A jewel.

Sanskrit,Science -- 26 / May / 2013

From Bhagavad Gīta (7.7).

 

मयि सर्वम् इदं प्रोतं सूत्रे मणिगणा इव

mayi sarvam idaṃ protaṃ sūtre maṇigaṇā iva

On me all this universe is strung like clusters of jewels on a string.

It’s a beautiful line of poetry. A metaphor, of course. Lives inside life.

But perhaps we can even see the string theory on it.

Nenhuma resposta

Palavras para 2013.

Philosophy,Sanskrit -- 20 / December / 2012

 

श्रद्धावाँल् लभते ज्ञानं

śraddhāvām̐l labhate jñānaṃ

Possuindo fé, ele alcança o conhecimento.

 

 

Esta é a primeira oração (aqui, no sentido gramatical) da estrofe 39 do capítulo 4 do Bhagavad Gītā.

 

Embora ela já tenha sido um farol para mim ao longo de 2012, em 2013 este farol será ainda mais luminoso.

Em 2013 apresento à banca a minha dissertação de mestrado e sigo, se Deus quiser, para um doutorado (em Praga).

Estarei totalmente imerso na obra de Pāṇini, este gênio que seduziu minha mente desde que comecei a estudá-lo, em 2000.

 

De lá para cá são 12 anos em que não passo um único dia sem revisar mentalmente um sūtra de sua gramática (sim, sou um fanático, rs), isso fez com que ao longo destes anos eu saiba de cor 1150 sūtra(s).

Como costumo dizer: uma bela brincadeira de adulto.

 

É o que desejo aos demais também, porque a única coisa que eu sei (cada vez mais), é que só o Conhecimento salva.

E sem fé (sobretudo em Deus) o Conhecimento não pode ser alcançado.

Um Feliz Natal e um 2013 de grandes realizações a todos!

 

4 respostas

Brasil, ainda uma viela.

Literature -- 19 / October / 2012

 

(Minha resposta à novela Avenida Brasil, que termina hoje)

 

Não ler Machado

é machadada

numa cabeça

que vê novela

e se esparrama

pela viela

querendo ser

uma avenida,

sai Capitu

entra Carminha,

literatura

baixo escalão,

esta tevê

acorrentada

ao imaginário

de um povo heróico

sem retumbância,

um emergente,

mas sem visão.

 

Silêncio, nada.

Barulho, tudo.

E vemos graça

onde a pirraça

de um mensalão

onera um povo

sem escrutínio,

uma avenida

sem pavimento,

esburacada,

de asfalto velho.

José Dirceu

absolvido,

o barbudinho

sem julgamento,

com este povo

quase jumento,

relincha agora

como jamais

relinchou antes,

e segue a rua

até Brasília,

arquitetura

descomunal,

avermelhada

por este barro

que faz a lama

e apaga a chama

da geração

de “jovens” loucos

que não lêem livros

e bradam forte:

televisão!

3 respostas

Um jesuíta compreende Pāṇini.

Linguistics,Sanskrit -- 23 / August / 2012

Eis um post bem específico, mas não menos interessante – creio.

 

O estudo da linguagem, até o século XVIII, tinha como modelo as gramáticas do latim e do grego, e as gramáticas vernáculas eram escritas a partir delas. Isso só começa a mudar com as missões jesuíticas no Oriente, uma época muito fértil na descoberta de estudos e novas formas de se observar uma língua. A carta escrita pelo padre jesuíta Jean-François Pons, em 1740, enviada ao amigo du Halde, em Paris, é um excelente exemplo da época áurea destas descobertas. Nela encontramos a primeira menção a Pāṇini (Pania) e uma descrição exata da gramática tradicional do sânscrito; a esta altura, Pons já tinha começado, em 1738, a escrever sua gramática de sânscrito em latim.

