Arquivo para o  marcador' Purana'

Inspired Universe.

Publicado sob a(s) categoria(s) Literature,Vedanta em 15 de June de 2012

Here are the three śloka which inspired me to write my first children book.

 

They are from Bhāgavata Purāa (skandha 10, adhyāya 8,  śloka 35, 36, 37).

As the book was written in English, I translated them to English too.

One thing to keep on mind when we read this Purāa, is what I wrote here.

 

So enjoy them and put your imagination to fly…

 

OBS: with the next post it will be more clear what they really mean. Stay tuned…

 

35.

नाहम् भक्षितवानम्ब सर्वे मिथ्याभिशंसिनः

यदि सत्यगिरस्तर्हि समक्षं पश्य मे मुखम

nāham bhakṣitavānamba sarve mithyābhiśaṁsinaḥ

yadi satyagirastarhi samakṣaṁ paśya me mukham

 

Mãe, eu não comi (terra), todos (fazem) falsa acusação,

se a fala (é) verdade, veja a minha boca com seus olhos.

Mom, I have not eaten (earth), all they (do) false accusation,

if the speech (is) true, see my mouth before the eyes.

36.

यद्येवं तर्हि व्यदेहीत्युक्तः स भगवान् हरिः

व्यादत्ताव्याहतैश्वर्यः क्रीडामनुजबालकः

yadyevaṁ tarhi vyadehītyuktaḥ as bhagavān hariḥ

vyādattāvyāhataiśvaryaḥ krīḍāmanujabālakaḥ

 

“Neste caso, abra bem (a sua boca)” – dito assim – Ele, o Glorioso Hari,

abriu sem impedir sua opulência, (como) brincadeira de criança humana.

“In this case, open (your mouth) wide” – said so – He, the Glorious Hari,

opened it without impeding (his) opulence, (like) human child game.

37.

सा तत्र ददृशे विश्वं जगत् स्थास्नु च खं दिशः

साद्रिद्वीपाब्धिभूगोलं सवाय्वग्नीन्दुतारकम

sā tatra dadṛśe viśvaṁ jagat sthāsnu ca khaṁ diśaḥ

sādridvīpābdhibhūgolaṁ savāyvagnīndutārakam

 

Ela viu lá (dentro da boca) todo (o universo) móvel e imóvel, as direções,

o céu, montanha, ilha, oceano, o hemisfério terrestre, vento, fogo, lua, estrela.

She saw there (within the mouth) every movable and unmovable (universe),

the directions, sky, mountain, island, ocean, the Earth hemisphere, wind, fire, moon, star.

 

 

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Minha oração natalina.

Publicado sob a(s) categoria(s) Culture,Notices,Philosophy em 23 de December de 2010

sanskrit2

Este ano retiro minha oração do Bhāgavata Purāṇa (1.8.18), um texto caro a mim, por sua magnificência poética e filosófica, um texto sobre-humano (apauruṣeya), revelado:


कुन्त्युवाच

नमस्ये पुरुषम् त्वाद्यम्  ईश्वरम् प्रकृतेःपरम्

अलक्ष्यं सर्वभूतानाम्  अन्तर् बहिर् अवस्थितम्


kuntyuvāca

namasye puruṣam tvādyam  īśvaram prakṛteḥ param

alakṣyaṁ sarvabhūtānām  antar bahir avasthitam


Kunti disse:

Reverência a Ti, Pessoa primeira, o controlador além da matéria;

invisível a todos os seres, situado dentro e fora (de tudo e todos).

Este ano não peço por nada, só agradeço. Salve!

Um Feliz Natal a todos!

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O comentário original. (ou vedānta na veia…)

Publicado sob a(s) categoria(s) Philosophy,Vedanta em 04 de April de 2010

bhagavata-manuscrito

Tenho afirmado que no Brasil o vedānta ainda é muito (e somente) visto através dos seus comentadores e mestres corolários, quero dizer, somos bem pouco afeitos ao seu estudo direto, àquele espírito determinado (jijñāsā) no começo mesmo do vedānta sūtra.

