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	<title>Leonardo Valverde</title>
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	<description>Língua, literatura e filosofia</description>
	<lastBuildDate>Fri, 30 Dec 2011 16:12:00 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
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		<title>Um 2012 excelente&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Dec 2011 16:12:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Avisos]]></category>
		<category><![CDATA[Felicitação]]></category>

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		<description><![CDATA[Prezados, Para aqueles que vêm ao site, um excelente 2012! Que ele seja iluminado com a luz do conhecimento, porque só o conhecimento salva. Quero estar mais presente em 2012 aqui no site, pois este ano foi difícil. ॐ नमो भगवते वासुदेवाय]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Prezados,</p>
<p>Para aqueles que vêm ao site, um excelente 2012!</p>
<p>Que ele seja iluminado com a luz do conhecimento, porque só o conhecimento salva.</p>
<p>Quero estar mais presente em 2012 aqui no site, pois este ano foi difícil.</p>
<h3></h3>
<p><span class="st">ॐ नमो भगवते वासुदेवाय</span></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Perceber as duas ações – política a partir do Bhagavad Gītā.</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/duas-acoes-%e2%80%93-politica-bhagavad-gita/</link>
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		<pubDate>Thu, 20 Oct 2011 21:40:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Bhagavad Gita]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[reação-revolução]]></category>

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		<description><![CDATA[Política é como o homem age na cidade. E a cidade é seu cosmos. Em um período que todos vão às ruas protestar, é importante saber a natureza dessas ações. Se o Bhagavad Gītā trata (também) de ação, necessariamente trata de política. Cito aqui o śloka 18 do capítulo 4 para analisarmos a ação. Vejamos: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: center;"><a href="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/10/realidade-nao-parece.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-721" title="realidade-nao-parece" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/10/realidade-nao-parece.jpg" alt="realidade-nao-parece" width="400" height="267" /></a></h3>
<h3></h3>
<p>Política é<em> </em>como o homem<em> age </em>na cidade. E a cidade é seu <em>cosmos</em>.</p>
<h3></h3>
<p>Em um período que todos vão às ruas protestar, é importante saber a natureza dessas ações.</p>
<h3></h3>
<p>Se o <strong><em>Bhagavad Gītā</em></strong> trata (também) de <em>ação</em>, necessariamente trata de <em>política</em>.</p>
<h3></h3>
<p>Cito aqui o <strong><em>śloka </em></strong>18 do capítulo 4 para analisarmos a <em>ação</em>. Vejamos:</p>
<h3></h3>
<h4 style="text-align: center;"><strong>कर्मण्यकर्म यः पश्येत्  अकर्मणि च कर्म यः</strong></h4>
<h4 style="text-align: center;"><strong>स बुद्धिमान् मनुष्येषु  स युक्तः कृत्स्नकर्मकृत्</strong></h4>
<h3 style="text-align: center;"><strong><br />
</strong></h3>
<p align="center"><strong><em>karmaṇyakarma yaḥ paśyet  akarmaṇi ca karma yaḥ</em></strong></p>
<p align="center"><strong><em>sa buddhimān manuṣyeṣu  sa yuktaḥ kṛtsnakarmakṛt</em></strong></p>
<p align="center"><strong><em> </em></strong></p>
<p align="center">Quem percebe inação na ação e ação na inação,</p>
<p align="center">é o inteligente entre os homens, ele está conectado e executa todas as ações.</p>
<h3></h3>
<p>Um esclarecimento anterior:</p>
<h3></h3>
<p>1) O verbo <strong><em>paśyet</em></strong> (potencial, 3ª pessoa do sing. &lt; <strong><em>dṛś</em></strong>&gt; , <em>ver</em>) é central, porque aqui ele determina um <strong><em>s</em></strong><strong><em>ā</em></strong><strong><em>dh</em></strong><strong><em>a</em></strong><strong><em>na</em></strong> (uma <em>prática</em>). A importância de <em>perceber</em> nossas ações torna-se uma prática; o homem inteligente é aquele que <em>percebe </em>suas ações, e uma vez conhecida a natureza de ambas as ações (ou seja, conectado), ele executa (realmente) as ações.</p>
<h3></h3>
<p>2) Aqui a palavra <strong><em>karma</em></strong> não tem o significado de <em>lei</em> (ação-reação) diretamente, ainda que possamos deduzir essa lei a partir de uma conotação. (Outro dia explico esta <em>lei</em>.)</p>
<h3></h3>
<p>Agora, vamos lá.</p>
<h3></h3>
<p>Para facilitar o entendimento dos dois tipos de ação propostos no <strong><em>śloka</em></strong>, trago dois dos conceitos mais usados para determinar tipos de ação segundo a política moderna.</p>
<h3></h3>
<p>São eles: <em>ação reacionária</em> e <em>ação revolucionária</em>.</p>
<h3></h3>
<p>Antes esclareço a diferença (uma das possíveis):</p>
<h3></h3>
<p><em>Ação reacionária</em>:</p>
<p>É aquela que alguém adota, diante de uma <em>ação anterior </em>que o desagrade, sem impor esta sua ação aos demais.</p>
<h3></h3>
<p><em>Ação revolucionária:</em></p>
<p>É aquela que alguém adota, diante de uma <em>situação</em> que o desagrade, impondo esta sua ação aos demais.</p>
<h3></h3>
<p>OBS: Esqueçam os termos &#8220;direita&#8221; e &#8220;esquerda&#8221; para a análise que faço.</p>
<h3></h3>
<p>Mas antes, simplifico ainda mais:</p>
<h3></h3>
<p>O <em>reacionário</em> se opõe a uma fórmula certa e exata para todas as ações.</p>
<p>O <em>revolucionário</em> impõe uma fórmula (sua) certa e exata para todas as ações.</p>
<h3></h3>
<p><em> </em></p>
<p>O primeiro <em>descreve</em> uma ação passada, o segundo <em>prescreve</em> uma ação futura.</p>
<h3></h3>
<p>Agora vamos ao <strong><em>śloka</em></strong>.</p>
<h3></h3>
<p>a)<strong><em> inação na ação</em></strong>: uma ação será inação quando for movida por <em>desejo</em>, <strong><em>kāma</em></strong>, e neste caso, um desejo (determinado pela mente, uma vez a serviço do ego) leva a um modelo de futuro, que, como sabemos, é sempre incerto. Uma ação que se fundamenta em uma idéia de futuro; portanto, <em>revolucionária</em>.</p>
<h3></h3>
<p>OBS: esta ação, por levar a um modelo de futuro, reivindica a <em>igualdade</em>.</p>
<h3></h3>
<p>b) <strong><em>ação na inação</em></strong>: uma inação será uma ação quando for movida por uma <em>ausência de desejo</em>, <strong><em>niṣkāma</em></strong>, e neste caso, esta ausência o leva à análise da ação anterior, que será, por sua vez, sempre passível de análise. Uma ação que se fundamenta em uma idéia de passado; portanto, <em>reacionária</em> (de <em>reação</em> mesmo).</p>