 

Esta gramática foi estudada, mais tarde, por grandes filólogos do século XIX, tais como A.L. Chézy (fundador do curso de sânscrito no Collège de France) e Franz Bopp.

 

Eu traduzo e comento esta carta na minha dissertação de mestrado, no primeiro capítulo.

 

Aqui, coloco o terceiro parágrafo adaptado, o mais gramatical deles:

 

Está publicada em Lettres édifiantes Et Curieuses, écrites Des Missions Étrangères, par quelques Missionaires de la Compagnie de Jesus, XXVI, II, pag. 39.

 

Il est étonnant que l’esprit humain ait pu atteindre à la perfection de l’art qui éclate dans ces grammaires. Les auteurs y ont réduit par l’analyse, la plus riche langue du monde, à un petit nombre d’élémens primitifs, qu’on peut regarder comme le caput mortuum de la langue. Ces élémens ne sont par eux-mêmes d’aucun usage, ils ne signifient proprement rien ; ils ont seulement rapport à une idée, par exemple Kru à la idée d’action. Les élémens secondaires qui affectent le primitif, sont les terminaisons qui le fixent à être nom ou verbe ; celles selon lesquelles il doit se décliner ou se conjuguer, un certain nombre de syllabes à placer entre l’élément primitif et les terminaisons, quelques propositions, etc. A l’approche des élémens secondaires le primitif change souvent de figure ; Kru, par exemple, devient, selon ce qui lui est ajoûté, Kar, Kra, Kri, Kir, etc. La synthése réunit et combine tous ces élémens, et en forme une variété infinie de termes d’usage.

 

 

É espantoso como o espírito humano pôde atingir a perfeição da arte que começou nestas gramáticas. Os autores reduziram a análise, da mais rica língua do mundo, a um pequeno número de elementos primitivos, que pode se considerar como a caput mortuum da língua. Estes elementos não são de nenhum uso, eles não significam propriamente nada, eles só relatam uma idéia, por exemplo Kru à idéia de ação. Os elementos secundários que afetam o primitivo são as terminações que o fixam em ser nome ou verbo, aquelas segundo as quais ele deve se declinar ou se conjugar, um certo número de sílabas para empregar entre o elemento primitivo e as terminações, algumas orações e etc. Com a aproximação dos elementos secundários, o primitivo muda muitas vezes de figura; Kru, por exemplo, devem, segundo este que lhe é acrescentado, Kar, Kra, Kri, Kir, etc. A síntese reúne e combina todos estes elementos e os forma uma variedade infinita de termos de uso.

 

 

Este é o parágrafo mais gramatical, onde Pons mostra que realmente conhecia a língua que descrevia em sua carta. Ele descreve aqui os élémens primitifs, ou dhātu, as raizes verbais, de onde se origina toda palavra declinada ou conjugada do sânscrito. O modo como descreve a estrutura da língua é exato. Estas raizes são, de fato, o caput mortuum da língua, o elemento da língua que não pode ser reduzido, que traz a ideia primária (e mais profunda). As raizes não podem ser expostas como palavras sem antes passarem por uma mudança morfológica. Y. Dahiya, em seu Panini as a Linguist, afirma, sobre estas raizes, que “Pāṇini has not defined the dhātu in his treatise. But he has listed 2014 roots under ten groups in an appendix called Dhātupāṭha (pg.100).”

 

Em todo caso, um bom exemplo para ter ideia como Pāṇini expõe estas raizes verbais, é o aforismo (sūtra) um do capítulo três da primeira parte de sua obra:

bhūvādayo dhātavaḥ  (I.3.1)

As raizes verbais [são] de bhū (ser/estar) em diante.

Um outro exemplo parecido, porém mais específico:

 

sanādyantā  dhātavaḥ  (III.1.32)

As raizes verbais [são aquelas com o afixo] san, do começo ao fim.

Ou ainda um outro, mais direto:

dhātoḥ (III. 1. 91)

Da raiz verbal.