Mais ainda: a noção de que estes comentários feitos pelos mestres originais da linha e abordagem referentes se bastam separadamente. Alguns estudam apenas uma linha filosófica, uma abordagem, e lidam com ela como se o vedānta se bastasse nessa linha ou abordagem. É um erro. E um erro grave. Uma imaturidade de estudo, digamos. Aquele que estuda todos os comentários, um a um, vê que eles se completam, vê que todas as visões colocadas por cada um destes mestres não se bastam separadamente, nem determinam o que nós (não) conhecemos por vedānta.

E tem mais, se seguirmos a atitude do último grande mestre da tradição, o formulador da última doutrina, Caitanya (1486-1534) e sua acintyabhedābheda; o certo seria analisar e estudar o comentário original do vedānta sūtra: o bhāgavata purāṇa.

Onde a primeira de suas 18.000 estrofes começa do mesmo modo que a obra da qual é um comentário. E isso já é indício de que falamos de duas obras complementares:

No vedānta sūtra 1.1.2, para começar a definir quem é o Absoluto, encontramos:

जन्माद्यस्य  यतः

janmādyasya  yataḥ

O nascimento etc. deste (mundo) (vem) Dele.

E no bhāgavata purāṇa encontramos este sūtra acima como o começo (1.1.1), para chegar lá no fim da obra e obtermos, de fato, a confirmação de ser um comentário:

No skandha 12, adhyāya 13, śloka 15, diz o seguinte:

सर्ववेदान्त सारं हि श्री भागवतम् इष्यते

sarvavedānta sāraṁ hi śrī bhāgavatam iṣyate

O esplendoroso bhāgavata é anunciado (como) a essência de todo o vedānta, de fato.

Mais recentemente, no século XX, e ainda vivo, um mestre e intelectual vaiṣṇava de grande competência, Haridas Shastri Maharaj, fez um trabalho até então inédito: o estudo das duas obras e sua relação filosófica, provando assim que o bhāgavata purāṇa é de fato a essência do vedānta sūtra.

Eu tive a oportunidade de estudar este trabalho e ver por mim mesmo sua profundidade.

O mais interessante é que o vedānta sūtra sendo uma obra mais “seca”, só com aforismos filosóficos, faz com que o bhāgavata purāṇa acabe completando-o bem, suas histórias e símbolos tornam a filosofia vedānta mais palatável; algo já encontrado em outros textos adotados pela tradição, as upaniṣad, o famoso bhagavad gītā e alguns comentários (bhāṣya) dos mestres originais.

OBS: É importante saber que além dos comentários dos mestres de cada linha filosófica, alguns fantásticos, há um comentário original idependente dessas linhas e seus mestres.

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Novos afluentes.

Publicado sob a(s) categoria(s) Literature em 09 de September de 2009

baudelaire-manet

Continuando o raciocínio do post abaixo, estou cismado com o plural de Ganges (Des Ganges…) nessa estrofe do poema Rêve Parisien; será que o bardo francês sabia ainda mais? Com esse plural aí, desconfio até que o Baudelaire sabia dos quatro afluentes do Ganges: sītā, alankanānda, cakṣu e bhadrā. Eles saem do monte meru, que fica em brahmapurī (ou, o lugar de Brahmā), em direção ao oceano de água salgada.

Uma das versões de toda essa história está no Bhāgavata Purāṇa.

*********

Só para lembrar: hoje é dia 09.09.09. O número 9 é símbolo de Deus.

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Os rios de Baudelaire.

Publicado sob a(s) categoria(s) Literature em 03 de September de 2009

baudelaire-courbet

Insouciants et taciturnes,

Des Ganges, dans le firmament,

Versaient le trésor de leurs urnes

Dans des gouffres de diamant.

(Rêve Parisien, Les Fleurs du Mal)

*****

विष्णोर्विक्रमतो  वामपादाङ्गुष्ठनख  निर्भिन्नोर्ध्वाण्डकटाहविवरेणान्तः  प्रविष्टा  या  बाह्यजलधार (…) (5.17.1)

viṣṇorvikramato  vāmapādāṅguṣṭhanakha  nirbhinnordhvāṇḍakaṭāhavivareṇāntaḥ  praviṣṭā  yā  bāhyajaladhāra (…) (Bh. Purāṇa, 5.17.1)

Um passo de Viṣṇu, de pé esquerdo, com a unha do dedão, perfurou a cobertura superior da redoma (ou, do universo), pela fissura, a reserva de água (veio) abaixo, (e) entrou.