<h3></h3>
<p>OBS: já esta, por reagir a uma ação passada, reivindica a <em>liberdade</em>.</p>
<h3></h3>
<p>A primeira ação é determinada pelo <em>ego </em>(<strong><em>ahaṅkāra</em></strong>).</p>
<p>A segunda pela <em>inteligência</em> (<strong><em>buddhi</em></strong>).</p>
<h3></h3>
<p align="center">*****</p>
<h3></h3>
<p>Coletivamente só deveríamos praticar a ação reacionária, pois sempre implica em dar consideração à ação anterior. A revolucionária já está mais afeita ao indivíduo, pois seus desejos determinarão sua própria vida sem se importar com um passado ou a imposição de um modelo (que será seu e único).</p>
<h3></h3>
<p>Portanto, quem percebe realmente as ações (o inteligente) se conecta com a natureza de cada ação, e pode executar todas elas, sabendo que ação praticar, e em que momento.</p>
<h3></h3>
<p>Agora vão <a href="http://arquivopessoa.net/textos/3030" target="_blank">aqui</a>, e leiam este excelente texto do poeta Fernando Pessoa. Que diz algo bem parecido.</p>
<h3></h3>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Les français, português, saṁskṛtam.</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jul 2011 14:36:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Língua]]></category>
		<category><![CDATA[Francês]]></category>
		<category><![CDATA[língua portuguesa]]></category>
		<category><![CDATA[Sânscrito]]></category>

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		<description><![CDATA[Recentemente traduzi a carta do padre jesuíta francês Jean François Pons, considerada o primeiro documento formal que atesta a estrutura da língua sânscrita pelos europeus. É a carta direcionada ao padre jesuíta du Halde, de 1740. Antes achávamos que um primeiro documento formal dos estudos sânscritos pelos europeus teria sido o famoso discurso de William [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: center;"><a href="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/07/sanskrit-francais.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-707" title="sanskrit-francais" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/07/sanskrit-francais-294x400.jpg" alt="sanskrit-francais" width="294" height="400" /></a></h3>
<h3></h3>
<p>Recentemente traduzi a carta do padre jesuíta francês Jean François Pons, considerada o primeiro documento formal que atesta a estrutura da língua sânscrita pelos europeus. É a carta direcionada ao padre jesuíta du Halde, de 1740. Antes achávamos que um primeiro documento formal dos estudos sânscritos pelos europeus teria sido o famoso discurso de William Jones, em 1788, depois de ter escrito, em 1786, seu <em>The Sanskrit Language</em>. No entanto, recentemente foi descoberta uma gramática de sânscrito escrita em latim, chamada <strong><em>Grammaticca Linguae Sanscretanae Brachmanum Indiae Orientalis</em></strong>, de 1660, de autoria do também padre jesuíta Heinrich Roth (encontrada por Arnulf Camps, e hoje preservada na <a href="http://www.bncrm.librari.beniculturali.it/" target="_blank">Biblioteca Nazionale Centrale</a>, Roma). Ou seja, logo após a descoberta da carta de Pons, descobriram a gramática de Roth. Mas a carta de Pons menciona <strong>Pā</strong><strong>ṇ</strong><strong>ini</strong>, e a gramática de Roth, não.</p>
<h3></h3>
<p>Esta tradução estou editando para ser publicada em alguma revista especializada. Mas este trabalho me fez refletir sobre algo importante, e que &#8211; parece-me &#8211; faz com que os franceses tenham uma &#8216;consciência linguística&#8217; melhor do que a nossa. Veja lá, a carta é de 1740. E sabe qual a dificuldade que eu, um brasileiro que lê francês, tive para lê-la?</p>
<h3></h3>
<p>Modéstia à parte, nenhuma. Nem para traduzi-la.</p>
<h3></h3>
<p>Bem, se eu consigo lê-la, imagina um garoto de um <em>lycée </em>francês&#8230;</p>
<h3></h3>
<p>E veja, peguei até um romance em francês mais atual, <em>Le travail de l&#8217;huître</em>, do escritor canadense <a href="http://fr.wikipedia.org/wiki/Jean_Barbe" target="_blank">Jean Barbe</a>, e comparei-o com a carta de 1740, olhei todas as formas verbais de uma e de outro, as preposições, a sintaxe etc. Tudo igual. Quer dizer, temos a mesma sintaxe, tanto na carta de 1740, quanto no <em>roman</em> de 2008. O ponto ao qual quero chegar é o de tentar entender por que aqui no Brasil temos essa &#8220;gana&#8221; da inovação. E pior, por inovação entende-se, às vezes, reduzir a linguagem ao seu pior. Sim, porque linguagem pode não lidar com <em>certo </em>e<em> errado</em>, mas lida com <em>melhor </em>e<em> pior</em>. A linguagem é uma <strong><em>teknè</em></strong>, uma <em>arte</em>, um <em>conhecimento</em> que pode ser aprendido e ensinado.</p>
<h3></h3>
<p>E por que na França não vejo <em>inovação</em> da linguagem? Ou reduzirem-na ao seu pior?</p>
<h3></h3>
<p>Talvez porque os franceses tenham esta consciência de que a língua, sendo uma técnica, e esta técnica chegada ao seu patamar mais alto, deve ser preservada. Não como em um museu, preservada em formol, mas usada no dia a dia em sua forma mais excelsa.</p>
<h3></h3>
<p>Talvez por falta dessa consciência é que muitos aqui &#8220;empacam&#8221; ou chiam quando hoje se debruçam num texto <em>machadiano</em>, com toda aquela beleza sintática. Ou pior, quando exaltam como &#8220;língua da elite&#8221; o uso de uma língua mais cuidada, melhor construída, utilizando todos os recursos <em>técnicos</em> que sua tradição linguística pode nos dar.</p>
<h3></h3>
<p>Se não nos conscientizarmos, em bem pouco tempo, Machado não será conhecido pelos seus textos, nem Manuel pela sua poesia, e olha que nem falo de uma língua de 1740.</p>
<h3></h3>
]]></content:encoded>
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		<title>Ex machina – o gadget humano.</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/ex-machina-o-gadget-humano-bhagavad-gita/</link>
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		<pubDate>Wed, 25 May 2011 18:33:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Sânscrito]]></category>
		<category><![CDATA[Vedanta]]></category>
		<category><![CDATA[Bhagavad Gita]]></category>
		<category><![CDATA[gadget]]></category>
		<category><![CDATA[vedanta]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje falamos da tecnologia ser uma possível extensão do homem. Reflitamos&#8230; No Bhagavad Gītā (18.61) é dito que estamos fixos numa tecnologia. Que ela é (só) parte do que somos, e por estarmos imersos em medidas, pouco nos damos conta. ईश्वरः सर्वभूतानां  हृद्देशेऽर्जुन तिष्ठति भ्रामयन् सर्वभूतानि यन्त्रारूधानि मायया īśvaraḥ sarvabhūtānāṁ hṛddeśe&#8217;rjuna tiṣṭhati bhrāmayan sarvabhūtāni  yantrārūdhāni [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/05/inteligencia.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-689" title="inteligencia" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/05/inteligencia.jpg" alt="inteligencia" width="400" height="300" /></a></p>
