayaṇa</em> </strong>foi o escritor do <em><strong>vedānta sūtra</strong></em>, uma obra como o <em><strong>bhāgavata</strong><strong> purā</strong></em><strong><em>ṇ</em><em>a</em><em> </em></strong>poderia ser de autoria do <strong><em>Vyāsa</em></strong>?</p>
<p>A resposta está no que a tradição chama de <em><strong>śabda pramāṇa</strong></em>, a evidência dos textos ou a intuição a partir desses textos.</p>
<p>OBS: Depois virei com estas evidências escriturais. Ok?</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O comentário original. (ou vedānta na veia&#8230;)</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/vedanta-bhagavata-purana-vyasa/</link>
		<comments>http://www.leonardovalverde.com/vedanta-bhagavata-purana-vyasa/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2010 12:37:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

		<category><![CDATA[Vedanta]]></category>

		<category><![CDATA[Purana]]></category>

		<category><![CDATA[Upanishad]]></category>

		<category><![CDATA[vedanta]]></category>

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		<description><![CDATA[
Tenho afirmado que no Brasil o vedānta ainda é muito (e somente) visto através dos seus comentadores e mestres corolários, quero dizer, somos bem pouco afeitos ao seu estudo direto, àquele espírito determinado (jijñāsā) no começo mesmo do vedānta sūtra.
Mais ainda: a noção de que estes comentários feitos pelos mestres originais da linha e abordagem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-466" title="bhagavata-manuscrito" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2010/04/bhagavata-manuscrito.jpg" alt="bhagavata-manuscrito" width="400" height="207" /></p>
<p>Tenho afirmado que no Brasil o <strong><em>vedānta</em> </strong>ainda é muito (e somente) visto através dos seus comentadores e mestres corolários, quero dizer, somos bem pouco afeitos ao seu estudo direto, àquele espírito determinado (<strong><em>jijñāsā</em></strong>) no começo mesmo do <strong><em>vedānta</em> <em>sūtra</em></strong>.</p>
<p>Mais ainda: a noção de que estes comentários feitos pelos mestres originais da linha e abordagem referentes se bastam separadamente. Alguns estudam apenas uma linha filosófica, uma abordagem, e lidam com ela como se o <strong><em>vedānta</em> </strong>se bastasse nessa linha ou abordagem. É um erro. E um erro grave. Uma imaturidade de estudo, digamos. Aquele que estuda todos os comentários, um a um, vê que eles se completam, vê que todas <a href="http://www.leonardovalverde.com/vedanta-gita-alma-filosofia/" target="_blank">as visões</a> colocadas por cada um destes mestres não se bastam separadamente, nem determinam o que nós (não) conhecemos por <strong><em>vedānta</em></strong>.</p>
<p>E tem mais, se seguirmos a atitude do último grande mestre da tradição, o formulador da última doutrina,<em> </em><a href="http://www.stephen-knapp.com/sri_caitanya_mahaprabhu.htm" target="_blank"><strong><em>Caitanya</em> </strong></a>(1486-1534) e sua <strong><em>acintyabhedābheda</em></strong>; o certo seria analisar e estudar o<em> comentário original</em> do <strong><em>vedānta</em> <em>sūtra</em></strong>: o <strong><em>bhāgavata</em><em> </em><em>purāṇa</em></strong>.</p>
<p>Onde a primeira de suas 18.000 estrofes começa do mesmo modo que a obra da qual é um comentário. E isso já é indício de que falamos de duas obras complementares:</p>
<p>No <strong><em>vedānta</em> <em>sūtra</em> </strong>1.1.2, para começar a definir quem é o Absoluto, encontramos:</p>
<p align="center"><strong>जन्माद्यस्य  यतः</strong></p>
<p align="center"><strong><em>janmādyasya  yataḥ</em></strong></p>
<p align="center">O nascimento etc. deste (mundo) (vem) Dele.</p>
<p>E no <strong><em>bhāgavata</em><em> </em><em>purāṇa</em> </strong>encontramos este <strong><em>sūtra</em> </strong>acima como o começo (1.1.1), para chegar lá no fim da obra e obtermos, de fato, a confirmação de ser um comentário:</p>
<p>No <strong><em>skandha</em> </strong>12, <strong><em>adhyāya</em> </strong>13, <strong><em>śloka</em> </strong>15, diz o seguinte:</p>
<p align="center"><strong>सर्ववेदान्त सारं हि श्री भागवतम् इष्यते</strong></p>
<p align="center"><strong><em>sarvavedānta sāraṁ hi śrī bhāgavatam iṣyate</em></strong></p>
<p align="center">O esplendoroso <strong><em>bhāgavata</em><em> </em></strong>é anunciado (como) a essência de todo o <strong><em>vedānta</em></strong>, de fato.</p>
<p align="center">
<p>Mais recentemente, no século XX, e ainda vivo, um mestre e intelectual <strong><em>vaiṣṇava</em> </strong>de grande competência, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=SsYhTNQDvQE" target="_blank">Haridas Shastri Maharaj</a>, fez um trabalho até então inédito: o estudo das duas obras e sua relação filosófica, provando assim que o <strong><em>bhāgavata</em><em> </em><em>purāṇa</em> </strong>é de fato<em> a essência do</em> <strong><em>vedānta</em> <em>sūtra</em></strong>.</p>
<p>Eu tive a oportunidade de estudar este trabalho e ver por mim mesmo sua profundidade.</p>
<p>O mais interessante é que o <strong><em>vedānta</em> <em>sūtra</em> </strong>sendo uma obra mais &#8220;seca&#8221;, só com aforismos filosóficos, faz com que o <strong><em>bhāgavata</em><em> </em><em>purāṇa</em> </strong>acabe completando-o bem, suas histórias e símbolos tornam a filosofia <strong><em>vedānta</em> </strong>mais palatável; algo já encontrado em outros textos adotados pela tradição, as <strong><em>upaniṣad</em></strong>, o famoso <em><strong>bhagavad gītā</strong></em><strong> </strong>e alguns comentários (<strong><em>bhāṣya</em></strong>) dos mestres originais.</p>
<p>OBS: É importante saber que além dos comentários dos mestres de cada linha filosófica, alguns fantásticos, há um comentário original idependente dessas linhas e seus mestres.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.leonardovalverde.com/vedanta-bhagavata-purana-vyasa/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Língua culta, politicamente incorreta.</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/lingua-culta-politicamente-incorreta-gramatica-portugues/</link>
		<comments>http://www.leonardovalverde.com/lingua-culta-politicamente-incorreta-gramatica-portugues/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 20:16:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Educação]]></category>