Este é um adhikāra sūtra, um tipo de aforismo que “governa”, “lidera” outros.

 

Uso o próprio exemplo de Pons para expor, mais descritivamente, o que ele trata.

 

a) Peguemos a raiz verbal kṛ (Kru), que traz a ideia de ‘fazer’, ‘agir’.

b) Apliquemos a ela a estrutura morfológica que ele descreve no fim do parágrafo:

 

b.1) Substantivo:

kṛ > kar + ma + n > karman + 0 > karma =  as ações, as atividades (nominativo, singular)

 

b.2) Verbo:

kṛ > kar + o > karo + ti > karoti = ele faz, ele age (terceira pessoa, presente)

 

Das dez classes de raizes verbais sânscritas, que se encontram no Dhātupāṭha (coleção de raizes) da obra de Pāṇini, a raiz kṛ aparece nas classes primeira, sexta e oitava. Ela, portanto, sofre uma mudança (kṛ > kar) morfológica (na verdade, morfofonêmica) que é descrita como (as regras) vṛddhi e guṇa, colocadas no primeiro e segundo aforismos da obra Aṣṭādhyāyī – para vermos o grau de importância. Na última frase do parágrafo, Pons descreve a tecnologia da gramática sânscrita pela qual as raizes verbais, mediante a transformação morfofonêmica e estrutural correspondentes, dão origem a um número infinito de palavras – inclusive atuais. Uma tecnologia procurada por Willem von Humboldt no século XIX, e, mais tarde, por Noam Chomsky.

 

Quando Pons fica espantado com a perfection de l’art desses gramáticos, sendo Pāṇini o primeiro com uma obra escrita, podemos entender a diferença entre a gramática latina e sânscrita, assim como a importância desta para os estudos linguísticos.

 

 

 

Nenhuma resposta

Inspired Universe.

Literature,Vedanta -- 15 / June / 2012

Here are the three śloka which inspired me to write my first children book.

 

They are from Bhāgavata Purāa (skandha 10, adhyāya 8,  śloka 35, 36, 37).

As the book was written in English, I translated them to English too.

One thing to keep on mind when we read this Purāa, is what I wrote here.

 

So enjoy them and put your imagination to fly…

 

OBS: with the next post it will be more clear what they really mean. Stay tuned…

 

35.

नाहम् भक्षितवानम्ब सर्वे मिथ्याभिशंसिनः

यदि सत्यगिरस्तर्हि समक्षं पश्य मे मुखम

nāham bhakṣitavānamba sarve mithyābhiśaṁsinaḥ

yadi satyagirastarhi samakṣaṁ paśya me mukham

 

Mãe, eu não comi (terra), todos (fazem) falsa acusação,

se a fala (é) verdade, veja a minha boca com seus olhos.

Mom, I have not eaten (earth), all they (do) false accusation,

if the speech (is) true, see my mouth before the eyes.

36.

यद्येवं तर्हि व्यदेहीत्युक्तः स भगवान् हरिः

व्यादत्ताव्याहतैश्वर्यः क्रीडामनुजबालकः

yadyevaṁ tarhi vyadehītyuktaḥ as bhagavān hariḥ

vyādattāvyāhataiśvaryaḥ krīḍāmanujabālakaḥ

 

“Neste caso, abra bem (a sua boca)” – dito assim – Ele, o Glorioso Hari,

abriu sem impedir sua opulência, (como) brincadeira de criança humana.

“In this case, open (your mouth) wide” – said so – He, the Glorious Hari,

opened it without impeding (his) opulence, (like) human child game.

37.

सा तत्र ददृशे विश्वं जगत् स्थास्नु च खं दिशः

साद्रिद्वीपाब्धिभूगोलं सवाय्वग्नीन्दुतारकम

sā tatra dadṛśe viśvaṁ jagat sthāsnu ca khaṁ diśaḥ

sādridvīpābdhibhūgolaṁ savāyvagnīndutārakam

 

Ela viu lá (dentro da boca) todo (o universo) móvel e imóvel, as direções,

o céu, montanha, ilha, oceano, o hemisfério terrestre, vento, fogo, lua, estrela.