<p>Hoje falamos da tecnologia ser uma possível extensão do homem. Reflitamos&#8230;</p>
<p>No <em><strong>Bhagavad Gītā</strong></em> (18.61) é dito que estamos <em>fixos</em> numa tecnologia. Que ela é (só) parte do que somos, e por estarmos imersos em <em>medidas</em>, pouco nos damos conta.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>ईश्वरः सर्वभूतानां  हृद्देशेऽर्जुन तिष्ठति</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>भ्रामयन् सर्वभूतानि यन्त्रारूधानि मायया</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>īśvaraḥ sarvabhūtānāṁ hṛddeśe&#8217;rjuna tiṣṭhati</em></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>bhrāmayan sarvabhūtāni  yantrārūdhāni māyayā</em></strong></p>
<p style="text-align: center;"><em> </em></p>
<p style="text-align: center;">O Senhor situa-se no coração de todos os seres, Arjuna;</p>
<p style="text-align: center;">e movimenta os seres fixos numa máquina por medição (ilusão).</p>
<p>Vamos fazer um esquema inverso ao <em><strong>śloka</strong></em>:</p>
<p><strong><em>māyā</em> </strong>+ <strong><em>yantra </em></strong>+ <strong><em>hṛd </em></strong>&lt; <strong><em>bhūta </em></strong>&lt; <strong><em>īśvara</em></strong></p>
<p><em> </em></p>
<p>agora assim:</p>
<p><em>hardware </em>&lt; <em>app. / softwares </em>&lt; <em>Software</em></p>
<h3><em><br />
</em></h3>
<p><em> </em></p>
<p>Existem pontos filosóficos bem interessantes neste <em><strong>śloka</strong></em>, vejamos:</p>
<p>A palavra <strong><em>māyā</em></strong>, vem da raiz <strong><em>mā</em></strong>, significa &#8216;medir&#8217;, e aborda dois temas:</p>
<p>a)      como <em>medida</em> para &#8216;mundo&#8217;, físico, o &#8216;reino das medidas&#8217;;</p>
<p>b)      como <em>medida</em> para &#8216;estreito&#8217;, limitado psicologicamente, &#8216;medidas da mente&#8217;.</p>
<p>OBS: É a partir do segundo significado que acabam traduzindo por <em>ilusão</em>.</p>
<p>A palavra <strong><em>yantra</em></strong>, vem da raiz <strong><em>yam</em></strong>, significa &#8216;suportar&#8217;, &#8216;sustentar&#8217;, ou:</p>
<p>É o suporte, é a máquina, sem ela não há lugar para o <em>coração</em>, nem para o <em>ser</em>. Esta máquina é causada pelas <em>medidas</em> (elementos) materiais, e também é quem causa as <em>medidas </em>psicológicas (ilusórias), quando o <em>ser </em>identifica-se com ela.</p>
<p>Temos assim:</p>
<p><em>Software </em>(<strong><em>īśvara</em></strong>)<em> &gt; app. </em>/ <em>software </em>(<strong><em>bhūta</em></strong>)<em> &gt; hardware</em> (<strong><em>yantra</em></strong>)</p>
<p>O <em>app.</em> (alma) vai sempre depender do <em>Software</em> (Senhor) para poder <em>ser</em>, e do <em>hardware</em> (máquina) para poder <em>existir</em>.</p>
<p>Portanto, nós <em>estamos</em> numa máquina, e fazemos parte de um sistema.</p>
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		</item>
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		<title>Estorvo da educação é responsabilidade do MEC.</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/estorvo-da-educacao-no-pais-e-responsabilidade-do-mec/</link>
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		<pubDate>Mon, 16 May 2011 15:38:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Avisos]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[língua portuguesa]]></category>
		<category><![CDATA[MEC]]></category>

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		<description><![CDATA[Leio hoje o jornal O Globo, e em sua capa: &#8220;MEC não vai recolher livro que aceita erro de português&#8221; Numa boa, não tenho mais paciência para comentar essas coisas, é perda de tempo. Meu negócio é conhecimento, não picuinha. Ainda mais quando sei que os maiores problemas da educação no Brasil são causados pelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/05/ponto-de-interrogacao.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-673" title="ponto-de-interrogacao" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/05/ponto-de-interrogacao.jpg" alt="ponto-de-interrogacao" width="304" height="320" /></a></p>
<p>Leio hoje o jornal O Globo, e em sua capa:</p>
<h3></h3>
<h3>&#8220;MEC não vai recolher livro que aceita erro de português&#8221;</h3>
<h3></h3>
<p>Numa boa, não tenho mais paciência para comentar essas coisas, é perda de tempo.</p>
<h3></h3>
<p>Meu negócio é <em>conhecimento</em>, não picuinha.</p>
<h3></h3>
<p>Ainda mais quando sei que os maiores problemas da educação no Brasil são causados pelo MEC.</p>
<h3></h3>
<p>Minha opinião é a mesma que a do gramático Evanildo Bechara, <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/o+aluno+nao+vai+para+a+escola+para+aprender+nos+pega+o+peixe/n1596951472448.html" target="_blank">nesta </a>entrevista.</p>
<h3></h3>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Ars Grammaticae &#8211; o modelo da gramática de Pāṇini.</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/o-modelo-da-gramatica-de-pa%e1%b9%87ini-sanscrito-saussure/</link>
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		<pubDate>Thu, 14 Apr 2011 20:28:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Língua]]></category>
		<category><![CDATA[Sânscrito]]></category>
		<category><![CDATA[Gramática]]></category>
		<category><![CDATA[linguística]]></category>
		<category><![CDATA[Panini]]></category>
		<category><![CDATA[Saussure]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de Pāṇini (VII a.C.), com a Aṣṭādhyāyī, vem Yāska (IX a.C.) com a Nirukta. Pāṇini já trazia em sua gramática elementos que hoje reconhecemos em F. de Saussure: tattvārtha: significado essencial; śabdārtha: significado-significante. (No caso, se trata da teoria dos signos) Sua gramática é escrita num sistema de 5 unidades: varṇa: som; akṣara: sílaba; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/04/manuscrito-sanscrito.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-658" title="manuscrito-sanscrito" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/04/manuscrito-sanscrito.jpg" alt="manuscrito-sanscrito" width="338" height="254" /></a></p>
<h3></h3>
<p>Antes de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/P%C4%81%E1%B9%87ini" target="_blank"><strong>Pāṇini </strong></a>(VII a.C.), com a <strong><em>Aṣṭādhyāyī</em></strong>, vem <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Y%C4%81ska" target="_blank"><strong>Yāska </strong></a>(IX a.C.) com a <strong><em>Nirukta</em></strong>.</p>
