Os números cantam.

Eu nunca fui bom em matemática, pegava o básico fácil, mas as equações e problemas mais complicados eu praticamente decorava (tenho uma memória ótima) para passar.
Mas confesso: de longe, ela sempre me fascinou.
E agora, depois de anos, volto à matemática através do sânscrito. Traduzo, no momento, os 16 sūtra vindos do atharva veda (portanto, tão antigos quanto esta obra) e redescobertos por Bharati Krishna Tirthaji; estes sūtra são a base da Matemática Védica. Nunca foram traduzidos diretamente para a língua portuguesa.
Todo sūtra é acompanhado por outro que complementa a regra. Este aqui é o primeiro:
एकाधिकेन पूर्वेन
ekādhikena pūrvena
Por um a mais ao antecedente.
eka-adhikena - por um ‘a mais’, adicional; pūrvena - por antecedente, anterior, prévio.
OBS: O um aí é logicamente o numeral, o sânscrito não possui artigo indefinido.
आनुरूप्येण
ānurūpyeṇa
Por conformidade.
ānu-rūpa - com-forma
Esta regra serve para tudo o que se pode contar, o tempo inclusive, que, aliás, também age por conformidade, por proporcionalidade tanto quanto os números, chamados naturais.
E esta conformidade não é só numérica; percebam os eventos mais básicos da natureza!
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Depois de traduzidos, quero ver se consigo publicar em alguma revista de matemática. Seria muito legal…
Update – notas linguísticas & filosóficas + links
As três palavras dos sūtra acima estão no 3º caso (os casos declináveis em sânscrito são nomeados por números ordinais do primeiro ao oitavo), chamado de Instrumental.
Sendo assim, a melhor preposição para acompanhá-lo é o por. No entanto, ao traduzir a palavra pūrvena, usei a preposição a em composição ao artigo o (que neste caso não tem tanta importância) ao invés do por habitual. É óbvio que o por ali seria bem forçado, e o em contraido ao artigo (no) eu forçaria o sânscrito, já que esta preposição é mais usada para o 7º caso, ou Locativo. A escolha do a veio com o sentido de “movimento do um para o anterior” (1+1, 2+1, 3+1, etc.), o numeral é sempre o mesmo, um, e a quantidade, portanto, também. Esse detalhe é importante? É, e muito.
Vejam. E aqui entro num ponto mais filosófico.
A natureza do um sempre é a mesma. Já a natureza do “antecedente” é deixada de lado:
… o 1 vira 2 ao ser somado ao 1, o 2 vira 3, e assim sussessivamente.
Temos aí o movimento do 1 para o “antecedente”, e não o contrário. Resumindo:
A natureza de um número muda logo quando 1 é acrescentado a ele, já a natureza do 1 só muda uma vez, quando ele é apenas o primeiro desses “antecedentes”, que somado ao 1, vira 2.
Por isso, só o 1 (eka) se movimenta. E assim temos a acepção da preposição a indicada.
OBS:
1) Esta explicação é aplicável somente ao sūtra com a palavra em questão.
2) E vejam que no mesmo sūtra há outro caso do mesmo caso, por assim dizer.
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Você poderá saber mais sobre Matemática Védica aqui. E uma explicação matemática da maioria dos 16 sūtra aqui. Agora, se quiser mandar ver, compre este livro. Ou leia um resumo dele aqui.