She saw there (within the mouth) every movable and unmovable (universe),

the directions, sky, mountain, island, ocean, the Earth hemisphere, wind, fire, moon, star.

 

 

Nenhuma resposta

Gramática, Comunicação, Propaganda & Publicidade.

Education,Linguistics -- 22 / March / 2012

Ainda venho com o Steve Jobs. Já terminei de ler a biografia, e recomendo.

 

Todos que conhecem a Apple, conhecem seu moto: “pense diferente”.

 

Leiam aqui como ele nasceu:

 

“Debateram a questão gramatical. Se “diferente” modificava o verbo “pense”, talvez fosse advérbio, como em “pense diferentemente”. Mas Jobs insistia em usar “diferente” como substantivo, a exemplo de “pense vitória” ou “pense beleza”. Além disso, refletia o uso coloquial, como na frase “pense grande”. Como ele explicaria mais tarde: “Discutimos se estava correto antes de levarmos ao ar. É uma construção gramatical, quando se pensa no que queremos dizer. Não é pense o mesmo, é pense diferente. Pense um pouco diferente, pense muito diferente, pense diferente, ‘Pense diferentemente’, para mim, não alcançaria o sentido”. (Steve Jobs, W. Isaacson; Companhia das Letras)

 

Agora vamos à filosofia da gramática:

 

(Neste caso, a reflexão serve tanto para o português quanto para o inglês.)

 

Primeiro vamos à análise do “diferente”. Esta palavra, na verdade, é uma forma nominal do verbo “diferir”, um particípio presente latino chegado à língua portuguesa (formando palavras em  ente, para a 2ª conjugação; temos ainda em ante, 1ª, e em inte, 3ª) sem seu valor participial, portanto, assumindo valores de adjetivo ou substantivo. Diferente é adjetivo, neste caso. Mas o Jobs insistia em usá-lo (different) como substantivo! Pois é, ele estava certo. O que ele usou, não à toa, é chamado de intercâmbio taxionômico, i.e., ele pegou uma palavra de uma classe e passou para outra classe, de adjetivo para substantivo.

 

E por que usar um advérbio (diferentemente, differently) não fazia sentido?

 

Pensemos, pois. Ora, o que um advérbio faz? Modifica o verbo. E por quê? Porque este verbo não tem força suficiente de “andar” sozinho, ou melhor, de se expressar sozinho. Se Jobs colocasse “pense diferentemente”, este advérbio modificaria o verbo “pense”, tão importante para a publicidade da marca Apple, e ao mesmo tempo, o “diferente” já expressaria um valor coadjuvante. Mas Jobs queria “pense” e “diferente” em papéis principais. Seu moto dependia disso, sua publicidade também.

 

Daí observamos o quanto o conhecimento gramatical (sem gramatiquices) pode ajudar à Comunicação de uma marca.

 

Pense nisso!

 

OBS: O intercâmbio taxionômico de adjetivo para substantivo seria entendido pelo uso genérico da nomenclatura latina: nomen. Para nomen substantivum, nomen adjectivum. Ambos, portanto, são nomen.

Uma resposta

Steve Jobs – uma lição de educação para o Brasil.

Education -- 22 / February / 2012

 

Nunca fui chegado a ler biografias, mas ao pegar a biografia do Steve Jobs para ler, não consigo parar, já estou quase no fim em menos de uma semana. Não sou (ou talvez não era) um aficionado da Apple, daqueles que correm à loja para comprar o último gadget, tenho meus aparelhinhos, mas (ainda) nem lhes escrevo em um Mac.