<h3></h3>
<p><strong>Pāṇini </strong>já trazia em sua gramática elementos que hoje reconhecemos em F. de Saussure:</p>
<h3></h3>
<p><strong><em>tattvārtha</em></strong>: significado essencial; <strong><em>śabdārtha</em></strong>: significado-significante.</p>
<h3></h3>
<p>(No caso, se trata da teoria dos <em>signos</em>)</p>
<h3></h3>
<p>Sua gramática é escrita num sistema de 5 unidades:</p>
<h3></h3>
<p><strong><em>varṇa</em></strong>: som;</p>
<p><strong><em>akṣara</em></strong>: sílaba;</p>
<p><strong><em>śabda</em></strong>: palavra;</p>
<p><strong><em>pada</em></strong>: construção morfológica;</p>
<p><strong><em>vākya</em></strong>: sentença.</p>
<h3></h3>
<p>Com 4 princípios que convertem elementos unitários em sentenças:</p>
<h3></h3>
<p>1) de seqüência e ordem;</p>
<p>2) linearidade;</p>
<p>3) controle centrípeto;</p>
<p>4) hierarquia de organização.</p>
<h3></h3>
<p>A construção morfológica é dada por três maneiras:</p>
<h3></h3>
<p>1) <strong><em>kāraka</em> </strong>(sistema de casos)</p>
<p>2) <strong><em>samānādhikaraṇa</em> </strong>(governo de equivalência)</p>
<p>3) <strong><em>anviti</em> </strong>(concordância)</p>
<h3></h3>
<p>As palavras (<strong><em>śabda</em></strong>) no sistema de <strong>Pāṇini </strong>são divididas em 4 classes:</p>
<h3></h3>
<p>1)<strong><em> nāma</em> </strong>(nomes)</p>
<p>2)<strong><em> ākhyāta</em> </strong>(verbo)</p>
<p>3) <strong><em>upasarga</em> </strong>(prefixos)</p>
<p>4)<strong><em> nipāta</em> </strong>(indeclinável)</p>
<h3></h3>
<p>Alguns exemplos (<strong><em>Aṣṭādhyāyī</em></strong>):</p>
<h3></h3>
<p>- Regra Linguística:</p>
<h3></h3>
<h4 style="text-align: center;"><strong>स्वं  रूपं  शब्दस्याशब्दसंज्ञा</strong></h4>
<h4 style="text-align: center;"><strong><em> svaṁ rūpaṁ śabdasyāśabdasaṁjñā</em></strong> (1.1.68)</h4>
<p style="text-align: center;">(Uma) palavra é significado e forma, não um termo técnico (lingüístico).</p>
<h3 style="text-align: center;"></h3>
<p>- Regra morfofonêmica:</p>
<h3></h3>
<h4 style="text-align: center;"><strong>जसः शी</strong></h4>
<h4 style="text-align: center;"><strong><em> jasaḥ  śī</em> </strong>(6.1.17)</h4>
<p style="text-align: center;">(Depois de um pronome terminado) em <strong><em>a</em></strong>, <strong><em>ī</em> </strong>(é substituído) por <strong><em>as</em></strong>.</p>
<h3 style="text-align: center;"></h3>
<p>- Regra sintática:</p>
<h3></h3>
<h4 style="text-align: center;"><strong>सपूर्वायाःप्रथमा विभाष</strong></h4>
<h4 style="text-align: center;"><strong><em> sapūrvāyāḥ prathamā vibhāṣa</em> </strong> (8.1.26)</h4>
<p style="text-align: center;">(Pronome depois) de Nominativo, a substituição é opcional.</p>
<h3 style="text-align: center;"></h3>
<p>- Regra morfológica:</p>
<h3></h3>
<h4 style="text-align: center;"><strong>धातुसम्बन्धे  प्रत्ययाः</strong></h4>
<h4 style="text-align: center;"><strong><em> dhātusambandhe pratyayāḥ</em> </strong> (3.4.1)</h4>
<p style="text-align: center;">Afixo (é empregado) em relação ao verbo.</p>
<h3 style="text-align: center;"></h3>
<p>- Regra de sandhi:</p>
<h3></h3>
<p style="text-align: center;"><strong>एचोऽयवायावः</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em> eco&#8217;yavāyāvaḥ</em> </strong>(6.1.78)</p>
<p style="text-align: center;">(As vogais) <strong><em>e</em></strong>, <strong><em>ai</em></strong>,<em> </em><strong><em>o</em></strong>,<em> </em><strong><em>au </em></strong>são substituídas por <strong><em>ay</em></strong>,<em> </em><strong><em>āy</em></strong>,<em> </em><strong><em>av</em></strong>,<em> </em><strong><em>āv</em></strong>.</p>
<h3 style="text-align: center;"></h3>
<p style="text-align: center;">******</p>
<h3 style="text-align: center;"></h3>
<p>OBS: Não esqueci das perguntas do <a href="http://www.leonardovalverde.com/ars-grammaticae-o-ensino-da-gramatica-no-brasil/" target="_blank"><em>post </em></a>anterior, mas se liguem na série &#8220;Ars Grammaticae&#8221;, uma hora eu venho aqui e respondo. Se querem ter uma boa noção dos estudos gramaticais mais recentes, leiam o excelente:</p>
<h3></h3>
<p>- <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2968760&amp;sid=02341852313410513546180532&amp;k5=100FC125&amp;uid=" target="_blank">A revolução tecnológica da gramatização</a></em>, de Sylvain Auroux.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Ars Grammaticae &#8211; o ensino da gramática no Brasil.</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/ars-grammaticae-o-ensino-da-gramatica-no-brasil/</link>
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		<pubDate>Mon, 14 Mar 2011 19:21:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Língua]]></category>
		<category><![CDATA[Gramática]]></category>
		<category><![CDATA[língua portuguesa]]></category>

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		<description><![CDATA[Tudo no Brasil, no que diz respeito ao estudo da linguagem, de nossa língua, é feito de forma que as pessoas odeiem a gramática, ou pior, não sejam minimamente curiosas ao ponto de consultá-la. Isso vem de uma falha do ensino de língua portuguesa por aqui. E certamente do Ministério da Educação também, por insistir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/03/lingua-portuguesa.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-647" title="lingua-portuguesa" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2011/03/lingua-portuguesa.jpg" alt="lingua-portuguesa" width="432" height="324" /></a></p>
<p>Tudo no Brasil, no que diz respeito ao estudo da linguagem, de nossa língua, é feito de forma que as pessoas odeiem a gramática, ou pior, não sejam minimamente curiosas ao ponto de consultá-la. Isso vem de uma falha do ensino de língua portuguesa por aqui. E certamente do Ministério da Educação também, por insistir em determinar apenas uma forma de ensino do português.</p>
<p>(Foi o que o Pedro Sette tratou em seu <em><a href="http://www.pedrosette.com/2011/02/minha-enesima-vituperacao-contra-o-modo.html" target="_blank">post</a></em>, e cuja solução estou de acordo.)</p>
<p>Mas quero apontar mais claramente esta falha. Saber de onde vem.</p>