		<category><![CDATA[Língua]]></category>

		<category><![CDATA[língua portuguesa]]></category>

		<category><![CDATA[linguística]]></category>

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		<description><![CDATA[
Leio o Segundo Caderno d&#8217;O GLOBO de hoje e me deparo com a matéria sobre uma Exposição em SP que &#8220;retrata a língua corrente e sua relação com a gramática&#8221;. Mais uma vez colocaram a língua culta em xeque. O curador da exposição, Eduardo Bucci, doutor em Lingüística pela USP, é mais um daqueles que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-442" title="surdo-palavras" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2010/03/surdo-palavras.jpg" alt="surdo-palavras" width="420" height="315" /></p>
<p style="text-align: left;">Leio o Segundo Caderno d&#8217;O GLOBO de hoje e me deparo com a matéria sobre uma <a href="http://www.poiesis.org.br/mlp/expo/menas/index.html" target="_blank">Exposição </a>em SP que &#8220;retrata a língua corrente e sua relação com a gramática&#8221;. Mais uma vez colocaram a língua culta em xeque. O curador da exposição, Eduardo Bucci, doutor em Lingüística pela USP, é mais um daqueles que afirmam a inexistência de uma forma correta e outra incorreta da língua, que essa coisa de &#8220;língua correta&#8221; não passa de um estigma criado por gramáticos, e &#8220;tudo é uma questão de saber em que situação usar uma e outra forma&#8221;. Santa ignorância!</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Os que acompanham este site, sabem que condeno a forma como a gramática hoje vem sendo ensinada. A prioridade da nomenclatura em detrimento do entendimento. Os alunos saem das escolas sabendo listar uma gama desses nomes gramaticais, mas quase sempre sem saber usá-los corretamente. O ensino da chamada <em>gramática geral</em> já foi há tempos perdida, e muita coisa das raízes latina e grega já não é mais identificável por nossos estudantes.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">O empobrecimento da língua está em curso, e esses doutores são os precursores de uma onda que vem invadindo a praia faz tempo. Todo esse movimento &#8220;coitadinho&#8221; para um consenso da língua inculta e errada, não é nada mais que uma forma do <em>politicamente correto</em> na abordagem da língua. É assim: um sujeito fala <em>probrema</em> e <em>menas</em> e todo mundo bate palma, os doutores vêm logo defender a &#8220;causa justa de um mal falar&#8221;  porque em suas visões é como se esses <em>senhoritos</em> estivessem negando anos de <em>colonialismo gramatical. </em>Quanta autenticidade!</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Sem entrar em questões teóricas, por que os doutores não ensinam a forma correta para esses &#8220;coitadinhos&#8221;? Por que quando escrevem seus livros teóricos abordando o quanto a língua deve ser &#8220;livre&#8221; e sem ordem, que o <em>povo </em>deve falar como quer, eles não escrevem como o <em>povo</em> fala ou escreve?</p>
<p style="text-align: left;">É mais fácil ser policamente correto em relação à língua. Para quê consultar a gramática? Continue acreditando que o dicionário é o <em>pai dos burros</em>. Se um dia todos falarem errado, não existirá mais erro. Mas ficaremos mal fadados à linguagem do cotidiano, e só. Sem falar na incompreensão alheia e no aumento de <em>castas </em>lingüísticas. Assim como a perda de um significado mais profundo das palavras e tudo o que se escreve com elas.</p>
<p style="text-align: left;">Vejam bem, não é o fato de negar o quanto a língua é viva, mas sim de resguardar suas formas mais nobres e significativas. E torná-la compreensível por todos em sua estatura mais alta.</p>
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<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Portanto, leitores, também em matéria de língua e lingüística, estou cada vez mais <em>politicamente incorreto</em>.</p>
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<h3 style="text-align: left;">Update - com atraso.</h3>
<p>PS: O Pedro Sette-Câmara escreveu um belo post sobre assunto parecido <a href="http://www.pedrosette.com/2010/03/portugues-culto-idioma-esoterico.html" target="_blank">aqui</a>.</p>
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			<wfw:commentRss>http://www.leonardovalverde.com/lingua-culta-politicamente-incorreta-gramatica-portugues/feed/</wfw:commentRss>
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