 

A biografia do Jobs não é só a sua história, é a história dos EUA, e até mais, do mundo da computação, da metade do século XX para cá (Jobs nasceu em 1955), e esta história é que me fascinou, contada com o colorido pessoal (e não-convencional) do pai da maçã mordida. Acredito que ali estão algumas lições para o Brasil de hoje.

 

O que me chamou a atenção na biografia foi saber sobre a educação dos EUA na época (mostrada de forma bem pessoal), e completamente perplexo constatei: já na década de 50 os EUA tinham uma educação melhor da que temos hoje no Brasil. Não falo da tecnologia, mas do sistema educacional. Lemos na biografia que as escolas eram diferentes, com os currículos variados, e, assim, tinham escolas de todo tipo. Os grupos de estudos eram os grandes acolhedores de inteligência, muitos, inclusive, tinham patrocínio de empresas e apoio de universidades. O Jobs garoto, aficionado por eletrônica, entrava tranquilamente na biblioteca de Stanford, inclusive por uma porta que sabia que estava sempre aberta; a sua ousadia e inteligência levavam-no a entrar em contato com os maiores representantes da época desta cultura tecnológica da qual ele seria o seu maior expoente. Sua educação, em suas palavras, foi uma busca pelo “artístico e interessante”.

 

Essa busca no Brasil seria impossível, e isso não é força de expressão. Não interessa se você mora ou em Roraima ou no Rio Grande do Sul, você estudará o mesmo conteúdo, terá o mesmo currículo, e, independente de seus interesses, obrigatoriamente estudará o que o MEC (com seus burocratas) lhe impuser. E se os pais pensarem em educar seus filhos de modo diferente, talvez fora deste tipo de escola, poderão ser presos, eles poderão até perder a guarda de seus filhos. Este é o Brasil. Se assim fosse nos EUA, Steve Jobs e seus pais teriam alguns problemas – e nós também, por certo.

 

No Brasil não somos educados para crescer, somos educados para virarmos burocratas e funcionários públicos, somos um país de imaturos, onde um Steve Jobs – constatação ao ler sua biografia – jamais seria possível. Por aqui, somos educados em série, e a educação é idealizada por quem menos entende do assunto, responsabilizada por todos menos os pais (os maiores responsáveis pela educação de um filho). O Estado, aqui, diz para os pais: “olha, você não conhece seu filho mais do que eu, então, deixe-o comigo, que o transformarei no que eu quero, e não no que você acha que é melhor para ele”.

 

Não interessa para o MEC se você colocará seu filho numa escola pública ou privada, as escolas são as mesmas no Brasil, nada muda, e nada mesmo. E não adianta dizer que em sua escola foi diferente porque tinha “artes”, “teatro”, “eletrônica” ou coisa parecida, do currículo único, seja nas disciplinas oficiais ou nas “alternativas”, vem a mesma idéia, e quando alguma coisa muda, é porque um professor tem consciência (que aqui não é sinônimo de consciência política, outro problema no Brasil) para fazer um trabalho num molde diferente, que leve adiante uma educação madura – eu tive professores assim. Eu realmente gostaria de acreditar que isso está mudando, mas, sendo um realista, vejo: não está. Quando digo que o MEC é o grande responsável por reduzir a inteligência de milhões de crianças, não estou exagerando, e muito menos fazendo jogo retórico, pois é o que acontece: milhões de inteligências com o desestímulo de um sistema educacional que não prioriza o indivíduo, sua curiosidade, e ainda o coloca numa bolha de ilusões.

 

Educação não combina com padronização, não combina com coletivismo, e nem mesmo com políticas públicas (sempre coletivistas). Não precisa ser especialista para ver que as buscas de cada indivíduo são diferentes, até mesmo numa mesma área, e no Brasil não é comum, na educação, privilegiarmos as diferenças, algo tão característico ao nosso povo e à nossa cultura – aliás, exaltada aos quatro ventos.