<p>Quando uma pessoa me diz que já ouviu falar de uma &#8220;oração reduzida de infinitivo&#8221; e não sabe me descrever o fenômeno, é sinal que há um problema aí. Afinal, para que seu conhecimento da língua fosse maior, bastaria ela me dizer para que serve o fenômeno e saber quando imitá-lo (sim, isso mesmo, <em>imitar</em>) em seu uso, sem precisar, inclusive, da menção da nomenclatura. Ou seja, conhecem a nomenclatura sem a identificação de seu fenômeno correspondente. Isso é basicamente o que acontece com o ensino da língua no sistema determinado pelo Ministério: ele ensina nomenclaturas gramaticais. E isso tanto no setor público, quanto no privado. É lógico que há aí a consciência do professor numa sala de aula, de tentar reverter esse quadro o máximo que pode. Mas é tarefa hercúlea, o sistema contaminado exige que o professor ensine de maneira que seus alunos &#8220;se dêem bem&#8221; nas provas. (e educação no Brasil ainda é uma mera questão de &#8220;se dar bem&#8221;).</p>
<p>Já temos aí um dado importante: o sistema educacional brasileiro parte do princípio que o estudo da gramática (no molde imposto) faz com que o aluno escreva e fale melhor.</p>
<p>Pergunto: A gramática pode fazer você falar e escrever melhor? E de onde vem esta noção?</p>
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		<title>Minha oração natalina.</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/oracao-natalina-bhagavata-purana/</link>
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		<pubDate>Thu, 23 Dec 2010 20:07:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Avisos]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[oração]]></category>
		<category><![CDATA[Purana]]></category>

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		<description><![CDATA[Este ano retiro minha oração do Bhāgavata Purāṇa (1.8.18), um texto caro a mim, por sua magnificência poética e filosófica, um texto sobre-humano (apauruṣeya), revelado: कुन्त्युवाच नमस्ये पुरुषम् त्वाद्यम्  ईश्वरम् प्रकृतेःपरम् अलक्ष्यं सर्वभूतानाम्  अन्तर् बहिर् अवस्थितम् kuntyuvāca namasye puruṣam tvādyam  īśvaram prakṛteḥ param alakṣyaṁ sarvabhūtānām  antar bahir avasthitam Kunti disse: Reverência a Ti, Pessoa primeira, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-614" title="sanskrit2" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2010/12/sanskrit2.jpg" alt="sanskrit2" width="447" height="278" /></p>
<h3 style="text-align: center;"></h3>
<p>Este ano retiro minha oração do <strong><em>Bhāgavata</em> <em>Purāṇa</em> </strong>(1.8.18), um texto caro a mim, por sua magnificência poética e filosófica, um texto sobre-humano (<strong><em>apauruṣeya</em></strong>), revelado:</p>
<h3><strong><br />
</strong></h3>
<h4 style="text-align: center;"><strong>कुन्त्युवाच</strong></h4>
<h4 style="text-align: center;"><strong>नमस्ये पुरुषम् त्वाद्यम्  ईश्वरम् प्रकृतेःपरम्</strong></h4>
<h4 style="text-align: center;"><strong>अलक्ष्यं सर्वभूतानाम्  अन्तर् बहिर् अवस्थितम्</strong></h4>
<p style="text-align: center;"><strong><br />
</strong></p>
<p align="center"><em> </em></p>
<p align="center"><strong><em>kuntyuvāca</em></strong></p>
<p align="center"><strong><em>namasye puruṣam tvādyam  īśvaram prakṛteḥ param</em></strong></p>
<p align="center"><strong><em>alakṣyaṁ sarvabhūtānām  antar bahir avasthitam</em></strong></p>
<p><strong><em><br />
</em></strong></p>
<p><em> </em></p>
<p align="center"><em>Kunti</em> disse:</p>
<p align="center">Reverência a Ti, Pessoa primeira, o controlador além da matéria;</p>
<p align="center">invisível a todos os seres, situado dentro e fora (de tudo e todos).</p>
<h3 style="text-align: left;"></h3>
<p>Este ano não peço por nada, só agradeço. Salve!</p>
<h3></h3>
<p>Um Feliz Natal a todos!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Magister dixit. (minha pesquisa para o mestrado)</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/magister-dixit-panini-sanscrito-portugues/</link>
		<comments>http://www.leonardovalverde.com/magister-dixit-panini-sanscrito-portugues/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 09 Dec 2010 21:23:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Língua]]></category>
		<category><![CDATA[Sânscrito]]></category>
		<category><![CDATA[língua portuguesa]]></category>
		<category><![CDATA[linguística]]></category>
		<category><![CDATA[Panini]]></category>

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		<description><![CDATA[1. Delimitação do tema. Os historiadores situam a descoberta da língua sânscrita como um dos grandes fatores para o desenvolvimento do estudo da linguagem. A partir desta descoberta temos os estudos filológicos comparativos do indo-europeu, e daí uma ciência geral da linguagem, que se chamaria por fim de linguística; embora alguns tratados antigos de língua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-604  alignnone" title="panini-selo" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2010/12/panini-selo-536x400.jpg" alt="panini-selo" width="482" height="360" /></p>
<h3 style="text-align: center;"></h3>
<p style="text-align: left;"><strong>1. </strong>Delimitação do tema.</p>
<h3 style="text-align: left;"></h3>
<p style="text-align: left;">Os historiadores situam a descoberta da língua sânscrita como um dos grandes fatores para o desenvolvimento do estudo da linguagem. A partir desta descoberta temos os estudos filológicos comparativos do indo-europeu, e daí uma ciência geral da linguagem, que se chamaria por fim de linguística; embora alguns tratados antigos de língua já tenham sido estruturados linguisticamente, fazendo com que certas teorias modernas sejam apenas um &#8216;retorno&#8217; ao conhecimento dos gramáticos antigos. Alguns desses historiadores, como <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/R._H._Robins" target="_blank">R.H. Robins</a>, consideram o ano de 1786 um marco inicial da ciência linguística contemporânea, onde possivelmente teria se dado a primeira das quatro &#8216;rupturas&#8217; significativas ocorridas no desenvolvimento do que hoje entendemos por estudos linguísticos. Aconteceu neste ano a famosa declaração no <em>Royal Asiatic Society</em> por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Jones_%28fil%C3%B3logo%29" target="_blank">William Jones</a> que &#8220;o sânscrito, sem levar em conta sua antiguidade, possui uma estrutura maravilhosa: é mais perfeito que o grego, mais rico que o latim e mais extraordinariamente refinado que ambos&#8221; (ROBINS, 2004: 106). Aqui no Brasil, o nosso famoso linguista <a href="http://www.filologia.org.br/xicnlf/homenageado.htm" target="_blank">J. Mattoso Camara Jr.</a>, dedicou um capítulo de sua <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=11004979&amp;sid=02341858112107546024917711&amp;k5=1001A93&amp;uid=" target="_blank"><em>História da Lingüística</em></a> ao sânscrito, dizendo que &#8220;os métodos e as concepções da gramática do sânscrito, que se encontravam em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C4%81nini" target="_blank"><strong><em>Pāṇini</em> </strong></a>e seus seguidores, estimularam o espírito europeu no sentido de uma nova visão da linguagem&#8221; (CAMARA JR., 1975: 44).</p>