*****

Calma, não enganei vocês quando disse que não conhecia um texto sânscrito em prosa de antes do século XIV, este aí (em prosa) é do bhāgavata purāṇa, certamente de bem antes do século descrito. Mas seu texto em prosa é uma exceção, ele “é todo poesia”, de uma sofisticação incrível, ao todo são 18.000 estrofes, a maioria dísticos, com diferentes tipos de metrificação, inclusive a não-metrificação, como aí em cima; sua divisão é feita em 12 ‘cantos’, ou skandha, com cada ‘canto’ contendo pequenos e vários capítulos, ou adhyāya (então, a numeração acima é: o ‘canto’ 5, o ‘capítulo’ 17 e a ‘estrofe’ 1).

Ainda escreverei bastante sobre o bhāgavata purāṇa, essa importante obra para quem  estuda o vedānta. E sendo assim, sempre uma excelente referência.

Mas o que tem a ver Baudelaire com isso tudo?

Já leio Les Fleurs du Mal desde que fui a França, ano passado, e estou sempre voltando aos seus poemas; fica ali na cabeceira, e aos poucos vou me embrenhando. Gosto de ler poesia procurando decorar os poemas, às vezes nem os decoro por inteiro, mas fico com um, dois ou mais versos ressoando de (em) cor. Numa dessas leituras, parei na estrofe aí do Rêve Parisien, onde o bardo, ao fazer uma suposta ‘analogia’ do Ganges com o rio Sena (poderia um ‘sonho parisiense’ passar sem a figura, no caso: mítica, de um rio?), faz uma descrição exata de parte da história desse mitológico rio indiano. Não deu outra, lá fui eu consultar os purāṇa para conferir essa história novamente; daí decidi colocar no post parte de uma das principais “não-estrofes” (é prosa!) do capítulo.

Vamos à estrofe do poeta francês:

  • Ele começa a estrofe com duas qualidades: “indiferente” e “taciturno”, por suas águas e por sua natureza. Em seguida, além do nome, escreve que sua origem não é aqui, mas no “firmamento”, isso quer dizer que suas águas vêm de cima da cobertura superior da redoma, e assim, pela fissura, “deitam o tesouro de suas urnas” (ou ‘de suas águas’), “nos abismos de diamante”, aqui poderia ser uma referência aos três universos (uma ressalva: Baudelaire usa bastante essa imagem de gouffre ao longo de seus poemas).

E agora à prosa do purāṇa:

  • Aqui temos uma das descrições da origem do Ganges na literatura sânscrita. Nas estrofes desse capítulo, a primeira coisa a ser descrita é como esta origem se deu e como o “rio” chegou até a Terra. É emblemático aqui o nome de Viṣṇu, que na verdade, nesta ocasião, estava “arquetipado” como vāmana ou trivikrama, um nome (o segundo) que significa “três passos” porque foi com três passos que Ele percorreu os três universos, furando assim, com seu dedão do pé esquerdo, o que o texto coloca como “cobertura superior da redoma” (traduzo como “universo” a expressão que logo depois será cunhada com a palavra exata: jagat). Com este furo, entra nos três universos as águas do chamado Oceano Causal, o oceano que estaria na origem da criação, que uma vez dentro, teriam sido amortecidas pelo tão conhecido semideus śiva, através de seu coque de cabelo, onde ficou reservada a água até cair sobre os três universos, um deles o nosso. Por isso, alguns acabam se referindo à sua origem de modo abençoado, por suas águas terem chegado até nós pelos pés do Senhor (creio que vocês sabem a importância da tradição de “lavar os pés” no Oriente).

E não é que o Charles Baudelaire, mesmo por volta do século XIX, nem precisou de uma novela para saber com exatidão parte da origem mitológica desse rio tão famoso…

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