 

O Steve Jobs  foi buscar sua formação, porque um gênio não nasce pronto, ele se faz.

 

PS: É bom que se diga: o S. Wozniak também era outro gênio, por quem fiquei bastante impressionado.

5 respostas

Um 2012 excelente…

Notices -- 30 / December / 2011

Prezados,

Para aqueles que vêm ao site, um excelente 2012!

Que ele seja iluminado com a luz do conhecimento, porque só o conhecimento salva.

Quero estar mais presente em 2012 aqui no site, pois este ano foi difícil.

ॐ नमो भगवते वासुदेवाय

3 respostas

Perceber as duas ações – política a partir do Bhagavad Gītā.

Philosophy -- 20 / October / 2011

realidade-nao-parece

Política é como o homem age na cidade. E a cidade é seu cosmos.

Em um período que todos vão às ruas protestar, é importante saber a natureza dessas ações.

Se o Bhagavad Gītā trata (também) de ação, necessariamente trata de política.

Cito aqui o śloka 18 do capítulo 4 para analisarmos a ação. Vejamos:

कर्मण्यकर्म यः पश्येत्  अकर्मणि च कर्म यः

स बुद्धिमान् मनुष्येषु  स युक्तः कृत्स्नकर्मकृत्


karmaṇyakarma yaḥ paśyet  akarmaṇi ca karma yaḥ

sa buddhimān manuṣyeṣu  sa yuktaḥ kṛtsnakarmakṛt

Quem percebe inação na ação e ação na inação,

é o inteligente entre os homens, ele está conectado e executa todas as ações.

Um esclarecimento anterior:

1) O verbo paśyet (potencial, 3ª pessoa do sing. < dṛś> , ver) é central, porque aqui ele determina um sādhana (uma prática). A importância de perceber nossas ações torna-se uma prática; o homem inteligente é aquele que percebe suas ações, e uma vez conhecida a natureza de ambas as ações (ou seja, conectado), ele executa (realmente) as ações.

2) Aqui a palavra karma não tem o significado de lei (ação-reação) diretamente, ainda que possamos deduzir essa lei a partir de uma conotação. (Outro dia explico esta lei.)

Agora, vamos lá.

Para facilitar o entendimento dos dois tipos de ação propostos no śloka, trago dois dos conceitos mais usados para determinar tipos de ação segundo a política moderna.

São eles: ação reacionária e ação revolucionária.

Antes esclareço a diferença (uma das possíveis):

Ação reacionária:

É aquela que alguém adota, diante de uma ação anterior que o desagrade, sem impor esta sua ação aos demais.

Ação revolucionária:

É aquela que alguém adota, diante de uma situação que o desagrade, impondo esta sua ação aos demais.

OBS: Esqueçam os termos “direita” e “esquerda” para a análise que faço.

Mas antes, simplifico ainda mais:

O reacionário se opõe a uma fórmula certa e exata para todas as ações.

O revolucionário impõe uma fórmula (sua) certa e exata para todas as ações.

O primeiro descreve uma ação passada, o segundo prescreve uma ação futura.

Agora vamos ao śloka.

a) inação na ação: uma ação será inação quando for movida por desejo, kāma, e neste caso, um desejo (determinado pela mente, uma vez a serviço do ego) leva a um modelo de futuro, que, como sabemos, é sempre incerto. Uma ação que se fundamenta em uma idéia de futuro; portanto, revolucionária.

OBS: esta ação, por levar a um modelo de futuro, reivindica a igualdade.

b) ação na inação: uma inação será uma ação quando for movida por uma ausência de desejo, niṣkāma, e neste caso, esta ausência o leva à análise da ação anterior, que será, por sua vez, sempre passível de análise. Uma ação que se fundamenta em uma idéia de passado; portanto, reacionária (de reação mesmo).

OBS: já esta, por reagir a uma ação passada, reivindica a liberdade.

A primeira ação é determinada pelo ego (ahaṅkāra).