<h3 style="text-align: left;"></h3>
<p style="text-align: left;">Esta nova visão não se restringiu somente à linguística histórico-comparativa. O estudo do sânscrito deu origem a muitas análises de linguística sincrônica, já que as gramáticas originais desta língua abordaram praticamente todos os campos deste ramo. Os estudos linguísticos do sânscrito eram divididos em <strong><em>vyākaraṇa</em> </strong>(análise linguística), <strong><em>śikṣā</em> </strong>(fonética) e <strong><em>nirukta</em> </strong>(etimologia), as três faziam parte de uma educação tradicional voltada para a linguagem chamada <strong><em>vedāṅga</em> </strong><a name="_ftnref1" href="#_ftn1">[1]</a> (conhecimento auxiliar). Estes estudos, de acordo com Robins, podem ser considerados sob três aspectos: teoria linguística geral e semântica; fonética e fonologia; gramática descritiva (ROBINS, 2004: 109). Das obras linguísticas da época, a gramática <strong><em>Aṣṭādhyāyī</em> </strong>(<em>Oito Capítulos</em>) de <strong><em>Pāṇini</em></strong>, este conhecido gramático do século IV a.C., foi o primeiro tratado científico de uma língua, e chegou a ser considerada por <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Leonard_Bloomfield" target="_blank">Bloomfield</a> como &#8220;um dos maiores monumentos da inteligência humana&#8221; (BLOOMFIELD, 1984: 11). As regras são todas organizadas em pequenas sentenças, <strong><em>sūtra</em> </strong>ou &#8220;fio&#8221;, que surpreendem por tamanha economia com que conseguem formular suas afirmações linguísticas. Da obra de <strong><em>Pāṇini</em> </strong>e da <strong><em>vyākaraṇa</em> </strong>saíram conceitos como o termo fonológico <strong><em>sandhi</em> </strong>(usado por Mattoso Camara Jr. para explicar certos casos do português), o desenvolvimento de processos de formação de palavras, o estudo morfofonêmico<a name="_ftnref2" href="#_ftn2">[2]</a>, e a representação zero de um elemento ou categoria &#8211; familiar aos linguistas modernos. O processo descritivo de sua gramática, mais de dois mil anos depois, influenciou as análises que <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ferdinand_de_Saussure" target="_blank">Saussure</a> fez de certas palavras gregas, alguns importantes trabalhos do Bloomfield<a name="_ftnref3" href="#_ftn3">[3]</a>, e também sabe-se que a gramática gerativo-transformacional criada por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Noam_Chomsky" target="_blank">Chomsky</a> teve sua influência <em>paniniana</em>, porque em seu &#8220;trabalho de descrição, as regras são de tal modo ordenadas, que as últimas levam sempre em conta os resultados das primeiras. Isto permite obter maior economia no processo descritivo, o que era um dos objetivos primordiais da obra de <strong><em>Pāṇini</em></strong>&#8221; (ROBINS, 2004: 188).<a name="_ftnref4" href="#_ftn4">[4]</a></p>
<h3 style="text-align: left;"></h3>
<p style="text-align: left;">Por aqui, no ambiente de língua portuguesa, as influências não foram poucas e podemos destacar a contribuição dada por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%BAlio_Ribeiro" target="_blank">Julio Ribeiro</a> (1911) de &#8220;inaugurar entre nós o uso do método histórico-comparativo na descrição do vernáculo&#8221;. (CAVALIERE, 2000; 52) Este gramático alinha-se aos trabalhos e métodos criados por <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/William_Dwight_Whitney" target="_blank">William Dwight Whitney</a>, de quem, por exemplo, tira a definição que abre sua <em>Grammatica portugueza</em>, &#8220;Grammatica é a exposição methodica dos fatos da linguagem&#8221;, e propõe, com base nas obras do Whitney, mudanças estruturais: &#8220;Em sintonia com essa definição e na esteira da proposta descritiva de Becker e Whitney, Ribeiro subdivide a sintaxe em <em>léxica </em>e <em>lógica</em>, aquela atinente ao estudo das palavras inter-relacionadas na oração, esta ocupada do estudo da estrutura das orações&#8221; (CAVALIERE, 2000; 54) Por sua vez, o filólogo e linguista Whitney, reconhecidamente, foi buscar em <strong><em>Pāṇini</em> </strong>as bases para fundamentar o seu trabalho, chegou a escrever uma gramática de sânscrito (<em>Sanskrit Grammar</em>) e ainda uma lista das raízes verbais do sânscrito com suas conjugações inspirada claramente na obra <strong><em>Dhātupāṭhaḥ</em> </strong>(<em>Reunião das raízes verbais</em>), de <strong><em>Pāṇini</em></strong>; obra de grande envergadura e até hoje muito estudada e difundida. E &#8220;o elenco de obras filológicas produzidas a partir do trabalho inaugural de Julio Ribeiro cria os fundamentos da moderna gramática brasileira, nos moldes em que, <em>mutatis mutandis</em>, até hoje se organizam&#8221; (CAVALIERE, 2000: 55). Logo depois surgem a <em>Grammatica descriptiva</em>, de Maximino Maciel, &#8220;cujo exitoso curso na práxis pedagógica conferiu-lhe onze edições conhecidas, a última em 1931&#8243; e uma obra como a <em>Grammatica expositiva</em>, de Eduardo Carlos Pereira, &#8220;exemplo típico de um trabalho pautado no método histórico-comparativo com algum legado da escola metafísica de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gram%C3%A1tica_de_Port-Royal" target="_blank"><em>Port Royal</em></a>&#8221; (CAVALIERE, 2000: 57). O primeiro chegou a traçar comentários à obra de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Franz_Bopp" target="_blank">Franz Bopp</a>, um dos responsáveis pelo surgimento da gramática comparada e da ciência lingüística, e eminente professor de sânscrito. Esta influência na língua portuguesa não pára por aí, tem o renomado <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Said_Ali_Ida" target="_blank">Said Ali</a>, que por sua vez foi colher nas teorias de um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Berthold_Delbr%C3%BCck" target="_blank">Berthold Delbrück</a>, indo-europeísta cujo trabalho <em>Vedic syntax</em> chegou a arrancar elogios de Whitney, os elementos para sua obra; bem como as influências das obras de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Max_M%C3%BCller" target="_blank">Max Müller</a>, reconhecido estudioso do sânscrito, nesses gramáticos e linguistas do português. Portanto, temos as influências da obra de <strong><em>Pāṇini</em></strong>, direta ou indiretamente, não somente restritas às citações dos compêndios historiográficos, mas implícitas quase em toda trajetória dos estudos gramaticais e linguísticos do português.</p>
