Ex machina – o gadget humano.
Hoje falamos da tecnologia ser uma possível extensão do homem. Reflitamos…
No Bhagavad Gītā (18.61) é dito que estamos fixos numa tecnologia. Que ela é (só) parte do que somos, e por estarmos imersos em medidas, pouco nos damos conta.
ईश्वरः सर्वभूतानां हृद्देशेऽर्जुन तिष्ठति
भ्रामयन् सर्वभूतानि यन्त्रारूधानि मायया
īśvaraḥ sarvabhūtānāṁ hṛddeśe’rjuna tiṣṭhati
bhrāmayan sarvabhūtāni yantrārūdhāni māyayā
O Senhor situa-se no coração de todos os seres, Arjuna;
e movimenta os seres fixos numa máquina por medição (ilusão).
Vamos fazer um esquema inverso ao śloka:
māyā + yantra + hṛd < bhūta < īśvara
agora assim:
hardware < app. / softwares < Software
Existem pontos filosóficos bem interessantes neste śloka, vejamos:
A palavra māyā, vem da raiz mā, significa ‘medir’, e aborda dois temas:
a) como medida para ‘mundo’, físico, o ‘reino das medidas’;
b) como medida para ‘estreito’, limitado psicologicamente, ‘medidas da mente’.
OBS: É a partir do segundo significado que acabam traduzindo por ilusão.
A palavra yantra, vem da raiz yam, significa ‘suportar’, ‘sustentar’, ou:
É o suporte, é a máquina, sem ela não há lugar para o coração, nem para o ser. Esta máquina é causada pelas medidas (elementos) materiais, e também é quem causa as medidas psicológicas (ilusórias), quando o ser identifica-se com ela.
Temos assim:
Software (īśvara) > app. / software (bhūta) > hardware (yantra)
O app. (alma) vai sempre depender do Software (Senhor) para poder ser, e do hardware (máquina) para poder existir.
Portanto, nós estamos numa máquina, e fazemos parte de um sistema.