A segunda pela inteligência (buddhi).

*****

Coletivamente só deveríamos praticar a ação reacionária, pois sempre implica em dar consideração à ação anterior. A revolucionária já está mais afeita ao indivíduo, pois seus desejos determinarão sua própria vida sem se importar com um passado ou a imposição de um modelo (que será seu e único).

Portanto, quem percebe realmente as ações (o inteligente) se conecta com a natureza de cada ação, e pode executar todas elas, sabendo que ação praticar, e em que momento.

Agora vão aqui, e leiam este excelente texto do poeta Fernando Pessoa. Que diz algo bem parecido.

Nenhuma resposta

Les français, português, saṁskṛtam.

Education,Linguistics -- 11 / July / 2011

sanskrit-francais

Recentemente traduzi a carta do padre jesuíta francês Jean François Pons, considerada o primeiro documento formal que atesta a estrutura da língua sânscrita pelos europeus. É a carta direcionada ao padre jesuíta du Halde, de 1740. Antes achávamos que um primeiro documento formal dos estudos sânscritos pelos europeus teria sido o famoso discurso de William Jones, em 1788, depois de ter escrito, em 1786, seu The Sanskrit Language. No entanto, recentemente foi descoberta uma gramática de sânscrito escrita em latim, chamada Grammaticca Linguae Sanscretanae Brachmanum Indiae Orientalis, de 1660, de autoria do também padre jesuíta Heinrich Roth (encontrada por Arnulf Camps, e hoje preservada na Biblioteca Nazionale Centrale, Roma). Ou seja, logo após a descoberta da carta de Pons, descobriram a gramática de Roth. Mas a carta de Pons menciona ini, e a gramática de Roth, não.

Esta tradução estou editando para ser publicada em alguma revista especializada. Mas este trabalho me fez refletir sobre algo importante, e que – parece-me – faz com que os franceses tenham uma ‘consciência linguística’ melhor do que a nossa. Veja lá, a carta é de 1740. E sabe qual a dificuldade que eu, um brasileiro que lê francês, tive para lê-la?

Modéstia à parte, nenhuma. Nem para traduzi-la.

Bem, se eu consigo lê-la, imagina um garoto de um lycée francês…

E veja, peguei até um romance em francês mais atual, Le travail de l’huître, do escritor canadense Jean Barbe, e comparei-o com a carta de 1740, olhei todas as formas verbais de uma e de outro, as preposições, a sintaxe etc. Tudo igual. Quer dizer, temos a mesma sintaxe, tanto na carta de 1740, quanto no roman de 2008. O ponto ao qual quero chegar é o de tentar entender por que aqui no Brasil temos essa “gana” da inovação. E pior, por inovação entende-se, às vezes, reduzir a linguagem ao seu pior. Sim, porque linguagem pode não lidar com certo e errado, mas lida com melhor e pior. A linguagem é uma teknè, uma arte, um conhecimento que pode ser aprendido e ensinado.

E por que na França não vejo inovação da linguagem? Ou reduzirem-na ao seu pior?

Talvez porque os franceses tenham esta consciência de que a língua, sendo uma técnica, e esta técnica chegada ao seu patamar mais alto, deve ser preservada. Não como em um museu, preservada em formol, mas usada no dia a dia em sua forma mais excelsa.

Talvez por falta dessa consciência é que muitos aqui “empacam” ou chiam quando hoje se debruçam num texto machadiano, com toda aquela beleza sintática. Ou pior, quando exaltam como “língua da elite” o uso de uma língua mais cuidada, melhor construída, utilizando todos os recursos técnicos que sua tradição linguística pode nos dar.

Se não nos conscientizarmos, em bem pouco tempo, Machado não será conhecido pelos seus textos, nem Manuel pela sua poesia, e olha que nem falo de uma língua de 1740.

3 respostas

« Artigos mais novos - Artigos mais antigos »