<h3 style="text-align: left;"></h3>
<p style="text-align: left;">Embora mais relacionada aos estudos histórico-comparativos e filológicos, a obra de <strong><em>Pāṇini</em> </strong>já mostrou ter um universo de possibilidades nos estudos sincrônicos. E todos já atestados por grandes nomes da tradição linguística.</p>
<h3 style="text-align: left;"></h3>
<p style="text-align: left;">Sem deixar de lado a abordagem diacrônica, este projeto de mestrado tem a intenção de estudar &#8220;os métodos e as concepções&#8221; da gramática <em>paniniana </em>em particular, sua relação com as últimas teorias da Linguística, bem como mostrar as influências que a obra de <strong><em>Pāṇini</em> </strong>gerou, direta e indiretamente, nos estudos gramaticais e linguísticos da língua portuguesa. Um projeto de estudos gramaticais, com a singularidade de se referir a uma das primeiras obras científicas da área, estudada sincrônica e diacronicamente, de forma que se possa demonstrar sua ligação com a língua portuguesa.<a name="_ftnref5" href="#_ftn5">[5]</a> Quando possível, mostrar-se-á esquematicamente como seria e o que compreenderia a descrição da gramática portuguesa nos moldes <em>paninianos</em>, assim como a tradução, direta do sânscrito, das principais <em>sentenças</em> (<strong><em>sūtra</em></strong>)<em> </em>usadas na pesquisa.</p>
<h3 style="text-align: left;"></h3>
<p style="text-align: left;"><strong>2. </strong>Justificativa.</p>
<h3 style="text-align: left;"></h3>
<p style="text-align: left;">Ao longo de mais de dois séculos, desde que foi conhecida pelos europeus, a obra de <strong><em>Pāṇini</em> </strong>vem influenciando direta e indiretamente os estudos da Linguística. Por aqui, no Brasil, fomos buscar na obra de J. Mattoso Camara Junior a dica para pesquisar esta relação dos estudos de língua portuguesa com a obra <em>paniniana</em>. Estudar uma obra desta envergadura, unindo-a à lingüística mais moderna e aos estudos de língua portuguesa, é procurarmos a base do que chamam hoje de<em> ciência da linguagem</em>. No caso de desenvolver uma pesquisa como esta na <a href="http://www.uff.br/" target="_blank">UFF</a>, a maior justificativa seria o fato de empreendermos, pela primeira vez aqui no Rio de Janeiro, um estudo linguístico com esta especificidade e importância, não só para os estudos históricos da linguagem, mas também para as futuras pesquisas e análises teóricas dos estudos gramaticais, visto que a obra a ser pesquisada é ainda base para uma das últimas teorias linguísticas, no caso a gramática gerativa, e de grande importância para os estudos históricos e descritivos da linguagem.</p>
<h3 style="text-align: left;"></h3>
<p style="text-align: left;"><strong>3. </strong>Objetivo.</p>
<h3 style="text-align: left;"></h3>
<p style="text-align: left;">Numa época onde os estudos descritivos se focam mais nas descobertas recentes da linguística, distanciando-se aos poucos de suas bases, nossa pesquisa vem suprir a necessidade de colocar em vista estas bases e sua relação com todo o tipo de estudo descritivo e histórico da linguagem. Nossos objetivos específicos são: primeiro, a análise da obra <em>paniniana </em>(métodos e concepções); segundo, mostrar sua influência nos estudos gramaticais e linguísticos do português; terceiro, sua relação com as últimas teorias linguísticas.<a name="_ftnref6" href="#_ftn6">[6]</a> Destes três objetivos principais, surgem dois outros, mais secundários, de mostrar como seria a descrição da gramática de língua portuguesa nos moldes <em>paninianos</em>, e a tradução do sânscrito das principais <em>sentenças</em> da obra estudada.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">
<hr style="text-align: left;" size="1" />
<p style="text-align: left;"><a name="_ftn1" href="#_ftnref1">[1]</a> Educação comparada ao <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Trivium_%28educa%C3%A7%C3%A3o%29" target="_blank"><em>trivium</em> </a>do Ocidente Medieval.</p>
<p style="text-align: left;"><a name="_ftn2" href="#_ftnref2">[2]</a> &#8220;As descrições de <strong><em>Pāṇini</em> </strong>compreendem a separação e a identificação de raízes e afixos, o que direta-mente inspirou o conceito de morfema da análise gramatical hodierna.&#8221; (Robins, p.117)</p>
<p style="text-align: left;"><a name="_ftn3" href="#_ftnref3">[3]</a> Seu ensaio <em>On Some Rules of Panini</em> (1927). &#8220;Considera-se que o trabalho de Bloomfield <em>Menomini morphophonemics</em> foi buscar na obra de <strong><em>Pāṇini</em> </strong>sua metodologia e inspiração.&#8221; (Robins, p.117)</p>
<p style="text-align: left;"><a name="_ftn4" href="#_ftnref4">[4]</a> &#8220;De fato, minha tese de graduação foi uma gramática no estilo de <strong><em>Pāṇini</em></strong>, feita 2.500 anos antes (&#8230;)&#8221; (Noam Chomsky, entrevista, Mana vol.3 n.2 Rio de Janeiro Out. 1997).</p>
<p style="text-align: left;"><a name="_ftn5" href="#_ftnref5">[5]</a> A pesquisa insere-se dentro das áreas de estudos descritivos da língua portuguesa e de historiografia da linguística, esta tanto geral quanto portuguesa.</p>
<p style="text-align: left;"><a name="_ftn6" href="#_ftnref6">[6]</a> Nos objetivos específicos está implícito uma metodologia proposta pelo próprio Mattoso Camara, antes pesquisamos os métodos e concepções da obra de <strong><em>Pāṇini</em></strong>, depois sua influência nos estudos portugueses e por fim a relação com as teorias linguísticas, principalmente Sausurre, Bloomfield e Chomsky.</p>
<p style="text-align: left;">
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		</item>
		<item>
		<title>Casta, classe &amp; o erro de Karl Marx.</title>
		<link>http://www.leonardovalverde.com/casta-classe-o-erro-de-karl-marx/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Nov 2010 18:32:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[classe e casta]]></category>
		<category><![CDATA[igualdade social]]></category>
		<category><![CDATA[Marx]]></category>
		<category><![CDATA[Mises]]></category>

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		<description><![CDATA[No post anterior discuti a questão da igualdade social e, naturalmente, caí em uma outra questão: as classes. E desde Marx que a idéia de luta de classes é muito comum; e o que é pior, muitos não conseguem mais pensar fora desta idéia (ou ideologia). Marx estava errado quando analisou as classes. Ele confundiu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-591 alignnone" title="luta-de-classe" src="http://www.leonardovalverde.com/site/wp-content/uploads/2010/11/luta-de-classe.jpg" alt="luta-de-classe" width="456" height="331" /></p>
<h3 style="text-align: center;"></h3>
<p>No <a href="http://www.leonardovalverde.com/igualdade-social-ilusao-vedanta/" target="_blank">post </a>anterior discuti a questão da igualdade social e, naturalmente, caí em uma outra questão: <em>as classes</em>. E desde Marx que a idéia de luta de classes é muito comum; e o que é pior, muitos não conseguem mais pensar fora desta idéia (ou ideologia).</p>
<h3></h3>
<p>Marx estava errado quando analisou as classes. Ele confundiu <em>classe </em>com <em>casta</em>.</p>
<h3></h3>
<p>Já explico melhor a diferença das duas. Antes leiamos as palavras de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ludwig_von_Mises" target="_blank">Ludwig von Mises</a> sobre este assunto, encontrado no pequeno &#8211; e ótimo &#8211; livro<a href="http://ordemlivre.org/ebooks/Ludwig+von+Mises+-+As+Seis+Li%C3%A7%C3%B5es" target="_blank"><em> As Seis Lições</em></a>.</p>
<h3></h3>
<blockquote><p>Quando Karl Marx &#8211; no primeiro capítulo do Manifesto Comunista, esse pequeno panfleto que inaugurou seu movimento socialista &#8211; sustentou a existência de um conflito inconciliável entre as classes, só pôde evocar, como ilustração à sua tese, exemplos tomados das condições da sociedade pré-capitalista. Nos estágios pré-capitalistas, a sociedade se dividia em grupos hereditários de status, na Índia denominados &#8220;castas&#8221;.</p>
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</blockquote>
<p>A idéia do &#8220;conflito inconciliável de interesses&#8221; (entre as classes) se opôs à idéia liberal da &#8220;harmonia de interesses&#8221;. Mas como Mises nos diz aqui, Marx só pôde ilustrar como isso se dava com exemplos de sociedades pré-capitalistas. Em seu <em>Manifesto </em>ele de fato cita o exemplo da Índia. Agora, quando ele analisa esses &#8220;grupos hereditários de status&#8221; tomando como se fossem <em>classes</em>, ele, Karl Marx, erra. E não só referente a Índia, mas a Idade Média também. Para a abordagem sobre a Idade Média leiam o livro do Mises.</p>
<h3></h3>
<p>Agora, qual é a diferença entre classe e casta?</p>
<h3></h3>
<p>A palavra &#8220;classe&#8221; nos traz a idéia de <em>classificar</em>, já a palavra &#8220;casta&#8221;, que é feminino de &#8220;casto&#8221;, significa <em>puro</em>, <em>imaculado</em>. No <strong><em>śloka </em></strong>temos a palavra <strong><em>varṇa </em></strong>traduzida como &#8220;classe&#8221;, embora seu significado original seja &#8220;cor&#8221;. E a idéia de <em>cor</em>, <em>colorir </em>nos leva ao significado de <em>classificar</em>, <em>identificar</em>, <em>qualificar</em>, portanto, mais perto de <em>classe</em>. Já a palavra &#8220;casta&#8221; não nos traz a idéia de &#8220;classificar&#8221;, de &#8220;identificar&#8221;, e por isso não seria uma boa tradução para <strong><em>varṇa</em></strong>; assim como ficaria muito mais próxima à idéia de <em>grupos hereditários de status</em>. Por quê? Ora, para a idéia de <em>status hereditário</em> existir, é preciso que esteja implícita a idéia de &#8220;imaculável&#8221;, senão, não teria sentido ser transmitida por herança. Sem falar que a palavra sânscrita para <em>casta </em>é <strong><em>jāti</em></strong>.</p>
<h3></h3>
<p>Estabelecida a diferença, vejamos em que o Karl Marx erra, especificamente.</p>
<h3></h3>
<p>O erro cometido por ele é o mesmo que cometemos hoje: tentar compreender a &#8220;casta&#8221; de algum modo imediato, a partir de nossa própria civilização (Louis Dumont). E não é só isso. A confusão criada por Marx em relação às castas é a mesma existente na Índia de hoje, não se entende muito bem (o estudo de Louis Dumont, <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=164785&amp;sid=02341858112917639834645846&amp;k5=6F154F5&amp;uid=" target="_blank"><em>Homo Hierarchicus</em></a><em>, </em>é a tentativa de se entender os aspectos das castas) como a situação chegou a este ponto.</p>
<h3></h3>
<p>A idéia que estas classes são hereditárias, que bastaria o indivíduo nascer numa classe e família específica (numa das quatro <em><strong>varṇa</strong></em>) para ser marcado com a insígnia de uma das quatro classes, é moderna, portanto, não tradicional. O que determina a classe de um indivíduo, como exposto no <strong><em>śloka </em></strong>do <strong><em>Bhagavad Gītā</em></strong>, são suas <em>ações </em>e <em>qualidades</em>.</p>
<h3></h3>
<p>Tradicionalmente uma pessoa que nasça numa família de intelectuais (<em><strong>brāhmaṇa</strong></em>), mas não tenha a qualificação para exercer tais atividades e, portanto, acabe exercendo outras, não será um intelectual, e assumirá uma classe segundo suas <em>ações </em>e <em>qualidades</em>. Há até uma gradação das qualidades e atividades que um indivíduo pode exercer segundo a sua própria classe &#8211; e isso é exposto por inúmeros textos antigos, como os <strong><em>Dharmaśastra </em></strong>e alguns <strong><em>Purāṇa</em></strong>. Uma vez que uma pessoa de uma das quatro classes tenha consciência e saiba que é impossível haver sociedade sem múltiplas funções e atividades, e nem todos conseguem exercer todas as atividades (que determinam cada uma das <em>classes</em>), seria um erro ver este sistema de divisão como anti-natural, ou pior, anti-social. Não tendo, assim, espaço para o tal <em>conflito inconciliável de interesses</em> cunhado por Marx; a não ser que por <em>interesses </em>entendamos qualquer coisa que prescinda dos méritos necessários, ou seja, que se tenha interesse em algo sem exercer as <em>atividades </em>e ter <em>qualidades </em>para tal.</p>
<h3></h3>
<p>(Algo como um operário (<strong><em>śudra</em></strong>) chegar à presidência (<strong><em>kṣatriya</em></strong> ) sem a qualificação para o cargo ou exercer atividades que o levassem até o cargo (último) pretendido.)</p>
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<p>Parece-me que o grande &#8220;medo&#8221; de Marx, ao promover uma luta de classes, era o senso de <em>hierarquia </em>e também o <em>individualismo</em>, duas idéias prejudiciais para reestruturar uma sociedade sob o molde <em>socialista</em>. Sem esquecer que Marx sabia que a existência de ambas seria impossível extinguir.</p>
<h3></h3>
<p>Qualquer análise da <em>luta de classe</em> que não leve em consideração este erro de Marx, está sujeita a uma revisão séria. E muitas vezes me parece que a tal <em>luta </em>era só bravata de um revolucionário, alguém que no fundo sabia a verdade, mas tinha outras intenções.</p>
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